16 de Junho de 2019 | Quinzenário Regional | Diário Online
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Paulo Júlio

As Europeias como acto experimental

7 de Junho 2019

O distanciamento entre políticos e cidadãos está cada vez maior. A abstenção dos cidadãos nas eleições europeias, se tivesse de ser traduzida por um pequena frase, poderia ser “que se lixem estes tipos todos que, no fim de contas, não há grande diferença no resultado final”.

Não considero que a abstenção seja ignorância sobre a importância do projecto europeu, penso mais que os portugueses consideram que no espectro político nacional, não há diferenças de substância na actuação dos deputados no Parlamento Europeu. De qualquer modo, a quatro meses de eleições legislativas, todos quiseram fazer um ensaio do que valiam nesta altura. O debate acabou por centrar-se na acção do governo e o resultado final acabou por ser claro. O PS ganhou moderadamente, o PSD teve um resultado historicamente baixo, o CDS levou uma sacudidela, a CDU levou um cartão amarelo, e, finalmente, o BE e o PAN foram os vencedores da noite, com outros novos partidos políticos vetados ao esquecimento.

Na realidade, António Costa foi o verdadeiro candidato do PS e com o episódio dos professores no início da campanha, percebeu que tinha de cavalgar a onda gerada pela ingenuidade de outros. O PSD de Rui Rio ainda não conseguiu definir o espaço político a ocupar. Desdenhou, de forma coerente com o que pensa, o trabalho desenvolvido pelo PSD em aliança com o CDS, no tempo da Troika, foi dizendo que o PSD é muito mais um partido de centro esquerda do que de centro direita, quis ocupar esse espaço, mas até as bandeiras das boas contas e da responsabilidade financeira, bem como do traço reformista que sempre caracterizou o PSD, deixou fugir, não entendendo que esse posicionamento parecido com o actual PS levará a que as pessoas que decidem eleições, moderadas e não militantes escolham quem está a governar. A quatro meses das eleições, ainda ninguém sabe qual vai ser o posicionamento do PSD, para além do facto do entusiasmo do partido ser pequeno.

Feito este intróito, constatamos que António Costa ficou de tal modo entusiasmado que até teve coragem de colocar na agenda do PS, como ponto prioritário, o combate contra a corrupção, tentando retirar algum espaço que o PSD pudesse entretanto ocupar, caso por aquelas bandas alguém acordasse. Não quero acreditar que o PS consiga fazer disto bandeira quando o que mais temos ouvido nos últimos anos, são casos sucessivos onde gente ilustre se embrulhou em trapalhadas, sem que sobre tal tivessem dito e feito alguma coisa, a não ser aquela frase esfarrapada de que à política o que é da política, à justiça o que é da justiça.

Espero que uma bandeira não seja ganha porque até se admite que os juízes ganhem mais do que o PM, ou que algum político pense que tal ideia possa conquistar uma classe. Por vezes, este deslumbramento dá maus resultados e, apesar de tudo, as eleições ainda não estão ganhas.


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