20 de Junho de 2024 | Quinzenário Regional | Diário Online
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PAULO JÚLIO

Como resolver esta encruzilhada?

30 de Novembro 2023

Como se resolve Portugal? Ter as contas públicas certas é curto, quando há cerca de dois milhões de pessoas em risco de pobreza, quando temos uma economia que, a cada ano que passa, perde lugares face aos congéneres da União Europeia, rumo à cauda da Europa, quando a carga fiscal em valor absoluto é a maior da democracia, quando a educação não consegue atrair professores e vive numa crise de confiança e de valores, e quando o Serviço Nacional de Saúde possui problemas estruturantes e tem os piores indicadores da última década. Se juntarmos a isto, um edifício judiciário em que o  Ministério Público desconfia da Polícia Judiciária, e não há pingo de respeito pelo segredo de justiça, queimando na praça pública pessoas que, mais tarde, são absolvidas no silêncio e na discrição do seu recato individual, o diagnóstico não é nada famoso. Se ainda juntarmos uma crise política provocada pela demissão do Governo que, por sua vez, foi provocada por mais um caso a envolver os mais próximos do ciclo do Primeiro-Ministro, é caso para dizer que não é desafio pequeno governar Portugal.

Precisamos de ser inspirados, precisamos de um governo que seja sério e que queira mudar. Portugal precisa de um governo que tenha uma missão e que governe a sério, a pensar no futuro de Portugal, com pessoas dedicadas e com capacidade  de execução, para além da teoria de um programa de governo que se pretende ambicioso. O PS está a escolher um novo líder, mas é bom recordar que governaram oito anos para isto. Não foram oito meses, foram oito anos de governação em que, em metade dos quais, a economia mundial crescia fortemente. Foram governos com recorde de número de ministros e secretários de estado que, no final, se limitaram a fazer gestão corrente, maltratando serviços públicos, lançando dinheiro para cima dos problemas, sem resultado.

Todos nós temos, agora, alguns meses para conhecer melhor as alternativas e os modelos porque é crítico mudar. O PSD tem uma missão enorme a realizar por Portugal – afirmar-se como alternativa, consolidando a sua liderança do espaço do centro-direita. O PSD tem em mãos um dos seus principais desafios – demonstrar aos portugueses que é a única mudança possível. Para isso, é preciso explicar como, explicar quais são as acções estratégicas, quais são as medidas de curto-prazo e as medidas que terão impacto a cinco e 10 anos, e apresentar uma equipa que transmita confiança.

Sabemos que, na história da democracia portuguesa, sempre se exigiu mais ao PSD e sempre se perdoou menos os seus erros. Somos um País que tem quase dois milhões de pessoas no limiar da pobreza, portanto, com um perfil de formação baixo, para além de um Estado pesado e burocrático. O desafio político é enorme. Acredito que Luís Montenegro saberá surpreender e liderar um novo governo com ambição de olhar para o futuro.

A mais de três meses de eleições, o que cada um de nós deve fazer é ouvir e tentar esclarecer-se, porque o ruído vai ser grande, nomeadamente, nas múltiplas tentativas de alguns assobiarem para o lado, como se já não governassem há muitos anos, apesar de terem o poder há quase uma década.


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