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Condeixa: Clube Condeixa perdeu antigo campo de jogos

4 de Maio 2024

O Clube Condeixa (CC) perdeu mesmo o “velhinho” Campo de Jogos José Cândido Sotto Mayor Matoso, na zona dos Silvais, depois de um litígio com a família Sotto Mayor que chegou à via judicial.

Em comunicado, o centenário clube informa que foi “obrigado a entregar voluntariamente” o terreno à família. Um contraditório jogo de palavras que se resume a uma desistência de arrastar o caso nos tribunais, com os inerentes elevados custos financeiros que o processo acarretava.

Como foi público e o TERRAS DE SICÓ noticiou há dois anos, a família Sotto Mayor reclamava a devolução do terreno, que afirmava ter sido apenas emprestado, mas a direcção do clube tinha outra interpretação, queria manter o campo na posse do clube e não cedeu inicialmente àquelas pretensões.

Foi já no longínquo ano de 1967 que Maria Elsa Franco Sotto Mayor Matoso e o marido, José Francisco Correia Matoso, proprietários de uma vasta área de terreno naquela zona, celebram com o CC, representado pelo então presidente da direcção Herculano Quintela Henriques, um contrato de comodato através do qual emprestaram à colectividade uma parcela de pouco mais de oito mil metros quadrados, destinada “exclusivamente à prática, ao ar livre, dos desportos, designadamente do futebol”.

Ali o clube, fundado no ano de 1900, construiu um campo que durante mais quatro décadas recebeu centenas e centenas de jogos de futebol de diversos escalões etários, além de outras modalidades, como o atletismo.

Todavia, em 2011 é inaugurado o estádio municipal e o CC vai mudando jogos e treinos para o novo equipamento, deixando desocupado e depois abandonado o antigo campo, para o qual, registe-se, chegou a estar prometida uma grande obra de requalificação que lhe desse vida novamente.

Com o espaço desprezado, em 2019, cinco filhas e herdeiras de Maria Elsa e José Matoso decidem denunciar o referido contrato de comodato, que estabelecia que para tal bastava “avisar a associação comodatária [clube] (…) com a antecedência mínima de sessenta dias”.

Porém, a direcção liderada por Sérgio Fonseca recusou-se a entregar o campo e as Sotto Mayor avançam para a via judicial reclamando a devolução do que afirmavam ser seu, por partilha, após o falecimento dos pais.

O CC argumentava que, no início da década de 1970, o campo de jogos fora cedido ao clube através de “doação não titulada benemérita” e que apenas o “volver do tempo e a ausência física regular” em Condeixa de Maria Elsa e José Matoso não permitiu realizar a “cedência formal de propriedade”.

O assunto arrastou-se nos tribunais durante cerca de quatro anos. Até agora.

“Por parte da Direcção, tudo foi feito para que o Campo de Jogos permanecesse no Clube Condeixa, mas a intransigência da família Sotto Mayor e a falta de mobilização e convergência de vontades, ditou este desfecho”, afirma a colectividade no mesmo comunicado, lamentando o “encerramento de uma ligação histórica (…) local onde muitas gerações de atletas e condeixenses viveram momentos muito felizes”.

A braços com um elevado passivo, outros processos em tribunal por dívidas e reduzido à modalidade de futebol, os responsáveis do emblema condeixense dizem que a perda é “uma notícia triste”, tanto mais que vai impossibilitar “a concretização do sonho antigo de ter um complexo desportivo de referência na nossa região e até mesmo a nível nacional”.

LUÍS CARLOS MELO

[NOTÍCIA DA EDIJÇÃO IMPRESSA]


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