13 de Junho de 2024 | Quinzenário Regional | Diário Online
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Paulo Júlio regressa à “participação cívica e política” e quer reerguer PSD Penela [ENTREVISTA]

19 de Maio 2024

Paulo Júlio prepara-se para liderar a Comissão Política Concelhia de Penela do PSD, devendo encabeçar a única lista ao sufrágio que se realiza no próximo dia 1 de Junho. Trata-se de um de regresso à “participação cívica e política” do antigo presidente da Câmara local e ex-governante, depois de mais de uma década de ausência das lides partidárias.

Desde que, em Janeiro de 2013, deixou a secretaria de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa, no então governo de Pedro Passos Coelho, Paulo Júlio afastou-se da vida política activa, retornando à carreira de gestor de empresas que largara em 2005 para se candidatar, com êxito, à presidência da autarquia penelense. Regressa agora e explica porquê em entrevista ao TERRAS DE SICÓ, onde é colunista desde a primeira hora.

TERRAS DE SICÓ (TS) – Por que razão decidiu regressar à política?

PAULO JÚLIO (PJ) Porque senti que a minha participação cívica, no momento em que vivemos, poderá ser importante. Desde logo pela experiência acumulada no Governo de Portugal e como Presidente da Câmara de Penela. Tenho a minha profissão que quero continuar a exercer, mas esta é também uma forma de poder ajudar o meu concelho. Sinto esse apelo cívico. Para isso, há duas razões principais, uma de cariz nacional e outra de cariz local. Todas as pessoas dizem que é crítico que a política consiga atrair os melhores, mas depois fazemos pouco para isso. Por essa razão, os partidos políticos tradicionais foram ficando mais fracos e exauridos de quadros, sobretudo a nível distrital e local, circunstância que de forma continuada ao longo da última década, provocou uma crescente insatisfação das pessoas, um crescimento das críticas aos políticos e, nos últimos anos, o aparecimento de novas plataformas e partidos políticos que põem em causa o Estado Social, tal como o conhecemos em Portugal e na União Europeia, o que é um caminho perigoso. Acredito que a mudança se faz a partir das comunidades locais. Portanto, essa é a primeira razão. A segunda tem a ver com o estado de letargia que se vive na Câmara Municipal de Penela. Há uma incapacidade de liderar uma mensagem positiva, que saiba unir, muitas dificuldades em tomar decisões, o que vai custar caro aos penelenses a médio prazo. Julgo que é a partir da organização e da dinâmica do PSD local que se conseguirá criar uma alternativa credível para evitar que continuemos a andar para trás.

TS – E como vai conseguir reerguer o PSD Penela, afectado pelo desaire eleitoral de 2021?

PJ – Em 2021, os penelenses decidiram mudar, o que temos de respeitar. Mas também temos de reflectir sobre as razões. Havia muitas pessoas descontentes porque a política de proximidade deixou de ser feita com a mesma eficiência. Ser presidente de Câmara é muito exigente e depois de uma maioria absoluta “à antiga” conquistada nas eleições de 2017, julgo que existiu um excesso de confiança, apesar do anterior executivo ter deixado um conjunto muito importante de projectos em carteira, muitos deles com financiamentos garantidos ou, pelo menos, orientados politicamente. A narrativa de que o PSD governava há mais de 40 anos e que era preciso mudar cristalizou e isso cruzado com a pouca presença política dos eleitos fez o resto. Além disso, houve incapacidade política de “desfazer” essa mensagem. O PSD, na última década, foi desaparecendo e esse é o maior erro que aponto. Não se pode confundir o PSD com a Câmara, mesmo em concelhos pequenos como Penela. É essa identidade que tem de ser resgatada, com proximidade e com o rasgo de ambicionar construir um programa com os penelenses. É preciso voltar a ouvi-los e dar-lhes voz, unindo as pessoas em torno de uma ambição maior, tal como já tivemos no passado. Voltando à narrativa dos 40 anos de governo do PSD, deixo um dado factual. O Índice de Poder de Compra de Penela passou de 24% em 1993, no ranking dos 308 municípios estávamos na posição n.º 256, para 77,5%, em 2021, à frente de Alvaiázere, Ansião, Figueiró dos Vinhos, Pedrogão Grande, Soure, Arganil, Miranda do Corvo, Tábua, Sertã, Proença-a-Nova, enfim à frente da grande maioria dos territórios similares em dimensão e características. Em 2021, dados do Pordata, Penela ocupa o lugar n.º 164 de Portugal. Isto não é narrativa eleitoralista, é um facto. Se associarmos a este facto, outros dados e projectos em que somos únicos, como termos várias  empresas de referência nacional nos seus sectores, termos um Habitat, HIESE, com dezenas de empresas, ligado à Universidade de Coimbra, através do Instituto Pedro Nunes, que é só uma das melhores incubadoras de empresas do mundo, não há razões para ser pessimistas, desde que voltemos a ter uma visão de desenvolvimento a sério e uma equipa política competente.

