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Penela: PIMA quer ajudar mais estrangeiros a fixarem-se no concelho

7 de Novembro 2022

Americanos, australianos, israelitas, mexicanos, russos, paquistaneses, alemães, ingleses, ucranianos, belgas, indianos, afegãos e mais, muito mais. Ao todo são cerca de 30 as nacionalidades que compõem o núcleo residencial do concelho de Penela, constituindo perto de 10% da ‘família penelense’.

Num cenário de pura multiculturalidade, em Penela, um grupo de imigrantes resolveu juntar-se e criar a Associação de Imigrantes de Penela (PIMA). A formalização da colectividade ficou concluída no início de mês de Setembro deste ano, no entanto, o grupo já se reúne “há muito tempo, desde a altura em que Luís Matias era o presidente da Câmara Municipal de Penela”, aliás, o “repto foi lançado pelo seu executivo”, com a ajuda “inesgotável dos Bombeiros Voluntários de Penela, com quem mantemos uma relação muito próxima e de grande amizade, e da Junta de Freguesia do Espinhal”, conta ao TERRAS DE SICÓ Jean-Louis Milhes, secretário financeiro da associaçãoo.

“Muitos imigrantes enfrentam problemas semelhantes quando chegam a Portugal, por isso acreditamos que a criação de uma associação como a PIMA era uma boa oportunidade para criar uma plataforma de ajuda na resolução de problemas que muitos de nós enfrentamos quando resolvemos fixar-nos num país estrangeiro”, revela Hagira Estrela, presidente da associação. A dirigente explica que “em Portugal existem muitas burocracias e nem sempre os serviços estão preparados para receber os estrangeiros que se querem fixar no país e ajudá-los a ultrapassar os constrangimentos”, conta. “Todos nós, da PIMA, passámos, em alguma altura, por constrangimentos burocráticos”, e por isso “um dos principais objectivos da associação é ajudar os imigrantes a integrarem-se na comunidade local e a criarem ligações entre as pessoas e entre as próprias organizações”, explica.

Dificuldades linguísticas

“Nem todos os estrangeiros falam inglês ou francês, apesar de serem duas línguas muito faladas temos de perceber que há russos, afegãos, ucranianos, indianos ou israelitas, por exemplo, que se querem fixar no concelho, mas que não falam nenhuma dessas línguas e muito menos o português, por isso, por vezes, é necessária a ajuda de um ‘tradutor’, um serviço que disponibilizamos e que acaba por ajudar em muito qualquer cidadão de nacionalidade estrangeira”, diz.

Outra das intenções da colectividade é “criar uma bolsa de empresas e serviços”, conta Pascale Bertoli, secretária da direcção. “A ideia é que as empresas do concelho, e não só, se associem a nós, para que quando um imigrante necessitar de um determinado serviço possamos recomendar essa empresa”, ou seja, “a PIMA não tem qualquer interesse financeiro ou empresarial, pretende apenas recomendar serviços que sabemos de antemão ser sério e de qualidade”.

“Se pensarmos bem, quando uma pessoa muda de país, até encontrar um canalizador, ou electricista, um pedreiro, uma escola ou simplesmente um cabeleireiro pode ser uma verdadeira dor de cabeça”, revela Tony Charlton, presidente da assembleia-geral. Desta forma, “pretendemos criar uma plataforma aglomeradora de comércio e serviços que possamos recomendar de forma confiável e integra”, assim como empresas que necessitem de mão-de-obra, ou que estejam a contratar, numa “espécie de bolsa de emprego”.

Integração social

Como nem tudo se resume a questões burocráticas ou dificuldades do dia-a-dia, o grupo pretende, ainda, “alavancar uma forte ligação entre a comunidade estrangeira a viver no concelho e os ‘nativos’”. Desta forma, Gary Foxcroft “criou o Mercado Global, um mercadinho que se realiza no último domingo de cada mês, na vila do Espinhal, e que visa promover a economia circular, as tradições da região e os pequenos produtores”, o grupo pretende ainda criar alguns eventos, “como provas de vinhos, eventos desportivos ou passeios temáticos, onde os participantes têm a oportunidade de conhecer alguns dos negócios locais”, de forma a “promover os pequenos produtores e incentivar o comércio de proximidade”, dando a “conhecer produtos de grande qualidade, como o mel, o queijo, os azeites e os vinhos da região de Sicó”.

