26 de Agosto de 2019 | Quinzenário Regional | Diário Online
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Ciência está a “cozinhar” chícharo mais saboroso e nutricional

1 de Fevereiro 2019

A ciência está a “cozinhar” uma variedade de chícharo mais saborosa e com maior valor nutricional, que agrade não só ao consumidor, mas também ao agricultor. Neste sentido, investigadores do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) da Universidade Nova de Lisboa estão a desenvolver um projecto científico centrado nas qualidades desta leguminosa, com vista ao seu melhoramento. O porte da planta, a produtividade, o tamanho do grão e o valor nutricional são algumas das características em estudo.

“Trata-se de um projecto muito variado, que tem diferentes vertentes”, disse ao TERRAS DE SICÓ a investigadora Carlota Vaz Patto, coordenadora do estudo e professora do ITQB, salientando que “a vertente agronómica é a que está mais próxima de Alvaiázere, local onde temos os ensaios de campo”, que permitem “fazer uma análise comparativa a nível agronómico das muitas variedades de chícharo de todo o mundo com as variedades locais”. Neste processo, os investigadores contam com o contributo de agricultores locais, que destacaram “as características mais importantes”, nomeadamente “a resistência a pragas e doenças”, “um grão maior” e “uma planta com porte mais levantado para permitir a mecanização”.

Passados “três anos de ensaio de campo”, que permitiu estudar “as características influenciáveis pelo ambiente”, os investigadores podem “analisar os resultados com mais segurança” para identificar “as variedades que reúnem as melhores ou piores características do ponto de vista da produção”.

Segue-se a “análise da qualidade nutricional” para identificar “os componentes benéficos para a saúde” e a “avaliação sensorial”. Afinal, “podemos desenvolver uma variedade que agrade mais aos agricultores e seja benéfica para a saúde, mas se o sabor não agradar aos consumidores, esta não fará parte das suas escolhas”.

Ora, conscientes de que “o sabor é muitas vezes um dos principais motivos de escolha dos consumidores”, os investigadores, em parceria com a empresa Cook.Lab, desenvolveram “alguns produtos alimentares inovadores à base da fermentação de chícharo”, que deram a provar aos consumidores durante o evento Alvaiázere Capital do Chícharo 2018, com vista a “recolher a opinião dos consumidores finais, que podem ou não estar habituados a comer chícharo”. O parecer do “consumidor local” é “extremamente importante”, pois “é a melhor maneira de monitorizarmos o nosso trabalho”, considera Carlota Vaz Patto, adiantando que o estudo não dispensa a opinião de “provadores especializados”.

“O objectivo final é melhorar o produto sem mudar o sabor”, realçou a investigadora, adiantando que a “caracterização destas variedades com ferramentas moleculares” vai permitir “seleccionar as características mais interessantes”, de forma a conseguir uma leguminosa “baseada nas variedades locais, mas mais apreciada pelo agricultor e pelo consumidor final”.

CARINA GONÇALVES


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