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Grupo Protecção Sicó (GPS) quer maciço classificado como Área de Paisagem de Protegida

22 de Outubro 2022

Fundado em 1997, o GPS – Grupo Protecção Sicó acaba de celebrar bodas de prata. Passado um quarto de século após a sua criação, o grupo, liderado por Cláudia Neves, faz um “balanço amplamente positivo”. Afinal, o “historial fala por si”, e se há 25 anos o GPS foi constituído por “10 jovens que ocupavam uma boa parte dos seus tempos livres na Serra de Sicó”, actualmente são “quase 20 vezes mais”, em que “muitos de nós continuam a ocupar uma parte dos seus tempos livres na ‘Serra’ ou em prol da ‘Serra’”, revela a responsável enquanto adianta que a colectividade conta, actualmente, com 218 sócios.

De acordo com Cláudia Neves, “são 25 anos de muito trabalho, muitas lutas, vitórias, derrotas, descobertas, perdas, alegrias, tristezas, angústias e conquistas”, com a “noção que muitas mais vão existir no futuro”, o que significa, também, “novos desafios, novas mudanças, novas dinâmicas, novos problemas e novas soluções”, sendo que “pela ‘Serra’ e por todos os que contribuíram para o ‘nosso GPS’, não baixaremos os braços”, assegura.

Marcos históricos

Ao longo dos anos são muitas as acções que merecem destaque, “desde as mais visíveis, como descobertas de património natural e cultural, as actividades de formação, de sensibilização ambiental, ou as intervenções na defesa do património”, até às “aparentemente menos relevantes”, mas “fundamentais na existência de qualquer associação: as relações de amizade criadas entre sócios e com outras associações”. No entanto, a responsável destaca “dois marcos históricos”: a descoberta da Gruta do Algarinho, em Penela, em 1998, o maior achado arqueológico, com cerca de 2,5 quilómetros de extensão, em Portugal nos últimos 25 anos, e a descoberta, em 2005, do Algar “Abismo de Sicó”, em Pombal, sendo esta a “primeira cavidade do Maciço de Sicó-Alvaiázere a ultrapassar os 100 metros de profundidade”, explica.

Para além destes, é de referir que em 2012 o GPS obteve o estatuto de Organização Não-Governamental de Ambiente (ONGA) e seis anos depois, em 2018, recebeu o estatuto de Utilidade Pública, o que “acaba por ser um reconhecimento oficial da importância da actividade do GPS ao longo dos anos”. Como mais-valias, “ambos aumentam a nossa visibilidade e “atestam” a validade das nossas intervenções”, permitindo “integrar órgãos consultivos regionais, diversificar de fontes de financiamento”, mas também “aumentam as nossas responsabilidades”, garante.

Presente de aniversário

Um quarto de século depois da sua criação, o Grupo Protecção Sicó considera “todo o maciço a sua casa” e por isso, em dia de aniversário revela que um dos “melhores presentes que poderíamos receber seria ver o Maciço Sicó – Alvaiázere classificado como Área de Paisagem de Protegida, ou mesmo, como Parque Natural, sem condicionalismos territoriais ou de políticas de ocasião”, revela a responsável.

“Nestes 25 anos temos tentado, com sucessos e insucessos, reverter a falta de conhecimento, de sensibilidade e sobretudo a falta de estratégia conjunta e participativa que resulta numa quase total inacção na protecção efectiva do Maciço Sicó-Alvaiázere e dos seus monumentos naturais, por parte das autarquias que dividem entre si estas serras e planaltos calcários, que para nós não são só meia dúzia de concelhos”, lamenta.

Objectivos e preocupações

Ao longo dos anos, “os objectivos gerais continuam a ser os mesmos e as preocupações, infelizmente, também”, admite Cláudia Neves, enquanto explica que “mesmo que se note alguma evolução na forma como a população em geral ‘olha e sente a serra’ e até por parte do poder local, a realidade é que muitos dos problemas que existiam há 25 anos, continuam actuais”, e dá o exemplo de “descargas de efluentes e consequente contaminação dos aquíferos do Maciço, deposição de resíduos de construção/demolição de edifícios”, assim como o “aumento significativo da área de exploração de inertes, as ameaças ou mesmo destruição de património natural e cultural”, ou até mesmo “o défice de conhecimento da região e da sua sensibilidade, por parte dos órgãos do poder nacional, regional e local”.

Focada no futuro, a responsável assegura que a missão do Grupo Protecção Sicó se mantém actual desde a sua fundação, e que passa por “utilizar todos os meios ao seu alcance para denunciar qualquer acto que vá contra a preservação dos maciços calcários a nível espeleológico, arqueológico ou ambiental”, tal como se pode verificar nos “estatutos da associação”, remata.

ANA LAURA DUARTE

[NOTÍCIA DA EDIÇÃO IMPRESSA]


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