Anualmente, está ainda prevista a realização de um evento maior, o “Family Fun Day”, uma actividade que junta desporto, música, artes, tradições, workshops, petiscos internacionais e bebidas refrescantes. O primeiro “Dia da Família” realizou-se em Agosto passado e foi um “autêntico sucesso”.

Relembrando que “são os estrangeiros que estão a dar vida a muitas aldeias do concelho, que estavam praticamente abandonadas ou muito envelhecidas”, os responsáveis da PIMA acreditam que o concelho “está preparado para receber muitos mais estrangeiros”, uma vez que “por aqui falta quase tudo”, e asseguram que “Penela tem óptimas condições de integração e habitabilidade”, onde “quem traz novas ideias de negócio, e quem ajude a dinamizar a economia local, é muito bem-vindo”.

Mas porquê Penela?

O grupo de responsáveis pelo projecto lança uma gargalhada geral perante a pergunta. “Penela tem tudo, está no centro do país, tem bons acessos, paisagens belíssimas… e acima de tudo tem qualidade de vida”, justificam. Nenhum dos dirigentes da PIMA tinha qualquer ligação a Portugal antes de decidir fixar-se em território nacional. Não conheciam outros estrangeiros a viver por aqui, nem tinham vindo a Penela antes, mas assim que pisaram solo luso perceberam imediatamente que estavam reunidas todas as condições para uma “mudança muito positiva”.

Para além do “custo de vida apelativo, Penela está a poucas horas de grandes cidades como Lisboa ou Porto, sem esquecer Coimbra, aqui ao lado, temos bons serviços, um contacto privilegiado com natureza em estado quase puro e um sistema educativo difícil de encontrar noutras regiões do país”. Os dirigentes a PIMA apontam ainda a “hospitalidade dos portugueses, uma proximidade inigualável e bom coração dos penelenses”.

Cristina Bishop, vice-presidente da associação e professora, assume que “o sistema educativo e as escolas alternativas que existem no concelho são uma das maiores mais-valias deste território e um dos factores preferenciais para a fixação de famílias, que em grande parte escolhem Penela devido às três comunidades educativas localizadas no Espinhal e no Rabaçal”.

“Estas comunidades educativas têm muito pouco a ver com a ideia tradicional do ensino, desenvolvem projectos com base nas metodologias do movimento da escola moderna e do método Montessori”, onde as salas não têm quadros, não há trabalhos de casa e crianças podem andar descalças. “Sem dúvida que este factor tem um peso brutal na escolha dos casais com filhos pequenos”, crianças que mais tarde vão “ser cidadãos portugueses, mas acima de tudo penelenses”, remata.

ANA LAURA DUARTE

[NOTÍCIA DA EDIÇÃO IMPRESSA]

 

||| ENGLISH VERSION 

Penela: PIMA wants to help more foreigners who settle in the county

Americans, Australians, Israelis, Mexicans, Russians, Pakistanis, Germans, English, Ukrainians, Belgians, Indians, Afghans and more, much more. In all, there are about 30 nationalities that make up the residential core of the municipality of Penela, constituting about 10% of the “Penelense family”.

In a scenario of pure multiculturalism, in Penela, a group of immigrants decided to get together and create the Penela Immigrants Association (PIMA). The formalization of the association was concluded at the beginning of September this year. However, the group has been meeting “for a long time, since the time that Luís Matias was the president of the Penela Town Council”, and “the challenge was launched by his administration”, with the “inexhaustible help of the Penela Volunteer Fire Brigade, with whom we have a very close and friendly relationship, and the Espinhal Parish Council”, Jean-Louis Milhes, financial secretary of the association, tells TERRAS DE SICÓ.

