16 de Julho de 2019 | Quinzenário Regional | Diário Online
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Paulo Júlio

Devaneio ou limitação?

5 de Julho 2019

Não sei o que se passa com o PSD. As escolhas de candidatos a deputados sempre foi um processo difícil e altamente discutível. Em qualquer caso, forasteiros que se candidatam fora dos seus círculos distritais sempre existiram, de modo a colmatar a falta de lugares noutros locais.

Em Coimbra, o PSD Distrital é uma amostra de credibilidade e de representação social, pouco reconhecido e liderado por figuras de terceira ou quarta linha sem quase nenhum prestígio social. Não sei se por esta razão, embora me pareça que não seja a dita razão, o actual líder do PSD resolveu inventar e fazer escolhas inexplicáveis. Em Coimbra, arrisco a escrever, a lista do PSD que se apresentará é, talvez, a pior da nossa história de democracia, liderada por uma figura cuja notoriedade pública é ter defendido um “serial killer”, e que na cidade e região, fora isso, ninguém conhece onde se distinguiu pessoal ou profissionalmente. O resto da lista será conhecida em breve, mas tudo indica que é mais do mesmo ou pior ainda do que o habitual.

Se observarmos os cabeças de lista do Porto e Lisboa, o diapasão mantém-se numa lógica do Presidente contra tudo e todos, cujo slogan bem poderá ser: “se eu me afundar, virão  todos comigo”. Nas duas situações, a escolha recai sobre jovens eventualmente promissores que obviamente ainda não têm nem provas dadas, nem experiência de vida para estar num parlamento nacional.

O PSD é um partido com passado que, normalmente, governou em períodos difíceis e que sempre se distinguiu como uma entidade reformista, representando a parte da sociedade que tem iniciativa e dinâmica, sempre com uma base de consciência social e humanista. O PSD merecia melhor. A coragem alvorada do actual líder fica na escolha de todos os que já fazem parte da “Entourage” para lugares de destaque, castigando todos os que, de forma crítica e responsável, foram tomando posições e opinaram de forma divergente.

Renegou-se o passado de governo liderado pelo PSD que conseguiu salvar o País da bancarrota que, por sua vez, foi finalmente reconhecida pelo PS, através da Voz de Carlos César, a propósito do diferendo com o BE. Não há respeito por quem pensa diferente e varre-se quem poderia continuar a desenvolver trabalho no parlamento.

O devaneio vai sair caro porque os cidadãos têm de se sentir minimamente representados, algo que em Coimbra, por exemplo, não acontece. O PSD resistirá, mas quem vier, terá imenso trabalho a recuperar os cacos de tão alucinada aventura.


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