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Condeixa: Inscrições romanas de Conímbriga analisadas em encontro internacional

6 de Dezembro 2018

Três inscrições romanas de Conímbriga ou descobertas no seu território, em 2016, 1988 e 1984, respectivamente, estão a ser objecto de reflexão num encontro internacional a decorrer esta semana em Itália, anunciou o Museu Monográfico.

A primeira apresentação portuguesa no Colloque Ductus “Inscriptions Mineures en Miroir – Textes, langues et Supports”, promovido pela Association internationale pour l’étude des inscriptions mineures”, diz respeito a um “Grafito inciso na parede do canal do aqueduto, com inscrição onomástica gravada na argamassa fresca, após a desmontagem da cofragem”, descoberto, em 1988, por José Faustino Figo, guarda do Museu e Ruínas, às portas da cidade de Conímbriga, no sítio do Olival dos Canos. A escolha de maiúsculas monumentais para acrescentar memória a esta obra, evocando porventura a autoria da sua coordenação por parte de Titus Cassius Aminus, pode ter surgido para marcar o momento de satisfação da equipa por estar a iniciar a implantação do último troço desta empreitada e a confirmação da correcção dos cálculos na construção do aqueduto, num percurso terrestre, aéreo e subterrâneo, de cerca de 3.000 metros de comprimento, entre a nascente de Alcabideque e o interior da cidade muralhada de Conímbriga.

A segunda apresentação trata um “Grafito com inscrição numérica, sobre um dolium de Areias, Venda da Luísa, Condeixa-a-Nova”. Esta peça de cerâmica de grandes dimensões, descoberta pela professora Catarina Maurício e os seus alunos da Escola do 1.º Ciclo da Venda da Luísa, no ano de 1983, no local de uma antiga Villa (quinta) ou Vicus (aldeia), nas proximidades da cidade romana, foi depois restaurada e guardada no Museu de Conímbriga.

Esta talha ou dolium foi entretanto cedido ao Museu PO.RO.S, Portugal Romano em Sicó, instalado no antigo Solar da Quinta de São Tomé, em Condeixa, onde se encontra actualmente em exposição permanente, desde o ano de 2017. Foi justamente durante os trabalhos preparatórios de conservação, levados a cabo em Conímbriga, no ano de 2016, que o conservador-restaurador Pedro Sales assinalou a existência da inscrição, agora objecto de comunicação em Roma. De facto, entre o bordo da talha e o alto da pança conservam-se cinco números DCCXC, sugerindo tratar-se do peso do conteúdo ou do continente, ou dos dois. Os números deverão corresponder a 790 libras, ou seja ao peso de 258,68 kg, tendo em conta que a notação de cada libra mais difundida no Império romano era de 0,327 kg.

A terceira apresentação ilustra a descoberta de um “Grafito sobre um fragmento de pintura mural de Conímbriga”, composto por um busto e torso, sobre o qual se lêem porventura R(ufus?) Aq(u)e(…), ou seja um cognomen seguido de um nome de lugar ou de uma função. Tratar-se-á de um acto de desmerecimento sobre uma pintura ornada de motivos requintados? Encontra-se em exposição permanente, portanto à vista de todos, na sala das Artes do Museu de Conímbriga, com o número 498 do respectivo catálogo das colecções.

“De facto, as inscrições, agora objecto de discussão pública, falam-nos da dimensão das relações humanas nos seus mais diversos contextos, presentes hoje e ontem em Conímbriga. Elas envolvem ainda gestos de dádiva e partilha, sendo prova de que os museus, para além de lugares de investigação, conservação, restauro, exposição e animação sócio-pedagógica, são também pontos de convergência com que a população veste o quotidiano do território”, refere uma nota daquele museu.


  • Director: Lino Vinhal
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