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Sociedade: Para onde caminhamos…

28 de Outubro 2022

O tema que vou abordar é de grande subjectividade quando nos referimos a atitudes e comportamentos humanos. Este texto/opinião integra dois exemplos que, recentemente, assisti durante um curto período de férias que decorreu de forma itinerante à longa da nossa costa. Para além de desfrutar do mar, da gastronomia dediquei algum tempo à observação das relações/reacções humanas, “defeito” de formação associada ao gosto pelo estudo e análise comportamental.

O dia estava solarengo e praia bem concorrida. Analisei, durante algum tempo, uma situação curiosa. Um casal jovem acompanhado de um cão, muito animado, e a pouca distância encontrava-se uma senhora com uma criança, muito engraçada, que deveria ter cerca de três anos. Acontece que, no período de observação, constatei que várias pessoas se dirigiam ao cachorro de forma afável e carinhosa enquanto a criança não foi alvo de qualquer sinal de simpatia ou atenção. Concordo, plenamente, com defesa/protecção e respeitabilidade pelos animais que são fontes inesgotáveis de afecto, não reclamam e preenchem certos vazios. Este é, apenas, um pequeno exemplo de uma situação que nos confunde e traz à ideia a inversão de papeis, bem como, outros exemplos, que todos conhecemos, de tendência para humanização dos animais.

Um outro episódio, relevante, tem a ver com a chegada à praia de um pequeno grupo de cidadãos que transbordavam uma alegria contagiante. Porém, ao escolherem o local onde ficar, as pessoas que estavam mais próximas, rapidamente, se afastaram para outro lugar, como se tratasse da chegada de um grupo de bandidos. Eram, apenas, simpáticos seres humanos, cidadãos portadores de deficiência intelectual, pessoas extraordinárias, que nos dão grandes exemplos de amor/afecto que nós, os ditos normais, devíamos seguir.

São, apenas, sinais que acrescem ao contexto de sociedade que caminha de forma, preocupante e progressiva com comportamentos de intolerância, de desrespeito pela diferença, de xenofobia, de racismo e de ódio que, por sua vez, conduzem à violação da dignidade humana. Porém, vão surgindo sectores da sociedade, que todos nos devíamos associar, que procuram contrariar esta escalada através de políticas e acções de humanização.

Tenho esperança numa sociedade melhor, mais justa e mais solidária, todavia com a intervenção/liderança nos principais sectores de decisão pelas novas gerações e em particular pelas mulheres.

Santos Mota

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