“Many immigrants face similar problems when they arrive in Portugal, so we believe that the creation of an association like PIMA was a good opportunity to create a platform to help solve problems that many of us face when we decide to settle in a foreign country,” reveals Hagira Estrela, president of the association. The leader explains that “in Portugal there are many bureaucracies and services are not always prepared to receive foreigners who want to settle in the country and help them overcome the constraints,” she says. “All of us at PIMA have, at some point, gone through bureaucratic constraints”, and for this reason “one of the main objectives of the association is to help immigrants integrate into the local community and create links between people and between the organizations themselves”, she explains.

Language difficulties

“Not all foreigners speak English or French, and although they are two languages that are widely spoken, we have to realize that there are Russians, Afghans, Ukrainians, Indians, or Israelis, for example, who want to settle in the borough, but who don’t speak any of these languages, much less Portuguese.

Another of the collective’s intentions is to “create a business and services exchange,” says Pascale Bertoli, secretary of the board. “The idea is that companies in the area, and beyond, will join us, so that when an immigrant needs a particular service, we can recommend that company.” In other words, “PIMA has no financial or business interest, it only wants to recommend services that we know in advance are serious and of quality.

“If you think about it, when you move to another country, finding a plumber, electrician, mason, school, or simply a hairdresser can be a real headache”, says Tony Charlton, president of the general assembly. This way, “we want to create a platform that brings together commerce and services that we can recommend in a reliable and integrated way,” as well as companies that need labor, or that are hiring, in a “kind of employment exchange.

Social integration

Since not everything is about bureaucratic issues or day-to-day difficulties, the group also intends to “leverage a strong connection between the foreign community living in the municipality and the ‘locals’. This way, Gary Foxcroft “created the Global Market, a small market that takes place on the last Sunday of each month, in the village of Espinhal, and aims to promote the circular economy, the traditions of the region and small producers”, the group also intends to create some events, “such as wine tastings, sporting events or thematic walks, where participants have the opportunity to meet some of the local businesses”, in order to “promote small producers and encourage local commerce”, showing “high quality products, such as honey, cheese, olive oils and wines from the region of Sicó”.

Each year, a larger event is also planned, the “Family Fun Day”, an activity that brings together sports, music, arts, traditions, workshops, international snacks and refreshing drinks. The first “Family Fun Day” took place last August and was a “real success”.

Recalling that “foreigners are the ones who are giving life to many villages in the municipality, which were practically abandoned or very old”, the people responsible for PIMA believe that the municipality “is prepared to receive many more foreigners”, since “almost everything is missing around here”, and assure that “Penela has great conditions of integration and habitability”, where “those who bring new business ideas, and those who help to boost the local economy, are very welcome”.

But why Penela?

The group responsible for the project laughs heartily at the question. “Penela has everything: it’s in the center of the country, has good access, beautiful landscapes, and above all it has quality of life”, they justify. None of the leaders of PIMA had any connection to Portugal before deciding to settle in the country. They didn’t know any other foreigners living here, nor had they ever been to Penela before, but as soon as they set foot on Portuguese soil they immediately realized that all the conditions for a “very positive change” were in place.

Besides the “appealing cost of living, Penela is only a few hours away from big cities like Lisbon or Oporto, not forgetting Coimbra, next door, we have good services, a privileged contact with nature in an almost pure state and an educational system difficult to find in other regions of the country. The leaders of PIMA also point out the “hospitality of the Portuguese, the unparalleled proximity and good heart of the Penelenses.”

Cristina Bishop, vice-president of the association and a teacher, says that “the educational system and the alternative schools that exist in the municipality are one of the greatest assets of this territory and one of the main factors for families to settle in Penela because of the three educational communities located in Espinhal and Rabaçal.

“These educational communities have very little to do with the traditional idea of teaching, and develop projects based on the methodologies of the modern school movement and the Montessori method”, where classrooms have no blackboards, no homework and children can go barefoot.

ANA LAURA DUARTE


  • Director: Lino Vinhal
  • Director-Adjunto: Luís Carlos Melo

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