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Rock reacende chama romana em Condeixa-a-Velha a 8 e 9 de Setembro

2 de Setembro 2023

Que os romanos deixaram uma marca indelével em Condeixa, não há margem para dúvidas. As Ruínas de Conímbriga até podem ser o exemplo mais visível desses tempos remotos. As marcas de uma civilização ancestral estão espalhados um pouco por cada canto do território, mas há, por ali, quem queira atear a chama da romanização. Falamos de um grupo de amigos que se juntou e resolveu dar música à população, num projecto que arrancou em 2018, manteve-se em 2019, teve uma paragem forçada de dois anos devido às condições impostas pela pandemia, regressou em 2022, com um novo formato e prepara-se este ano para consolidar o conceito. Eis o Rock dos Romanos!

O festival prepara a sua quarta edição, num evento que se realiza a 8 e 9 de Setembro, e promete atrair milhares de visitantes à aldeia de Condeixa-a-Velha. A oferta cultural é variada e “pretende misturar vários géneros de rock e do heavy metal”, num conceito “único a nível nacional”, realça André Costa, da organização.

Do cartaz destacam-se bandas como Bizarra Locomotiva, Fast Eddie Nelson, Analepsy, T. Perry and the Bombers, ou Cobra ao Pescoço, mas há muito mais para ver e ouvir. No total são 14 bandas, distribuídas por dois dias de grande animação e convívio.

Mas voltemos atrás no tempo… não à época dos romanos, mas ao ano de 2016, ou 17, quando um grupo de amigos, “totalmente apaixonados pelas sonoridades musicais do rock”, dentro dos mais variados subgéneros, que aparentemente gostavam de se encaminhar pelos meandros dos festivais e concertos e que queria mais… Queria “trazer até ao distrito de Coimbra o que de melhor se faz no rock e no metal a nível nacional”, queria ter oportunidade de usufruir de momentos de convívio na sua terra natal e queria, acima de tudo, partilhar esses momentos com os conterrâneos, num espaço aberto e em contacto com a natureza. A ideia foi amadurecendo, até que em 2018 surgiu a primeira edição do festival. A segunda edição foi novamente um sucesso, mas chegou 2020 e com ele a pandemia e o forçado interregno.

Orçamento participativo

“Durante esses dois anos tivemos que parar, mas nem tudo foi mau”, assegura o responsável, enquanto explica que “tivemos muito tempo para pensar o rumo que queríamos seguir, amadurecer ideias e preparar o futuro”. Pelo meio, foi criada a Associação Rock dos Romanos Cultural e com ela surgiu a oportunidade de submeter uma candidatura ao Orçamento Participativo de Condeixa, que lhes valeu, em 2021, um prémio de 50.000 euros.

Segundo André Costa, com este apoio “tivemos a oportunidade de alargar o festival para dois dias, e apresentar um cartaz mais apelativo e, com isso, aumentar o número de visitantes que, por sua vez, acabou por gerar um impacto positivo no comércio e economia locais”.

Engane-se quem julga que o valor foi totalmente gasto nessa edição. “Criamos um plano a três anos, de forma a garantir a continuidade do projecto”, no entanto, “a verba não estica e só com uma gestão muito apertada se conseguem garantir os objectivos”, pelo que este ano, de forma a “não comprometer a viabilidade do festival e também assumir uma postura de sustentabilidade”, a organização optou por cobrar as entradas no evento, “ainda que a preços bastante reduzidos”, face à qualidade dos artistas. Com o passe geral para os dois dias a custar 20 euros e as entradas diárias a custarem 10 e 15 euros, para sexta-feira e sábado, respectivamente.

E se nas primeiras edições do evento não era necessária grande logística na recepção dos visitantes, com a passagem a dois dias de festival, foi também necessário criar um espaço para acolher os festivaleiros. André Costa conta que a colectividade criou uma parceria com o Agrupamento de Escuteiros 1035 de Condeixa, que permite que os visitantes acampem num espaço “com boas condições e a cerca de 500 metros” do local onde tudo acontece. “Também nesse campo queremos implementar algumas novidades, com a disponibilização de um serviço de cafetaria, que permita aos campistas beber um café logo pela manhã, ou adquirir uma sandes ou águas”…

No que respeita ao espaço onde a ‘magia’ acontece, leia-se ao recinto do festival, “também estamos a preparar algumas novidades, com a implementação de novos espaços de mostra de artesanato”, sem esquecer os que já vêm da edição anterior, porque os festivaleiros também têm direito a um novo corte de cabelo ou degustar a tradicional escarpiada de Condeixa.

No que toca ao espaço de restauração, que lhes valeu rasgados elogios nas edições anteriores, “queremos aumentar o número de lugares sentados”, de forma a proporcionar um maior conforto aos visitantes.

E ainda que a organização esteja satisfeita com o espaço que ocupa, “olhando para o futuro, gostaríamos de realocar o festival noutro sítio, uma mudança ‘radical’, que vemos como uma oportunidade de expandir horizontes e como um grande ponto de atracção, mas que ainda não foi possível de realizar”. André Costa garante, todavia, que “tudo faremos para que seja possível numa das próximas edições” do Rock dos Romanos.

Expectativas elevadas

Com um “cartaz forte e bastante diversificado”, onde as bandas locais e regionais também assumem um papel muito importante, escusado será dizer que “as expectativas são muito elevadas”, com a organização a prever que durante os dois dias passem perto de 1.500 pessoas pelo festival, vindas de vários pontos do país. E já há confirmação de festivaleiros oriundos do Algarve, Viseu, Porto, ou Lisboa, sem esquecer os visitantes de Condeixa e dos concelhos vizinhos.

Para este ano, a organização conta com um orçamento que ronda os 20.000 euros, “em que apenas um terço do valor é canalizado para a contratação das bandas”, uma vez que a verba restante é dividida pela parte logística, “onde fazemos um grande investimento na qualidade de som e nas condições que queremos dar aos artistas e visitantes”, e o restante vai para “taxas, taxinhas e licenças”, lamenta.

Para dar corpo ao festival, a organização, composta por nove elementos, conta com o “apoio inexcedível de cerca de 20 voluntários”, com idades compreendidas entre os 20 e os 70 anos. Afinal, o rock não tem idade…

ANA LAURA DUARTE

[NOTÍCIA DA EDIÇÃO IMPRESSA]


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