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Penela: Caixa Geral de Depósitos vende edifício e reduz serviços

9 de Junho 2024

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) prepara-se para vender o edifício da agência de Penela e encetar um corte nos serviços prestados, embora acene com um balcão “mais moderno e tecnológico” para o atendimento aos clientes, num novo espaço mais exíguo.

No âmbito de um redimensionamento que está a efectuar em diversos pontos do país, em Penela, a CGD vai alienar as instalações da Rua de Coimbra, que têm uma área de cerca de 1.500 metros quadrados, por entender que actualmente estão sobredimensionadas.

E depois de já ter abolido o atendimento especializado em alguns segmentos de clientes, e outros se seguirem, o banco liderado por Paulo Macedo pretende, igualmente, acabar com a tesouraria ao balcão, substituindo-a nas futuras instalações por máquinas automáticas para o efeito.

O assunto ganhou contornos públicos no passado dia 25 de Maio, quando o PSD/Penela lançou uma petição pública online, já com mais de 200 assinaturas, contra o que diz ser um “encerramento da CGD”, comentado “à boca pequena”.

“Está já num processo de venda do edifício e a negociar o arrendamento de duas pequenas lojas para aí instalar um pequeno serviço sem gerência e sem tesouraria que será substituída por uma máquina que aceitará depósitos em notas e moedas. Certo e já confirmado é que retiraram o gestor de clientes Caixa Azul sem qualquer aviso aos clientes e à própria gerência da Agência, obrigando os clientes deste segmento a tratar com o gestor de Condeixa”, adianta o texto da petição.

Para os social-democratas, o caso “assume ainda maior gravidade porque a Caixa não é apenas um banco, é o banco público que tem como único accionista o Estado Português. E porque é o banco público cumpre-lhe o serviço público de servir os territórios mais desprotegidos (…) contribuir activamente para o esbatimento das assimetrias, mantendo um nível de serviços compatíveis com as reais necessidades das populações que deve servir”.

“Significa isto que à Caixa Geral de Depósitos, enquanto banco público, que efectivamente é (embora não pareça!), cabe a responsabilidade de não abandonar os cidadãos portugueses de mais idade que não conseguem utilizar as novas tecnologias, nem tão pouco desprezar um significativo e crescente conjunto de empresas obrigando-as a ir procurar soluções financeiras para a sua actividade fora do concelho da sua sede”, reforça a petição dirigida ao presidente do Conselho de Administração da CGD.

O TERRAS DE SICÓ solicitou esclarecimentos à instituição bancária, mas até ao fecho da edição impressa de 7 de Junho não obteve resposta às questões colocadas.

Quando menos é mais…

O presidente da autarquia penelense, Eduardo Santos, confirma que foi “informado, oralmente, de que a CGD pretende redimensionar as suas instalações, uma vez que o edifício, onde estão actualmente instalados, tem uma área de 1.500 metros quadrados, que, segundo os próprios, é excessivamente grande para as necessidades”, mas “tanto quanto foi transmitido à Câmara Municipal”, a Caixa “não pretende encerrar o balcão em Penela”, reafirmou na reunião do executivo realizada na passada segunda-feira (3), depois da edilidade já o ter veiculado num comunicado surgido em reacção à referida petição.

“Naturalmente que se existisse essa intenção, o município seria o primeiro a informar e a agir no sentido de evitar uma acção tão danosa para a população”, assegura o autarca socialista, dando nota de que a CGD “informou que pretende consolidar a sua presença em Penela, renovando as instalações, com um balcão mais moderno e tecnológico, no qual irão ser prestados mais serviços à população”.

Argumentos que não convencem o PSD, que promete não ficar “de braços cruzados, porque também sabemos que isto significa um retrocesso de décadas no processo de desenvolvimento do concelho e na qualidade de vida dos nossos concidadãos”.

Luta política

O assunto de significativa importância para a comunidade local ganhou, entretanto, contornos de luta política, com o presidente da autarquia a ser visado, com “grande consternação”, no texto da petição, por alegadamente ter sido “formalmente informado há mais de um mês” das intenções da CGD, “mas não tomou qualquer iniciativa que se conheça, nem tão pouco deu conhecimento aos vereadores, como era seu dever, apesar de já terem ocorrido duas reuniões de Câmara”.

Eduardo Santos respondeu na reunião da passada segunda-feira, mostrando-se perplexo “com a forma como tudo isto foi gerido pelo PSD”, acusando-o de “divulgar informação que não corresponde à realidade”, reforçando que “a CGD não pretende encerrar o balcão em Penela”.

“A mais de um ano das eleições autárquicas, o PSD Penela iniciou desesperadamente o seu processo de ‘vale-tudo’ para enganar os penelenses”, imputa o autarca.

Os social-democratas não gostaram e dois dias depois divulgaram um comunicado onde prestam “esclarecimento público” sobre a forma como abordaram o problema e “para reforçar a crueza da verdade dos factos que motivaram a petição pública contra o encerramento da Agência da Caixa Geral de Depósitos em Penela. Sim, porque é isso que se trata quando tudo vai ficar reduzido a uma ‘loja de atendimento de back-office’ esvaziada de competências e serviços”, insistem.

Batalha penelense
Com Eduardo Santos “a acompanhar este assunto diariamente e se perceber que existe alguma alteração, agirei em conformidade”, o PSD não desarma e mostra-se “consciente do dever de defender intransigentemente a manutenção dos serviços normais da Caixa Geral Depósitos em Penela”, reafirmando a “total disponibilidade para, em conjunto, darmos as mãos em defesa daquilo que é nosso por direito – o de sermos tão portugueses como os demais portugueses”.

[NOTÍCIA DA EDIÇÃO IMPRESSA]


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