20 de Abril de 2019 | Quinzenário Regional | Diário Online
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Penela: ‘Laboratório Rios’ nasce na ribeira da Azenha no Espinhal

31 de Janeiro 2019

Na ribeira da Azenha, na Quinta da Cerca, no Espinhal, está concluído o primeiro ‘Laboratório Rios’ da região, utilizando diversas técnicas de engenharia natural de consolidação e estabilização das margens fluviais, que o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, visita hoje ao final da tarde.

Trata-se de um projecto englobado no âmbito das intervenções prioritárias de protecção dos recursos hídricos devido aos incêndios florestais ocorridos em Junho de 2017.

Penela, um dos concelhos afectados, reabilitou cerca de 20 quilómetros de linhas de água, em operações de limpeza e valorização dos recursos existentes, utilizando em muitos dos locais as referidas técnicas de engenharia natural, como a faxina, estacaria, entrançado ou bio-rolo, entre outras.

A zona do parque verde da Quinta da Cerca, junto ao leito da ribeira da Azenha, não foi afectada pelo fogo, mas a Câmara Municipal, juntamente com os parceiros envolvidos, considerou ser o local ideal para avançar com o projecto que congrega o conjunto de soluções ao nível da engenharia natural utilizadas na referida reabilitação dos recursos hídricos.

Por um lado, permitiu recuperar o curso de água daquela ribeira, antes ‘tapado’ por um “imenso silvado” e que hoje se apresenta completamente limpo de vegetação agreste; por outro, o ponto é de fácil acesso e integrado numa área populacional, que será chamada a acções de sensibilização e educação para a limpeza, preservação e manutenção dos espaços.

“Não fazia sentido realizar o projecto nas zonas ardidas, porque são de produção florestal e pouco povoadas, afastadas da parte central do concelho. Queríamos deixar uma marca do trabalho que foi feito, ir mais além que as operações de limpeza ou corte de madeira junto às linhas de água, e este é um sítio interessante para sensibilizar a população em geral e a comunidade escolar para a protecção dos recursos hídricos”, refere Manuela Ferraz, engenheira florestal da autarquia, enquanto caminha ao longo do percurso intervencionado, na extensão de um quilómetro.

A comunidade científica tem também aqui “a oportunidade de perceber como funcionam os ecossistemas fluviais, estudar a fauna e flora associada aos sistemas ribeirinhos”.

“Este laboratório natural será um espaço demonstrativo das melhores práticas de intervenção de rios, permitindo realizar investigação, formação e envolvimento de técnicos e proprietários à escala municipal e com impacto regional. Neste sentido, nesta linha de água estão representadas as principais técnicas de engenharia natural e de promoção de corredores ecológicos”, realça aquela técnica superior.

O ‘Laboratório Rios’ vai ter um guia explicativo das diversas técnicas de engenharia natural utilizadas e a autarquia pretende envolver agentes locais no acompanhamento aos visitantes.

Aproveitando também esta nova valência do parque verde da Quinta da Cerca, as comemorações dos dias da floresta, da água e da poesia, dinamizadas pela Câmara e que juntam habitualmente centenas de crianças e jovens do concelho de Penela, terão este ano aquele local como epicentro. Oportunidade para os mais novos serem sensibilizados para a protecção e preservação dos ambientes fluviais.

 

Muita engenharia natural

No concelho de Penela, a intervenção no âmbito da protecção dos recursos hídricos atingidos pelos incêndios de Junho de 2017, estendeu-se por cerca de 20 quilómetros de linhas de água (mais dois do que o inicialmente programado), nos quais foi realizado o corte da madeira ardida.

Naquela extensão, na consolidação e recuperação de taludes, com soluções técnicas de engenharia natural, foram aplicados 3.600 metros de faxinas, 3.600 metros de entrançados, 38 mini-açudes, 114 micro-açudes, 10.800 metros de troncos de madeira para retenção de sedimentos, enrocamento vivo, muro vivo, aplicação de bio-rolo e fardos de palha, e formadas diversas pilhas de compostagem. A reposição da galeria ripícola foi feita através da plantação de espécies autóctones em torrão de aplicação de estacaria, num total de 1.900 árvores.

As diversas técnicas utlizadas foram replicadas e podem ser apreciadas na ribeira da Azenha, junto ao parque verde da Quinta da Cerca, no Espinhal.

LUÍS CARLOS MELO


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