22 de Julho de 2024 | Quinzenário Regional | Diário Online
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PAULO JÚLIO

A marca HIESE

19 de Janeiro 2024

Um País faz-se a partir do nível local. Alguns dizem que se faz a partir do governo central, mas eu penso o contrário. Claro que quando o governo central não traça a estratégia correcta e não sabe antecipar problemas, inevitavelmente, os problemas espalham-se sem fronteiras locais ou regionais. Todos dizem o mesmo: é preciso reter talento, os mais jovens, desde logo, mas o facto é que, segundo as estatísticas, somos o país da União Europeia com mais emigração jovem. Como inverter esta tendência? Os jovens estrangeiros que cá estão são pagos por empresas de capital estrangeiro e também têm benefícios fiscais. Um país sem jovens perde em todas as frentes, desde logo no seu futuro. E, quando se perde o futuro, perde-se (quase) tudo.

A estratégia para inverter isto tem de envolver várias áreas, desde a económica e fiscal, passando pela educação e habitação. Ninguém tem nenhuma varinha mágica, mas o que é facto é que este problema não tem políticas concertadas. No mínimo, sendo um tema estratégico deveria haver um Ministério com poder político que (só) tratasse disto, que tivesse um plano e que o colocasse em marcha, sabendo que os resultados virão a médio prazo, talvez, em duas legislaturas completas. A ideia do governo que agora se despede foi tornar Ministério (quase tudo) – Ministério da Habitação, Ministério da Coesão, na lógica do poder ministerial poder ser mais forte, mas obrigando a integrais difíceis de gerir, uma vez que são temas transversais e que intersectam com vários outros ministérios. Se há alguma coisa que deveria mudar na área de governação deveria ser a orgânica e o foco em objectivos estratégicos mais importantes. Ter muitos ministros, não é bom para o funcionamento de uma organização.

Voltando ao local. Foi inaugurada a 2.ª fase do HIESE em Penela, cuja gestão é realizada pelo Instituto Pedro Nunes em parceria com o Município. O “fora da caixa” de há 15 anos, significa, no que toca aos objectivos de base, uma realidade que outros municípios gostariam de ter. Mais de 70 projectos, mais de 50 empresas, mais de 100 pessoas directas a trabalhar a que, por estatística, corresponderão mais 250 postos de trabalho criados indirectamente. Postos de trabalho qualificados que criaram uma nova rede de contactos que acrescenta valor. Continuar o trabalho do lado do município de Penela implica compreender primeiro esta realidade e, depois, voltar a ousar. O HIESE deve ser uma marca diferenciadora de Penela. Uma marca que ajude a atrair agentes económicos e a fixar jovens qualificados. Uma marca estratégica que deve ser desenvolvida porque é um factor (importante) que diferencia o território pela positiva. Um território rural, pequeno (sim!), criativo, inovador e que sabe criar redes regionais, nacionais e internacionais. Penela tem a sorte de ter ali uma ferramenta de desenvolvimento que pode verdadeiramente ser a sua distinção, aproveitando o seu património natural, histórico e medieval, e, mais importante ainda, aproveitando que agora tudo é mais óbvio para todos os Penelenses. Tudo isso se fará, se houver rasgo, capacidade de risco, optimismo e confiança nas pessoas, ao invés de se andar sempre a olhar para trás. É esta solidez e visão que os Penelenses precisam de ter no seu governo local.

 


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