TS – Que realidade tem encontrado no terreno?

PJ – Os penelenses sentem-se desiludidos, mas também sentem que é preciso haver uma alternativa e que o PSD se tem de organizar e criar uma dinâmica nova. Aliás, isso é crítico para a “boa” democracia, existir oposição construtiva, atenta e que crie alternativas, de modo a que o povo possa escolher. O PSD tem de saber assumir os erros do passado recente, mas tem também de saber expor o orgulho de ter ajudado a transformar o concelho de Penela. Agora, é preciso olhar para o futuro e dar uma nova esperança aos penelenses porque, hoje, a mensagem proveniente da Câmara é pessimista e desarticulada.

TS – E que avaliação faz do mandato do PS na Câmara?

PJ – A avaliação tem de ser feita em 2025 pelos penelenses. No entanto, há várias insuficiências, desde logo na incapacidade de existir um discurso optimista que atraia pessoas, que motive empresários, que estimule os dirigentes das nossas associações a fazer mais, que trabalhe em conjunto com os presidentes de junta de freguesia, aproveitando o potencial que temos. Por outro lado, avaliamos uma incapacidade enorme de tomar decisões e de fazer acontecer. Existe um sentimento de desilusão de uma grande parte das pessoas e identifica-se uma forma de governar sem uma visão integrada.

TS – Que linhas de acção vai propor para o mandato à frente da Concelhia?

PJ – Vou propor, desde logo, voltar a juntar todas as pessoas à volta de um projecto com ambição e que consiga devolver a auto-estima aos penelenses. Como já existiu no passado. Queremos chamar pessoas novas para a Comissão Política para preparar o futuro. Queremos ouvir os empresários, as associações, os professores, as instituições sociais, queremos ir a todas as freguesias e à maioria das aldeias, para ouvir pessoas e, com isso, construir um programa com ideias novas. No final deste ano, estaremos preparados para motivar pessoas a serem candidatos às eleições autárquicas de 2025. Portanto, o que o PSD Penela vai fazer é unir em vez de separar, ouvir muito, chamar os melhores para participarem activamente, sem receio porque não pode haver medo, em fazer mais pelas nossas terras. Vamos querer, em simultâneo, formar os mais jovens sobre o que é o poder local, como funciona, como se deve construir um plano de desenvolvimento, sublinhando que a política tem de ter princípios e ética.

TS – Admite ser o candidato do PSD à Câmara em 2025?

PJ – Não serei candidato à Câmara Municipal de Penela. Já fui presidente de Câmara e fiz parte de um Governo de Portugal, mas a política para mim é o chamamento cívico. O que sinto é que devo participar e liderar o início de um movimento novo, alargado a todas as pessoas que queiram envolver-se no desenvolvimento  do concelho. A minha missão, agora, é organizar as estruturas do PSD, dinamizá-las, formar uma equipa de trabalho para construir um programa de ideias novas para os próximos 10 anos, e para motivar novas pessoas, competentes, sérias, militantes e independentes, com provas dadas nas suas vidas profissionais, a serem candidatos nas eleições de 2025. Queremos uma renovação, contando com os mais velhos também e com os que já deram muito, mas sobretudo queremos constituir uma alternativa renovada, optimista e que volte a devolver a esperança aos penelenses. E se me perguntar se eu acredito que ganharemos as eleições em 2025, a resposta é sim, acredito porque o concelho de Penela não pode perder mais quatro anos e porque as pessoas querem sempre o melhor para as suas terras.

LUÍS CARLOS MELO

[ENTREVISTA PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPRESSA]


  • Director: Lino Vinhal
  • Director-Adjunto: Luís Carlos Melo

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