19 de Maio de 2024 | Quinzenário Regional | Diário Online
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Soure: Associação de Samuel procura famílias de acolhimento para crianças em risco

5 de Maio 2024

Dentro das várias respostas sociais desenvolvidas pelas Associação Cultural, Recreativa e Social de Samuel em prol da comunidade, há uma que se destaca: o programa “Acolher com Afectos”, que pretende “sensibilizar a comunidade para a resposta de acolhimento familiar”, com o objectivo primordial de “reduzir substancialmente a institucionalização de crianças e jovens” dando-lhes, desta forma a “oportunidade de viverem em ambiente familiar”.

Lucinda Campos, psicóloga e coordenadora do projecto, explica que a Associação de Samuel é a “única no distrito de Coimbra a trabalhar neste programa”. Na verdade, “a valência já existe desde 2000, com um projecto bastante residual, e uma bolsa de cinco famílias preparadas para acolher crianças do concelho de Soure”, no entanto, como o trabalho tem vindo a ser desenvolvido de forma positiva, “a Segurança Social desafiou-nos a alargar o projecto a todo o distrito de Coimbra, e por isso temos, actualmente, protocolo para uma bolsa de 30 crianças, o que significa que também precisamos de mais famílias com capacidade para as acolher”, esclarece.

De acordo com a responsável, o programa “Acolher com Afectos” é uma mais-valia para a qualidade de vida das crianças, que por algum motivo vivem em situação de risco. “O Estado percebeu, finalmente, que a institucionalização nunca é a melhor opção, porque estamos a falar de crianças com uma grande carência, que sentem falta de colo, de família e de carinho, e este projecto foca-se muito nisso, no vínculo e nas necessidades afectivas dos mais pequenos”, e por isso “o nosso objectivo é encontrar pessoas que possam colmatar essa necessidade, num ambiente de segurança, até que as crianças possam voltar ao seu agregado de origem”. Afinal, uma instituição, “por muito cuidado que dedique às crianças e jovens que acolhe, não é uma família e não consegue proporcionar o conforto emocional de que precisam”.

Os candidatos a prestar acolhimento podem ser famílias ou pessoas singulares que, após um processo de selecção “muito rigoroso a vários níveis”, ficam habilitadas a receber um menor em sua casa, cuidando dele como se se tratasse de um efectivo parente, por um período “variável, mas que vai poucos meses a anos, consoante as circunstâncias que levaram o tribunal a retirar o menor aos pais”. Actualmente, “temos quatro famílias na bolsa de Acolhimento Temporário e mais oito em processo de avaliação e selecção”, ainda assim, “contamos que número de famílias possa aumentar num futuro próximo”, apela.

Ao TERRAS DE SICÓ, Lucinda Campos explica que a família de acolhimento “é acompanhada pelos profissionais da Associação de Samuel”, neste caso, a equipa é constituída por três elementos: psicóloga, educadora social e assistente social, de forma a garantir “todo o apoio necessário”.

E quando fala em apoio, a responsável explica que “a família de acolhimento recebe apoio psicológico e financeiro”. No entanto, o apoio financeiro “não pode ser tido como actividade profissional, aliás, na altura de selecção, também as possibilidades financeiras da família são avaliadas”, regista. Para a psicóloga, “há ainda outras questões que não podem ser descuradas”, e explica que “o acolhimento não é uma etapa rumo à adopção”, pelo contrário, em caso de expectativas dessa ordem, Lucinda Campos reitera que “se alguém quiser adoptar, ou apadrinhar, terá que deixar de ser família de acolhimento e iniciar o processo de adopção com outra equipa e com uma estrutura totalmente diferente”. Neste programa, em particular, “o objectivo final é sempre devolver a criança à família de origem”, pelo que o agregado de acolhimento temporário deve preparar-se emocionalmente para “fazer o melhor pela criança, sabendo que, no final, ela deixará de viver com ele”.

Para essa responsável, o Acolhimento Familiar ainda é “uma área pouco conhecida da estrutura social portuguesa e é preciso divulgar esse serviço junto da população, para que mais crianças e jovens em risco tenham a oportunidade de atravessar um período tão difícil das suas vidas com o máximo de conforto e afecto”. Desta forma, “temos dinamizado várias sessões informativas, on-line, para dar a conhecer o projecto, explicar as vantagem e chegar a mais famílias” sendo que “no final destas sessões as famílias podem, ou não, mostrar o interesse em continuar no processo de avaliação e selecção”.

Em jeito de convite, Lucinda Campos revela que a próxima sessão informativa se realiza a 7 de Maio, pelas 18h00, e as inscrições podem ser realizadas através do email crss.acolhercomafetos@gmail.com ou dos contactos telefónicos 239 580 000 ou 960 265 877.

ANA LAURA DUARTE

[NOTÍCIA DA EDIÇÃO IMPRESSA]


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