27 de Fevereiro de 2024 | Quinzenário Regional | Diário Online
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PAULO JÚLIO

Querido Pai Natal

15 de Dezembro 2023

A Guerra que a Rússia trouxe para a Ucrânia continua, apesar de parecer estar mais distante de todos nós. A inflação só agora começa a dar tréguas, as taxas de juro dos créditos continuam altas, os portugueses têm menos dinheiro e rebentou outro conflito no Médio Oriente. O governo de maioria absoluta demitiu-se por causa de umas “influências” de uns negócios de Lítio e de um Centro de Dados lá para os lados do Alentejo litoral. As contas públicas têm um excedente orçamental e vamos para eleições outra vez. Em 2024, vai ser em Março para a Assembleia da República e em Junho para o Parlamento Europeu que é, cada vez mais, quem coloca as regras nisto. Em 2025, temos as autárquicas e como o tempo passa depressa, em 2026, além das presidenciais, provavelmente haverá mais legislativas porque o quadro político que teremos não dará para muito mais. Dizem que é a democracia a funcionar.

Aqui na região, apesar de tudo, Coimbra consegue fixar mais jovens em áreas tecnológicas. Diria que o grande desafio da região é ter capacidade de atrair mais empresas de serviços de consultoria que podem ter bases regionais mais económicas e a fazerem o mesmo que fazem na capital, mesmo sem comboios com preços competitivos. Não é só viver em Lisboa que é impossível, ir a Lisboa e voltar (aqui da região) custa mais de 50€, entre combustível e portagens, mas se formos de comboio, custa o mesmo. É a CP pública onde nos fartamos de pôr dinheiro a funcionar, quando não está de greve. Contudo, em Portugal, há coisas que funcionam bem, apesar dos serviços públicos de saúde nunca terem funcionado tão mal. Refiro-me à qualidade da rede de autocarros entre cidades portuguesas, em que várias empresas privadas concorrem e se destacam pela regularidade e competitividade.

Na educação, os resultados do inquérito PISA mostram-nos que voltámos a descer a ladeira do conhecimento. É o que dá quando a disciplina e a avaliação dos nossos jovens são substituídas ou tomadas por uns teóricos das “oportunidades” que, no final, só provocam mais desigualdades. Ser professor no nosso país, não é nada fácil. Tenho pena que nesta era de PRR´s , não consigamos mais investimento na indústria. Sempre me ensinaram que é a indústria e a agricultura que criam valor. O “país do turismo” lá vai andando e, apesar dos aumentos de custos colaterais que todos sentimos, ainda bem porque é uma oportunidade de emprego para muitos e de desenvolvimento para outros. O único problema é que não pode ser a única estrela da economia. E, nessa parte, vamos falhando, numa altura em que os empresários estão mais preparados. A carga fiscal retira audácia, os custos financeiros são um garrote e a burocracia mantém a molenga. É Portugal.

Vamos fechar o ano de 2023, dizem, com o governo em gestão, como quem diz, sem poder tomar grandes decisões. Eu acho que tem sido assim nos últimos anos e talvez por isso não lhe ache diferenças. Entretanto, saiu o estudo da comissão mais técnica e mais independente que já tivemos, sobre a localização do novo aeroporto que andamos a discutir há décadas. Vamos ver se agora conseguem resolver porque vamos precisar de um novo aeroporto, que até pode ser um mecanismo com alguma ambição económica para o futuro de Portugal. A nossa visão sempre foi toldada por um certo comodismo e por muita discussão teórica que sempre nos serve de biombo da nossa pouca capacidade de decisão.

Para 2024, desejamos só saúde e paciência para cada um enfrentar os desafios da sua própria vida. Para ajudar a mudar o que está mais perto, onde moramos, onde trabalhamos, com os que lidamos todos os dias. Não é uma tarefa pequena, mas é um bom desafio, mesmo que o Governo seja só de “gestão”. Para os filhos dos portugueses da minha idade, que começam agora a trabalhar, desejo que olhem para o Vosso País com a ambição de que também podem mudar isto. Desejo que haja políticas sérias para que possam ter a Vossa própria casa, porque isso Vos trará mais maturidade e mais vontade de fazer coisas. Precisamos todos de fazer coisas em Portugal e olhar menos para a “gestão” dos governos. Para os pais dos Portugueses da minha idade, desejo que compreendam alguma impaciência que possa existir nos Vossos filhos. Está tudo mais difícil, como normalmente lhes dizem. No entanto, mantenham-se firmes porque isto vai melhorar.

Querido Pai Natal, traz-nos um 2024 sem grandes surpresas e que os Homens se possam entender. O Mundo precisa disso. Portugal também. Mas como lá para Maio, o governo sairá de gestão, estamos todos muito mais descansados. Sabes, Pai Natal, sem ironia, Portugal nunca seria o mesmo.

 


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