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Belmiro Moita

Acerca da riqueza das Nações

19 de Julho 2019

Porque é o indicador mais utilizado para medir a riqueza de um país, não é de admirar que os meios de informação dêem com frequência notícias sobre o PIB (Produto Interno Bruto).

Qual a razão de tal atitude? Porque, neste planeta onde a riqueza é o bem mais desejado, quando ela cresce os habitantes do país tornam-se, em média, mais ricos. Se ela diminuir as pessoas ficam mais pobres.

Porém, uma outra questão se levanta: calcular o PIB é uma tarefa fácil? É evidente que não é fácil, por diversos motivos, entre os quais os seguintes:

– A diversidade de métodos;

– As actividades que devem entrar no seu cálculo.

Quanto aos métodos, há a considerar o cálculo através da quantidade de bens e serviços produzidos (menos os bens intermédios) na economia. Pode também calcular-se o PIB englobando os rendimentos auferidos pelos habitantes do país. Por último pode medir-se através da quantidade de despesa de todos os agentes económicos em produtos finais ou seja:

 

PIB = Consumo interno das famílias + Investimento pelas empresas + Despesa pública + Exportações – Importações

 

Desta igualdade facilmente se infere que quando há uma variação positiva das referidas componentes, excepto nas importações, o Produto Interno Bruto cresce.

No que respeita às actividades que devem ser reconhecidas na determinação do PIB, há algumas divergências entre os especialistas.

Por exemplo, o trabalho doméstico feito pelas donas de casa (ou por homens), a produção para consumo próprio por parte dos pequenos agricultores e a prostituição devem fazer parte do cálculo do PIB?

Em relação ao trabalho doméstico, a maioria dos especialistas, devido às dificuldades relacionadas coma mensuração do referido trabalho, defende que não deve ser incluído no PIB, ao contrário dos salários do pessoal doméstico, que são afectado ao PIB. A este respeito Marx escreveu:

 

“Se um homem solteiro empregasse uma criada, o seu salário, quando pago legalmente, faria, como é óbvio, parte do PIB. No entanto, se casasse com ela e ela continuasse a fazer precisamente o mesmo trabalho que antes, mas agora como “dona de casa” casada, o seu trabalho já não contribuiria para o PIB. Pelo contrário diminuía-o”

 

A razão do referido procedimento não é fácil de explicar, mas justifica-se em virtude do trabalho da dona (ou dono) de casa não ser uma actividade trocada no mercado e, por isso, ser de difícil imputação, por elevada dificuldade de valorização, ao PIB dos gastos correspondentes.

As dificuldades referidas existem também com os consumos próprios da produção dos pequenos agricultores e com a prostituição, embora esta com algumas excepções, como é o caso da Holanda, onde a prostituição é legal e, portanto, os trabalhadores do sexo declaram os seus rendimentos, o que contribui positivamente para o PIB desse país.

Do exposto, ressalta que o PIB de um país pode aumentar, talvez mais de 1%, se actividades como as referidas – sem falar na economia paralela – fossem incluídas no seu cálculo.

Será que num planeta onde a Inteligência Artificial, a Aprendizagem Automática e a Big Data estão a revolucionar a sociedade e a ciência, não poderia haver mais rigor no cálculo do PIB? Pensamos que sim.


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