18 de Abril de 2024 | Quinzenário Regional | Diário Online
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PAULO JÚLIO

Pensem nos Portugueses!

15 de Março 2024

A democracia tem esta boa particularidade. Quem manda é o povo, não são os comentadores ou outros influenciadores de opinião. No domingo, os portugueses responderam ao apelo de todos os actores políticos e disseram presente. Votaram mais de seis milhões de pessoas, o que já não acontecia há várias dezenas de anos. Foi um verdadeiro dia de democracia em que cada um dos portugueses quis contribuir com o seu voto, exercendo o seu dever cívico.

O grande vencedor da noite foi o Chega, quer gostemos ou não. Mais de um milhão de portugueses votou neste partido que existe há meia dúzia de anos e que se apresentará com quase 50 deputados na Assembleia da República. Não vale a pena o “sistema” continuar a comportar-se como se “eles” não existissem porque além de existirem, são mesmo muitos. Além disso, a ideia que vejo passar em muitos comentadores políticos de que é um voto desinformado, revela que há muita gente que não aprendeu nada com o que se passou.

Não concordo com a teoria de que se trata de um partido de extrema-direita. É verdade que tem algumas ideias extremistas que abomino, mas a sua implantação mostra que  os seus eleitores do passado dia 10 de Março são cidadãos que já votaram PCP, PS , PSD, CDS ou que votaram pela primeira vez ou ainda que votaram depois de muitos anos de afastamento deste exercício cívico. No nosso conhecimento político, não consta que o Alentejo seja um território de direita. Não é, nem nunca foi.

Dito isto, agora, teremos uma minoria parlamentar liderada pela AD que não se conseguiu destacar nem do PS nem dos resultados das últimas legislativas. É uma minoria para governar com respeito pelos demais partidos, mas com a convicção de que é preciso mudar Portugal. Pede-se a todos os líderes que tenham responsabilidade nomeadamente nos próximos actos de aprovação de orçamento, sobretudo aos partidos com maior representação parlamentar onde agora se inclui o Chega, juntando-se ao PS. Claro que têm de fazer oposição, mas oposição não é política de terra queimada para prejudicar os portugueses. O respeito democrático tem duas vias e eu, sinceramente, espero que o PS esteja à altura dos seus pergaminhos e da sua história, assim como espero que André Ventura perceba que representar mais de um milhão de Portugueses o obrigam a deixar de ser a “oposição dos pequenitos”. Aqueles tantos portugueses quiseram dar-lhe força, mas não necessariamente que ele fizesse parte de algum governo, como ele pretende.

Em democracia, quem ganha tem toda a legitimidade de escolher o seu governo para executar um programa que deverá ser modelado face ao espectro político que os Portugueses escolheram. A humildade tem sempre duas vias ou ficará sozinha no caminho da bondade. A humildade da AD deve ser a de ouvir todos os partidos, interpretar as suas ideias estruturais e intersecta-las com os seus princípios e valores, que jamais deverão ser adulterados. Eu interpreto “não é não” para formar um governo seja em que circunstância for. Perante os resultados que temos, a AD não pode deixar de ouvir todos, incluindo o Chega. O PSD deve ter humildade para acolher algumas das ideias do Chega e do PS para que o Orçamento passe, mas o Chega tem de ter humildade para perceber que não tem mandato para fazer parte de qualquer governo. O PS já foi claro a dizer que não quer fazer parte de nenhuma solução governativa.

Os Portugueses, com a excepção de alguns “tiffosi” dos partidos políticos, exigem que haja responsabilidade para não cairmos num pântano que prejudicará a economia e, por consequência, todos os que desejam que Portugal tenha capacidade para atrair os seus mais jovens, que seja capaz de organizar os seus serviços de cariz social, como a educação, saúde e segurança e que, finalmente, consiga crescer bem acima da média europeia.

Os portugueses deram um sinal ao País político: é preciso colocar os nossos interesses à frente de quaisquer interesses mais partidários e mais pessoais, tenham coragem para mudar e ajam mais depressa. Arrisco até a dizer, que quiseram dizer, estudem melhor os dossiers, façam mais e gastem menos tempo em representação política que vos dispersa. Espero que cada um dos líderes dos maiores partidos interpretem bem a mensagem e cuidem mais do nosso futuro do que do seu próprio futuro.

Terminando e fazendo uma aproximação ao território do Sicó, apesar do resultado nacional equilibrado, o PS e o PSD/CDS ganharam nos concelhos onde se esperava, independentemente de quem está nas Câmaras Municipais. Em Alvaiázere, Ansião, Penela e Pombal, a AD ficou à frente, em Soure e Condeixa, a tradição também se manteve, com o PS a liderar. Não há que interpretar ou extrapolar em nenhum dos casos, mas a matriz do território não mudou, apenas é mais crítica, o que é um excelente sinal quando estamos a passar pelos 50 anos do 25 de Abril. E numa democracia madura exige-se sempre saber ganhar e saber perder, assumindo responsabilidades, com a mesma humildade. Quem não percebe isto, tem de procurar saber um pouco mais da história política de Portugal e do Mundo.


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