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iolanda, de Pombal (sim, de Pombal!) para o grande palco da Eurovisão

17 de Março 2024

Nasceu na Figueira da Foz, é certo, mas foi no concelho de Pombal, mais concretamente na freguesia do Louriçal, que viveu a maior parte da sua vida, até aos 17 anos, altura em que se mudou de malas e bagagens para Lisboa, onde começou a actuar em bares e em concursos de talentos nacionais. No fundo, onde começou a concretizar os sonhos de menina. Já lá vamos. Anos mais tarde voou até Londres, onde estudou na BIMM Music Institute. Falamos da mais recente vencedora do Festival da Canção 2024, iolanda, assim mesmo, com i minúsculo. A jovem vai representar Portugal, com “Grito”, no Festival Eurovisão da Canção, em Maio, na Suécia.

A ligação da jovem pombalense ao mundo da música não é nova, aliás, pode até dizer-se que lhe está nos genes, como conta a sua mãe, Alexandra Varalonga, ao TERRAS DE SICÓ. “Apesar de nenhum membro da família ter tido um percurso profissional no mundo da música, há uma ligação muito grande a este meio”. Para demonstrar isso mesmo, temos de recuar no tempo. Aterramos em 1921, “o meu bisavô era segundo sargento de música, na tropa: tocava clarinete, o bisavô paterno da iolanda também foi músico”, e imagine-se só, até os pais da cantora se conheceram nestes meandros: “já nos conhecíamos do colégio, mas foi na Filarmónica do Louriçal que nos aproximámos, ele tocava trompete e bombo”, recorda Alexandra.

Mais tarde o casal ingressou no grupo de Cavaquinhos do Louriçal, sempre com a filha iolanda a assistir aos ensaios e espectáculos em que iam participando. Até que, “e de forma muito natural”, também a ‘pequena’ começou a interessar-se pelo cavaquinho, a participar dos ensaios e a actuar com o grupo. Paralelamente “também aprendeu a tocar guitarra, saxofone e piano”.

Lutadora e persistente

Ainda sobre a passagem pelos Cavaquinhos do Louriçal, Cristina Diniz, responsável pelo grupo, admite só ter “coisas boas para contar sobre ela: sempre foi uma menina muito afável e espevitada”, e assegura que a jovem sempre “foi muito dotada para a música e com uma enorme sensibilidade musical”. Com intensas ligações à família, Cristiana Diniz, revela que a artista pombalense “pode ir muito longe” na carreira e “fazer coisas extraordinárias”, até porque “é das pessoas mais lutadoras e persistentes que conheço”, felicita.

“Tenho gravações da iolanda, com quatro anos, a cantar”, conta a mãe visivelmente emocionada: “ficava fascinada: ela era tão pequenina e já pronunciava todas as palavras de forma tão límpida”. Aliás, a cumplicidade entre mãe e filha torna-se ainda mais visível quando Alexandra Varalonga conta que “depois da escola, quando chegávamos a casa, tínhamos o hábito de fazer sessões de karaoke, mesmo antes de realizar os trabalhos de casa. Era a nossa brincadeira preferida”, revela, enquanto explica que “também eu tive uma banda, quando era mais nova, o pai também sempre gostou muito de cantar e até a irmã mais nova, a Cristiana, tem projectos ligados à música”.

Da família, “teve sempre todo o apoio possível, aliás sempre lhe aguçamos o gosto pela música” e mesmo quando decidiu viajar para o Reino Unido, “foi uma decisão que apoiamos”, até porque “mesmo que não nos agradasse a ideia, ela teria ido na mesma, porque é uma menina muito persistente, sempre foi muito lutadora e sempre soube perceber qual seria o melhor caminho para ela”. Por lá “estudava e trabalhava ao mesmo tempo”, e mesmo que “os obstáculos tenham sido grandes, no final tudo vale a pena”, como diria o poeta.

E por falar em dificuldades, Alexandra dá conta de que a jovem de 29 anos “passou por vários concursos, em várias estações televisivas, onde não obteve grandes resultados, porque tinha de ser assim e ainda porque não tinha chegado o seu momento”. E mesmo que o percurso “não tenha sido fácil, porque não foi”, nunca “permitimos que desistisse dos seus sonhos”.

“Os astros estavam alinhados”

Chegado o grande dia, “acordei um bocadinho ansiosa, mas para dizer a verdade essa ansiedade foi-se dissipando com o passar das horas”, e no momento em que a “iolanda subiu ao palco senti uma enorme paz interior, uma sensação de que os astros estavam alinhados, e mesmo que não fosse ela a vencedora, já era um orgulho enorme vê-la pisar aquele palco, senti-la a realizar um dos seus maiores sonhos de infância”. Venceu.

Por estes dias, vive “numa sensação de felicidade extrema”, garante Alexandra Varalonga. Ela e “centenas de amigos e conhecidos”, que recorrem às redes sociais para enviar mensagens de apoio e de orgulho. “É muito bom sentir este carinho, e saber que há tanta gente que gosta de nós, da nossa família, da iolanda”.

Sem tempo para responder às questões do TERRAS DE SICÓ, iolanda deu, esta semana, uma entrevista ao Fórum Estudante, onde dá conta de que está “muito feliz e grata” por ter sido a escolhida para representar Portugal em Malmö (Suécia). É lá, na grande montra da Eurovisão, que espera “fazer o meu país chegar longe com tudo aquilo que posso entregar”.

Diz-se “sem grandes palavras” para descrever o momento e que ainda não lhe “caiu a ficha”. “Só consigo estar feliz e plena com tudo o que está a acontecer”, afirma. É aproveitar, iolanda!

ANA LAURA DUARTE

[NOTÍCIA DA EDIÇÃO IMPRESSA]


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