26 de Maio de 2019 | Quinzenário Regional | Diário Online
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Paulo Júlio

A dialéctica tem disto!

1 de Março 2019

A manipulação da mensagem política pode ser um verdadeiro boomerang. Em 2015, interessava dizer que a austeridade era coisa do governo anterior chefiado por Passos Coelho. Mais, era algo que a direita fazia gala e que nunca foi necessária. Era coisa ideológica, portanto fazia parte do passado. Fomos acreditando. A economia, mais do que a política de mensagens, ajudava bastante ao crescer na Europa e, apesar da inércia, também em Portugal.

Esse crescimento económico, cujo mérito se deve aos empresários deste País, permitiu que a taxa de desemprego baixasse muito,  diminuindo os gastos sociais, ao mesmo tempo que o Estado arrecadava mais impostos do que alguma vez acontecera. Isto, por sua vez, permitiu que algumas reposições salariais e benesses como a diminuição para trinta e cinco horas semanais  de trabalho no Estado, fossem acontecendo sempre  acompanhadas pelo proclamado fim da austeridade.

Durante este caminho, foi-se percebendo que o défice público baixou, à custa de muitas cativações orçamentais e, por consequência, da degradação de serviços públicos. Parecia um milagre. Mas, era somente a economia a responder a alguns estímulos internacionais e, é certo, a tentar posicionar-se na esteira da internacionalização que todavia veio tarde.

Com tanto optimismo, as reivindicações subiram de tom, as greves tornaram-se o pão nosso de cada dia, pressionando o Governo contra o muro que erigiu sob o slogan de que a austeridade já não existia. Dito tantas vezes, fez esquecer o facto incontornável de que o Estado deve cerca de duzentos mil milhões de euros e paga juros que valem um Ministério da Saúde. Como o discurso do agora novo Ministro, então deputado e Presidente do PS de Aveiro, que nos estávamos a marimbar para a dívida se apagou, mal entrou para o Governo forçado à esquerda, não restam dúvidas que o Estado tem mesmo de viver em austeridade, seja lá o que isso for ou, dito de outra forma, tem de viver de forma contida, coisa que também foi caindo em desuso.

Em ano de eleições, um dos governos que melhor governou para as sondagens vive no paradoxo de ouvir protestos e anúncios de greves de várias classes que representam centenas de milhares de votos, ao mesmo tempo que ouve alto e bom som, pela voz do seu Ministro das Finanças que não há margem para nada porque  a economia está a abrandar e é melhor não nos metermos em mais sarilhos. É duro, mas é verdade. A austeridade veio mesmo para ficar. E apesar de tudo, vale mais assim do que perdermos novamente a nossa soberania por causa de uns votos. Em ano de eleições, em todo o caso, é melhor estarmos atentos.


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