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PAULO JÚLIO

A nossa sina!

17 de Novembro 2023

O regime não está bem. Paradoxalmente, 50 anos após o 25 de Abril de 1974, os portugueses são, outra vez, humilhados internacionalmente por razões políticas e os seus eventuais problemas com a justiça portuguesa. Os jornais internacionais fizeram referência à queda do governo português por alegados casos de corrupção. Uma vergonha que todos os portugueses não mereciam. Os portugueses não mereciam e o Juiz de Instrução não concordou porque, segundo o que sabemos, concluiu que o Ministério Público foi demasiado longe nas suspeitas, porque o caso trata tão somente de tráfico de influências. Não é pouco, aliás é grave, mas realmente não será a mesma coisa, apesar do aparato do costume e das fugas de informação para a praça pública, de forma orquestrada e sem nenhuma palavra do próprio Ministério Público. O problema disto é que o governo que os portugueses elegeram com maioria absoluta, por várias razões, mas onde pontificou o seu desejo de estabilidade, caiu de repente, com a demissão do seu Primeiro Ministro. É grave e, agora, resta fazer a ponderação, analisar o que realmente pode ser corrigido e ir para novas eleições legislativas que, temo, podem ter uma regularidade indesejável, em função da instabilidade política que tem muita probabilidade de ser gerada.

Portugal está perante duas décadas de desastre político. Foi o pântano de Guterres, foi a crise das dívidas soberanas, foi a chamada da Troika, o escândalo do BES, a prisão de um ex-Primeiro Ministro do PS, a geringonça do Dr. António Costa que, numa lógica de poder, fez retroceder Portugal, adormecendo o investimento, o que, acompanhado por uma economia mundial em crescimento, ajudou a conter as contas públicas. Isto, não raras vezes, embalado pelo Presidente da República que no seu primeiro mandato se deixou encantar pela retórica dos optimistas. Portugal encaminha-se para a cauda da Europa, tem mais de dois milhões de pessoas que vivem no limiar da pobreza e vivem de prestações sociais do Estado, tem um sistema educativo em convulsão, um sistema de saúde caótico, empresas tornadas públicas como a TAP ou a EFACEC, onde se enterraram milhares de milhões de Euros, tudo enquadrado com a maior carga fiscal da história da democracia portuguesa. Mas, também, tudo embrulhado numa retórica que, de tantas vezes repetida, é interiorizada pelos portugueses como verdade. Temos um Estado débil e parcialmente partidarizado pelo Partido que tem dezenas de anos de poder, interrompidos por um período de governação condicionado pela presença de instituições internacionais, porque Portugal se tinha aproximado da bancarrota. No entanto, apesar de tudo, ainda nos perguntamos se não poderemos ficar ainda pior. É neste embalo medíocre e sempre pardacento que o Partido Socialista vai escolher o seu novo Secretário-Geral que, entre várias outras coisas, imitará o anterior na célebre frase “à justiça o que é da justiça, à política o que é da política”, assobiando para o ar, não se preocupando em legislar sobre a actividade de “lobby” e fazer cumprir regulamentos de anti-corrupção com aderência à realidade.

Na corrida dentro do PS, José Luís Carneiro está do lado dos moderados, após um mandato exemplar como Ministro da Administração Interna. Foi Presidente da Câmara Municipal de Baião, é discreto quanto baste e conhece bem o seu Partido. É menos mediático do que Pedro Nuno Santos que está do lado esquerdo do PS, diria mesmo, com perigosa proximidade ao Bloco de Esquerda. Pedro Nuno Santos acha que o Estado é solução para tudo. Disse, há alguns anos, que os alemães até tremeriam se não pagássemos a nossa dívida e possui aquela matriz de, quando lhe dá jeito, jogar com as palavras e com as percepções. Exemplo: há dias, teve coragem de dizer que foi no tempo do governo de Passos Coelho que a dívida pública subiu mais, esquecendo-se do facto (menor) que a chamada da Troika pelo seu PS tinha como contrapartida um (necessário) empréstimo de 78 mil Milhões de Euros, ao tempo, quase 50% do PIB português. Depois da contenda interna, caminharemos para as eleições onde, ao que parece, PS e PSD ficarão muito próximos e o Chega subirá vertiginosamente, segundo as mais recentes sondagens. Sempre disse que o Chega está para o PSD como o Bloco de Esquerda para o PS. Não comem crianças, mas condicionam políticas que a maioria dos portugueses não estão de acordo.

Portugal precisa de uma mudança porque batemos no fundo. Se enquanto povo não conseguirmos vislumbrar isto, passaremos mais alguns anos a penar, a fazer mais ou menos, a adiar reformas estruturantes e a continuar a eleger “políticos” que falam bem, apesar de serem uns trapalhões. Há tanta coisa para fazer que, realmente, os portugueses vão escolher entre voltar a escolher um governo estável ou um novo ciclo de instabilidade política. Em qualquer caso, se não for para mudar, qualquer caminho servirá. Como disse o Pedro Nuno Santos, há alguns anos atrás, quando já era deputado do PS, “ponham-se finos”…


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