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Pombal:Farpas Pombalinas, o blogue que “arrasa” interesses e poderes instalados

18 de Abril 2019

O blogue Farpas Pombalinas nasceu em 2008 com o objectivo de “furar o cerco da informação” no concelho de Pombal. Onze anos depois, o blogue não só não morreu, como está ainda mais mediático. Afinal, se antes era lido apenas pelos actores interessados da vida política, hoje chega ao cidadão comum. Por isso, tem cada vez mais leitores, que são cada vez mais interventivos. Logo “o objectivo inicial está amplamente cumprido”. E o futuro? Esse está nas mãos dos pombalenses…

Foi há 11 anos. Adelino Malho estava ligado à política e “sentia que havia um cerco montado contra a divulgação da acção política da oposição”, que “era indispensável furar”. E “a forma mais fácil de o fazer, sem grandes investimentos, era criar um blogue”. Mas tinha de ser “um projecto colectivo”, pelo que “decidi convidar quatro ou cinco pessoas”. Nasce assim o Farpas Pombalinas.

Adelino Malho, Paula Sofia Luz, João Alvim, Adérito Araújo e Daniel Mendes Alves foram os fundadores deste projecto. “Cinco pessoas com algum perfil político, que tinham pouca relação entre elas” e “nada a perder em Pombal”. Afinal, para “ter coragem” para “farpear os interesses e os poderes instalados” era “preciso não estar dependente do poder local, nem ter nada a perder em Pombal”, frisa Paula Sofia Luz, a única fundadora que “não fazia parte de nenhum partido político”, mas conhecia bem esta realidade a nível local por ter sido jornalista e directora do jornal pombalense “O Eco”, que entretanto fechou portas.

“Apesar das pessoas muitas vezes confundirem o blogue com um órgão de comunicação, o Farpas não publica notícias, apenas faz intervenção cívica não partidária, mas política e alinhada à esquerda”, esclarece a actual jornalista do Diário de Notícias. “O Farpas é um centro de poder, ou melhor um centro de contrapoder”, que “pode ajudar a melhorar as coisas agitando as águas”, adianta Adelino Malho, certo de que hoje “fazemo-lo com muito mais eficácia, informação e consistência e isso traduz-se no número de leitores”.

“Sim, nunca pensámos ter este alcance, nem esta penetração”, realça Paula Sofia Luz, constando que “neste momento chegamos a toda a gente” e “muitas pessoas perderam o medo de comentar e de intervir”. E “o nosso grande salto aconteceu quando criámos a página de Facebook”.

Mas afinal a que se deve o sucesso do Farpas Pombalinas? “Para além das qualidades e dos atributos que tem por usar uma linguagem fracturante e acutilante, o sucesso do Farpas tem a ver com o insucesso dos jornais locais”, que se demitiram de fazer um “papel interventivo” atendendo à sua sobrevivência, considera Adelino Malho.

Porém, “esta força exterior não correspondia com a nossa fragilidade interna”, refere Paula Sofia Luz, que até há pouco tempo “sentia que nunca fomos tão poucos e valemos tanto”. Afinal, restavam “apenas três gatos-pingados”. Por isso, recentemente decidiram alargar o número de pessoas que escrevem no blogue. E pensaram: “vamos convidar 10 pessoas para ver se cinco aceitam, mas aceitaram nove e neste momento somos 12”, contou Adelino Malho, sublinhando que isto “é um indicativo forte da vitalidade do Farpas”.

 

Buraco da fechadura

Mas o êxito do projecto não se mede no número de seguidores que têm na blogosfera (136), mas antes número de “gostos” (4.366) e de seguidores (4.457) da página de Facebook, o que prova que ainda há pessoas que “por receio” preferem “espreitar pelo buraco da fechadura”. Além disso, este sucesso verifica-se ainda na quantidade de visualizações das publicações e nas ruas da cidade, das vilas e das aldeias pombalenses, pois “comenta-se o blogue em todo o lado” e as mensagens ali veiculadas chegam inclusivamente a quem não tem sequer acesso à internet.

Também a classe política no poder “percebeu o alcance do Farpas e decidiu apresentar queixas” na justiça numa “tentativa de nos calar e de nos amedrontar”, lamentou Paula Luz, que considera “inacreditável a oposição não cavalgar esta onda do Farpas”, preferindo “olhar para nós como um inimigo” e não como um aliado que lhes “facilita o trabalho”. “Não compreendo porque têm receio em nos citar” quando vão buscar ao Farpas “os temas que levantam nas reuniões e os argumentos que usam”.

E o que acham da governação autárquica em Pombal? “Eles são bons a gerar e controlar o poder, mas são maus a governar a Câmara e desenvolver o concelho”, disse o mentor da ideia de criar o Farpas, enfatizando que “Pombal é uma terra cheia de potencialidades, mas que continuam a ser adiadas”.

“Nunca procurámos agradar a toda a gente” e “é lógico que, pelo estilo que definimos de início, sabíamos que iríamos provocar reacções, mesmo numa terra com uma cultura mole, dormente, indolente e não politizada”, admitiu Adelino Malho, salientando que “estávamos preparados para elas”. “Na verdade, temos noção que temos algum poder que nos advém de sermos totalmente independentes do poder local”.

Mesmo assim, “ao longo destes anos criámos muitos inimigos por termos opinião”, sublinha Paula Luz, enfatizando que “sempre vivemos o presente e farpeámos muito a falta de perspectiva de futuro”. Daí serem “conotados como arruaceiros e maldizentes”.

E que futuro prevêem para o Farpas? “Será aquilo que as pessoas quiserem”. Já o presente passa por comemorar o 11.º aniversário com um jantar-debate, na noite de 24 de Abril, no Hotel Pombalense, sobre “tudo o que se passa no onde vivemos é em nós que se passa”. Além de comemorar mais um ano, esta iniciativa pretende “promover a discussão e agitar as águas”, fazendo “o que fazemos no blogue, mas de viva voz”, isto é “discutir cara a cara, de igual para igual”. E numa altura em que contam com uma equipa mais alargada com elementos de todos os quadrantes políticos, o Farpas tenciona voltar a fazer debates regulares sobre temas estruturantes, que dizem muito às pessoas.

CARINA GONÇALVES


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