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Coimbra: Plano para estação de comboios com foco na ligação pedonal à Baixa

20 de Outubro 2022

Uma cortina verde na Casa do Sal e um corredor contínuo pedonal e ciclável entre a Baixa e Coimbra-B são algumas das ideias do plano para a estação intermodal da cidade, afirmou à agência Lusa o arquitecto catalão Joan Busquets.

Joan Busquets está a rever o plano de urbanização para a futura estação intermodal da cidade que elaborou há mais de dez anos e visitou Coimbra na quarta-feira, acompanhado de elementos da Câmara e da Infraestruturas de Portugal, no âmbito desse processo.

Em conversa com a agência Lusa, o arquitecto catalão realçou que “ter trabalhado a cidade no passado facilita a reinterpretação” e apontou também para a necessidade de o novo plano reflectir a evolução das políticas de mobilidade, “que mudaram muito nos últimos dez anos”.

Um dos objectivos neste redesenho de toda a zona entre Coimbra-B e a Baixa estará a ideia de hierarquias no acesso à futura estação intermodal, com a intenção de tentar priorizar “quem vai a pé, depois quem vai de bicicleta, quem vai de autocarro ou metrobus e, só em quarto, quem vai de veículo privado”.

Para Joan Busquets, o carro não deve estar “na primeira fila de prioridades”.

Nesse sentido, o arquitecto disse querer que o plano aproxime Coimbra-B da cidade e notou que, apesar de a estação “ter uma posição central” em relação ao concelho, acaba por parecer “muito longe” de tudo o resto, pela forma como a sua ligação é feita à Baixa da cidade.

O plano, que ainda está numa fase inicial, aponta para um reforço da ligação pedonal entre a avenida Fernão de Magalhães e Coimbra-B e, ao mesmo tempo, uma maior conexão do Choupal com outras zonas verdes da cidade, como o vale de Coselhas, algo que já estava previsto no anterior projecto, mas que será agora “mais evidente”.

O arquitecto catalão apontou para o “uso pobre” do espaço na Casa do Sal, sob o viaduto do IC2, neste momento utilizado para estacionamento de carros e ponto de paragem dos autocarros Flixbus, considerando esta zona “problemática para a mobilidade suave”.

Nesse sentido, projecta um corredor verde contínuo – “uma grande esplanada verde” -, que permita ligar a avenida Fernão de Magalhães até à estação, zona neste momento nada propícia para a mobilidade suave, notou, referindo que o projeto continua a prever duas faixas em cada sentido para automóveis.

“É muito fácil aproximar ou estender a Baixa até à Casa do Sal, mas, para isso, a gare [futura estação intermodal] terá de ter uma grande centralidade”, frisou.

Para isso o arquitecto, que mantém a ideia de um edifício “excepcional” em ponte para a estação, prevê a construção de uma dupla de edifícios altos no mesmo complexo (que poderão ser um hotel ou espaço de negócios), que tenham uma “relação visual” com o resto da cidade.

O plano, que inicialmente previa outro tipo de ocupações para além da estação, deixará agora espaço que permita, no futuro, outras construções e ocupações, disse à agência Lusa Joan Busquets.

O arquitecto propõe também um redefinir das entradas do IC2 na cidade, considerando que, hoje, parte dos acessos são demasiado diretos e levam a congestionamentos.

“É um primeiro olhar conceptual, mas ficaram bem definidos dois eixos: o verde – a área intervencionada e aberta ao público na zona ribeirinha que cria todo este espaço verde e caminho privilegiado para os modos sustentáveis – e a Fernão de Magalhães, que ganha aqui uma força mais urbana, com ligação contínua até à estação”, comentou a vereadora da Câmara de Coimbra com o pelouro do urbanismo, Ana Bastos.

Questionada pela Lusa, a vereadora assumiu rever-se na ideia de um maior foco na mobilidade suave, nomeadamente na reconfiguração da Casa do Sal e na criação de uma “grande cortina verde ao longo dos viadutos”.

A vereadora referiu que a Câmara de Coimbra vai “indicar algumas preocupações” quanto ao plano, que deverá ter uma primeira apresentação pública para “dar uma visão do trabalho” entre finais de Novembro e início de Dezembro.

“À medida que formos detalhando o plano, iremos organizar outras sessões de discussão pública”, realçou.

LUSA


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