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Espanhóis quiseram ‘tomar conta’ do futebol feminino do Clube Condeixa

15 de Dezembro 2022

Um grupo investidor da Galiza, que integra dois antigos jogadores espanhóis de primeira linha, tentou nas últimas semanas ‘tomar conta’ do futebol feminino do Clube Condeixa, após os seus dirigentes terem decidido de forma repentina pelo fim do projecto, mas a intenção foi travada pelas pretensões financeiras apresentadas por um emblema a braços com graves dificuldades de dinheiro e pelo curto tempo disponível para evitar a exclusão da equipa do campeonato nacional da 2.ª divisão, face às faltas de comparência aos jogos.

O TERRAS DE SICÓ apurou que logo após os órgãos sociais do clube terem decidido, a 18 de Novembro, não estarem reunidas “as condições necessárias para que este projecto continue a representar o clube e esta região, da melhor maneira possível”, os potenciais investidores, associados já ao futebol feminino em Espanha e a quererem estender-se a Portugal, tomaram conhecimento do sucedido e viram em Condeixa uma boa oportunidade de entrada no nosso país.

Todavia, os contactos entre as partes não chegaram a bom porto… de Vigo. Fonte conhecedora do processo adiantou-nos que, numa primeira fase, os dirigentes do Condeixa questionaram da possibilidade de incluir no ´pacote´ também o futebol masculino (sénior e sub-19) e a dívida total do clube, que caminha para os 300.000 euros.

A pretensão terá sido negada, dado que o interesse visava apenas o futebol feminino. O montante financeiro então aflorado terá baixado para menos de metade, mas, ainda assim, acima do que os espanhóis estavam disponíveis a investir… só para pagar dívidas.

Em contra-relógio para evitar a desclassificação da equipa por faltas de comparência aos jogos, os possíveis investidores terão solicitado que o clube assegurasse a presença da formação feminina nos desafios seguintes, enquanto avaliava as pretensões condeixenses, mas não obtiveram essa garantia e no final de Novembro desistiram de ‘salvar’ o projecto. Agora procuram outras equipas em solo luso onde possam investir.

Contactado pelo TERRAS DE SICÓ, o presidente do Condeixa, Sérgio Fonseca, remeteu esclarecimentos sobre a situação do clube e do seu futebol para uma conferência de imprensa a convocar oportunamente.

O caso e pretexto

A decisão do clube de extinguir a equipa feminina causou surpresa, pela forma repentina como surgiu, mas o TERRAS DE SICÓ sabe que a continuidade do projecto estava em risco desde a pré-época, após a descida da equipa à 2.ª divisão nacional, com alguns dirigentes a defenderem continuamente ao longo dos últimos meses o seu fim.

Em meados de Novembro, em situação e contexto inapropriados, elementos da estrutura técnica e directiva daquela formação terão, alegadamente, agredido verbalmente, na presença de outras jogadoras, uma atleta nigeriana que não estava inscrita federativamente pelo clube, mas que residia temporariamente em instalações deste. Os dirigentes consideraram o caso muito grave e tomaram a decisão radical conhecida, na véspera da primeira de duas deslocações ao Algarve no espaço de quinze dias para defrontar o Guia FC (Taça de Portugal e campeonato).

Criada em 2015, a equipa feminina condeixense teve o seu ponto alto nas épocas 2020/2021 e 2021/2022, com a disputa da primeira divisão nacional (Liga BPI). Agora, face às faltas de comparência registadas nas últimas semanas, o castigo federativo ditou a desclassificação do campeonato actual e o impedimento de participação em competições na próxima época.

O Clube Condeixa, com a equipa sénior masculina a disputar a Divisão de Honra distrital, a equipa sub-19 o campeonato nacional da 2.ª divisão e ainda diversos escalões de formação, continua mergulhado numa difícil situação financeira, com milhares de euros de dívidas a fornecedores, federação, associação de futebol, treinadores, ex-treinadores, atletas e ex-atletas. O maior credor continua a ser o presidente da direcção, Sérgio Fonseca, que terá haver mais de 100.000 euros.

De acordo com os estatutos do clube, no próximo mês deverão ser realizadas eleições para órgãos sociais, actualmente compostos por 13 homens e duas mulheres.

[NOTÍCIA DA EDIÇÃO IMPRESSA]


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