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Coimbra: Quatro candidatos disputam liderança da Universidade na segunda-feira

8 de Fevereiro 2019

Os 35 membros do Conselho Geral da Universidade de Coimbra elegem na segunda-feira o reitor que sucede a João Gabriel Silva, num processo com quatro candidatos ao cargo.

Ao cargo de reitor, candidatam-se o vice-reitor da Universidade de Coimbra Amílcar Falcão, a astrónoma e professora catedrática da Universidade Católica da América, Duília de Mello, o investigador em inteligência artificial e professor catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), Ernesto Costa, e o director da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), José Pedro Paiva.

A reunião plenária do Conselho Geral para eleição do reitor decorre na segunda-feira, às 14:30.

Os três candidatos que têm funções na Universidade de Coimbra (UC) têm algumas posições comuns: mostram-se a favor do fim gradual das propinas, defendem uma aproximação à cidade e à região, apresentam preocupações relativamente a praxes abusivas e são contra a possibilidade de a instituição adoptar o regime fundacional (Ernesto Costa, enquanto candidato a conselheiro geral em 2016, assumiu logo nessa altura essa posição).

Na consulta dos planos de acção, a agência Lusa constatou que Ernesto Costa é o único candidato a tomar uma posição em relação ao Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), defendendo a sua revisão, que permita uma “verdadeira autonomia” das universidades e uma recomposição dos órgãos de governo destas instituições, nomeadamente no Conselho Geral, para assegurar “uma participação equilibrada de todas as partes interessadas”.

No plano de acção de 76 páginas de Amílcar Falcão, o actual vice-reitor propõe uma estratégia assente no ensino, na investigação e nos desafios societais, considerando a internacionalização um quarto pilar que interseta todos os outros.

O candidato defende que se repense o Processo de Bolonha e se racionalize a oferta pedagógica, propõe a criação de um Observatório das Actividades Pedagógicas e de uma Iniciativa para a Inovação e Melhoria da Aprendizagem e quer melhorar as condições dos estudantes de doutoramento por forma a diminuir a taxa de 50% de desistência no 3.º ciclo.

Entre outras propostas, o candidato propõe a diversificação de fontes de financiamento, a aposta em candidaturas interdisciplinares a projectos de investigação, a criação da figura do Provedor do Investigador, o reforço da presença da UC nas redes internacionais de investigação, uma melhoria na comunicação e projecção da marca da instituição, requalificar o edificado existente, rever as condições da aplicação da propina ao Estudante Internacional, repensar o modelo de ensino à distância, potenciar o eixo Viseu-Coimbra-Leiria e criar um Observatório para as Políticas Públicas.

Já a astrónoma brasileira, Duília de Mello, num plano de acção de 19 páginas, propõe que se aproveitem os próximos anos para investir na contratação de professores “que representem a UC do futuro”, a criação de um Centro de Excelência Académica e um reforço nas áreas da investigação, de forma a aumentar o apoio externo dos actuais 23,9 milhões de euros para 30 milhões de euros num espaço de dois anos.

A investigadora defende ainda a criação de um Centro Empresarial e de Inovação para coordenar os diversos centros de investigação da UC e um Programa de Melhores Talentos para atrair estudantes.

No plano de acção de Ernesto Costa, o investigador na área da inteligência artificial começa por centrar a sua estratégia na transformação da UC numa universidade de investigação e de pendor internacional.

Nesse sentido, defende o reforço dos programas doutorais, a criação de um grupo de missão para rever os estatutos da universidade, para que esta seja “mais funcional, flexível e democrática”, e a transformação do Instituto de Investigação Interdisciplinar em Instituto de Investigação e Inovação, que permita integrar e coordenar a investigação realizada na instituição.

Na área da internacionalização, Ernesto Costa propõe um esforço em duas frentes – aumento da participação em projectos europeus e aumento do número de estudantes de doutoramento.

O candidato propõe ainda uma nova versão da iniciativa INOV-C, um reforço de meios da actual Divisão de Inovação e Transferência do Saber, desenvolver o conceito de Universidade Virtual, criar um Conselho Cultural e apostar na dimensão da UC como programador cultural, avançar com um Grupo Consultivo Anti-Discriminação na UC e desenvolver um projecto-piloto para a fixação de empresas tecnológicas e criativas no centro da cidade.

Já o director da FLUC, José Pedro Paiva, entende, na sua visão estratégica, que se deve valorizar o passado e projectar o futuro da UC.

Na área da investigação, o candidato propõe um reforço da qualidade das infraestruturas e do equipamento científico, mais parcerias com universidades estrangeiras, a criação de um Conselho Consultivo de Investigadores e uma maior participação de estudantes em programas de investigação.

Noutras vertentes, José Pedro Paiva defende um intensificar do processo de internacionalização da Universidade de Coimbra, nomeadamente através do reforço de relações com a China, e propõe que se repense o lugar das artes na universidade, entendendo que Coimbra deve ter “uma forte Escola de Artes”.

A renovação dos programas de doutoramento, o combate ao subfinanciamento no ensino superior, a qualificação do turismo, uma política de comunicação que melhore a imagem da universidade, a construção de novas residências universitárias e para docentes e investigadores convidados, e um melhor aproveitamento de edifícios, como o Observatório Astronómico, são outras das propostas do candidato.

O Conselho Geral da Universidade de Coimbra, que vai eleger o reitor, é constituído por 18 representantes dos professores e investigadores, cinco estudantes, dois trabalhadores não docentes e não investigadores e dez elementos externos à instituição.

O actual reitor, João Gabriel Silva, cumpre o seu segundo e último mandato à frente da Universidade de Coimbra.

LUSA


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