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Penela: Ferraria de São João diz que zona de protecção está em risco

15 de Junho 2019

Ferraria de São João, aldeia de Penela afectada pelo grande incêndio de Pedrógão Grande, em 2017, criou uma zona de protecção e arrancou eucaliptos para ser resiliente, mas, dois anos depois, faltam mecanismos legais e financeiros para continuar o projecto.

A aldeia de xisto, que criou uma zona de protecção em que arrancou mais de 50 mil eucaliptos na área de 100 metros à volta da povoação, enviou uma carta aberta ao Governo, Presidente da República e outras entidades públicas locais, regionais e nacionais a alertar para o “perigo real de colapso deste projecto que tantos elogios e expectativas criou”, refere o documento a que a agência Lusa teve acesso.

A iniciativa, que ganhou forma após o grande fogo de 17 de Junho de 2017 e que afectou aquela aldeia, está agora em risco, com o presidente da associação de moradores da Ferraria de São João, Pedro Pedrosa, a apelar, na carta aberta, a novos instrumentos financeiros e legais que permitam manter e dar continuidade ao projecto.

No documento, Pedro Pedrosa diz que se depara com “uma situação limite”, em que tem de recorrer a fundos pessoais para garantir a viabilidade da zona de protecção, ao mesmo tempo que sofre “ameaças físicas por parte dos poucos proprietários que não houve capacidade de convencer a aceitar a forma de gestão do projecto”.

Em declarações à agência Lusa, o responsável do projecto salienta que se chegou a “um impasse”, sendo necessárias “ajudas externas” para o projecto continuar.

Para isso, Pedro Pedrosa defende a criação de um instrumento de ordenamento que não existe para gerir as zonas de protecção de aldeias de forma ágil e eficiente e que possa depois ser replicada noutras aldeias.

“Tem de se criar um enquadramento para que 70 e tal proprietários com 200 e tal parcelas possam fazer uma gestão. Sem estar enquadrada, é um foco de problemas”, vincou.

Para além disso, seria necessário também um instrumento financeiro para compensar a remoção de eucaliptos, o que poderia ajudar a convencer os proprietários mais resistentes à mudança, defendeu.

Pedro Pedrosa esperava que, face ao interesse e elogios que recebeu ao longo destes dois anos, fosse possível a Ferraria de São João ser um laboratório ou um projecto-piloto replicável depois nas outras aldeias.

Das várias entidades a que enviou a carta, apenas a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais reagiu ao documento, referiu.

LUSA


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