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Condeixa e Coimbra divergem sobre “eixo do mal” da linha ferroviária de alta velocidade

7 de Agosto 2023

Os municípios Condeixa e Coimbra estão em divergência sobre a melhor opção para o traçado da linha ferroviária de alta velocidade, com o primeiro a rejeitar com veemência o que o segundo defende, tendo por base as propostas apresentadas no estudo de impacte ambiental, cuja fase de consulta pública para o troço Soure-Oiã terminou no início desta semana, com 996 participações.

Enquanto Condeixa não quer nem ouvir falar na alternativa que arrasará uma dúzia de casas em Casal Carrito (Anobra), para além da capela e da associação recreativa local, o município de Coimbra entende que esse traçado (eixo 3.2) é aquele que menos prejudica o concelho, nomeadamente a freguesia de Taveiro.

“Não podemos aceitar de forma alguma o eixo 3.2 que vai destruir completamente uma aldeia, a começar logo pela capela e pela associação, para além de uma dúzia de habitações. É o pior para nós, para a freguesia de Anobra, e vamos fazer de tudo para que esse traçado não seja o escolhido”, afirma o presidente da Câmara Municipal de Condeixa, Nuno Moita, realçando que o próprio estudo indica aquele eixo “como o menos favorável” e que será difícil a população o aceitar sem se revoltar.

Por seu turno, a Câmara de Coimbra defende que esse mesmo eixo 3.2 é o que terá menos impactos a nível social e ambiental naquele concelho, nomeadamente menos habitações expropriadas e demolidas, afirmou a vereadora com a pasta dos transportes, Ana Bastos.

“O eixo 3.1 [que em Condeixa atingiria a aldeia de Casal Seco], para além da componente social, também impacta directamente com a zona de protecção do Paul de Arzila e teria outros também impactos no nosso plano de pormenor da zona desportiva de Taveiro”, defende a autarca conimbricense.

Refira-se que o eixo 3.1 é apontado no estudo de impacte como o “globalmente mais favorável ambientalmente, o que se prende com o facto de ser mais vantajosa em todos os descritos relacionados com a componente humana”.

“Há uma divergência sobre qual o eixo, mas Coimbra terá de perceber que também terá de ter externalidades negativas maiores, uma vez que tem a externalidade positiva que outros concelhos não têm, que é ter uma paragem da alta velocidade”, salienta Nuno Moita, convicto de que “no final haverá certamente um consenso”.

Traçado alternativo

Em sede de emissão de parecer específico, a Câmara Municipal de Condeixa propôs uma alternativa às opções de troços apresentados, com um traçado em Anobra que minimize os impactos naquela freguesia, apontando a linha para uma posição intermédia entre as opções-Casal Seco e Alvogadas [eixos 3.1 e interligação entre 3.1 e 3.2], procurando evitar a destruição de habitações.

Um abaixo-assinado subscrito nas freguesias de Condeixa [Anobra, Ega e Sebal/Belide] potencialmente afectadas pela linha também solicita “ajustes” aos traçados propostos que não impliquem a demolição de qualquer habitação.

“Propusemos uma alternativa aos três traçados propostos, que penso que Coimbra também terá possibilidades de aceitar e pelo que percebi da Infraestruturas de Portugal é algo que tecnicamente é possível de realizar”, enfatiza Nuno Moita.

Coimbra também propôs alterações ao projecto, sugerindo a optimização do traçado com “mais detalhe” para minimizar os impactos, que naquele concelho poderá atingir um total de 63 habitações.

No concelho de Condeixa, as alternativas 3.1 e interligação 3.1 e 3.2 também obrigarão à destruição de habitações. No caso da primeira, a aldeia de Casal Seco terá cinco casas a irem abaixo, deixando o lugar praticamente deserto (sobrará uma habitação), enquanto na segunda será Alvogadas a sofrer as maiores consequências com seis habitações fatalmente penalizadas.

Em Ega e em Sebal/Belide, os traçados propostos não indicam a demolição de qualquer cada de habitação.

LUÍS CARLOS MELO

[NOTÍCIA DA EDIÇÃO IMPRESSA]


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