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PAULO JÚLIO

Quem cuida da credibilidade?

18 de Novembro 2022

Todos, independentemente de opiniões mais ou menos estruturadas, precisamos de um Governo concentrado nos assuntos da gestão do Estado em todas as suas dimensões. A tarefa do Primeiro-Ministro (PM) não está nada facilitada, desde logo, pelo excesso de casos mediáticos que vêm a público, com mais ou menos consistência, mais ou menos ética política. O Governo (este segundo governo) tem menos de um ano, mas, realmente, parece estafado e com quase nenhum rasgo. Não falo de políticas públicas, nem das opções que se foram fazendo porque isso é outra matéria. O ponto é o enorme consumo de tempo em discussões internas, em preparação de “defesas públicas” e de entrevistas para explicar os “casos”.

Há aqui um problema estrutural que provoca danos estruturais a Portugal, num Governo que tem maioria absoluta conferida pelo povo português há pouco tempo, mas que não está a saber aproveitar essa oportunidade que, em quase 50 anos de democracia, foi experimentada duas vezes com Cavaco Silva e uma vez por José Sócrates, sem necessidade de nenhuma coligação partidária. Essa estabilidade está a afundar o PS que, por sua vez, contamina o seio do Governo. Porque à mistura, identificam-se “tiques” de poder absoluto.

Um bom exemplo, é a nomeação de um jovem recém-licenciado de 21 anos para adjunto da Ministra da Presidência (número 2 do Governo!) Mariana Silva (gosto de colocar só o primeiro e o último nome, apesar da linhagem política). Quais são os sinais que se passam com este tipo de nomeação? A Ministra pode fazê-lo legalmente e não está minimamente preocupada com o que a sociedade portuguesa possa pensar de nomear uma pessoa para o seu gabinete que nunca trabalhou, é recém-licenciada e, portanto, pouco acrescentará, independentemente da sua boa vontade. O valor do esforço e do trabalho que deve ser passado aos jovens para poderem progredir na sua vida fica ferido de morte porque os jovens vão olhar para o caso e pensar “onde está a justiça?”, “este país não é realmente igual para todos”, entre outras discussões que minam a credibilidade e a confiança no sistema político, degradando-o progressivamente.

Para onde caminhamos e que massa crítica é que tem o nosso sistema político para colocar ordem nestes vários problemas? Qual é o papel do Presidente da República (PR), num momento em que há uma clara degradação da imagem das instituições? Estas várias questões dever-se-ão colocar, de modo a perceber em que condições chegará Portugal ao final desta legislatura. Tudo isto acontece, a cada dia, num momento em que a inflação está a níveis elevadíssimos com os efeitos nefastos e inevitáveis na vida de todas as pessoas. Precisamos de um Governo que governe com consistência e precisamos de um PM mais forte do que nunca, decidindo de forma a não deixar apodrecer o executivo e as instituições.

Na minha opinião, o Presidente da República deveria exigir uma remodelação estrutural ou demitir o Governo, porque as maiorias absolutas não são absolutas maiorias. O próprio PM sabe disto e tem de esquecer o “aparelho” e tomar decisões de Estado. Fora o que pensa estrategicamente para Portugal, tem sido esta sua forma de estar no cargo de PM que não tem correspondido à dimensão do que lhe é exigido. Se o PM vai mudar com o que vai acontecendo ou se precisa de um safanão do PR e se, por sua vez, este acha que tudo o que se anda a passar degrada profundamente o sistema político, são dúvidas que todos nós, que não estamos na bolha política, veremos desfeitas dentro de pouco tempo. Porque a pressão social vai aumentar muito.


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