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PAULO JÚLIO

A história do HIESE

7 de Outubro 2022

Passadas as festividades do São Miguel de Penela, arrefecidos os ânimos dos concertos musicais que, a julgar pelos cabeças-de-cartaz, provam afinal que o município até está em boas condições financeiras, irei reter-me no acto mais solene da passagem pelo feriado municipal e pela justa, apesar de repetida, homenagem à Professora Teresa Mendes, Directora do Instituto Pedro Nunes que acompanhou, desde a génese da ideia, o projecto HIESE (Habitat de empresas ligado à inovação, que se localiza desde 2016, na Quinta do Vale do Espinhal).

Na realidade, na sessão solene de 29 de Setembro de 2010, a Professora Teresa Mendes tinha recebido uma medalha de Mérito Científico, enquanto Directora do IPN por se ter associado ao município de Penela, no projecto de trabalho Penela Smart Rural em que o HIESE era a sua dimensão material. Em qualquer caso esse não é o ponto essencial deste artigo.

Para que todos percebam, a começar pelos actuais autarcas, o HIESE é uma ideia que nasce em 2007, no âmbito do Plano Director de Inovação, Competitividade e Empreendedorismo, tendo como pano de fundo a visão de revitalizar Penela como território de base rural, associando-lhe inovação, capacidade empreendedora, promovendo a ligação à Universidade de Coimbra, e, finalmente, associando-o à dinâmica do Instituto Pedro Nunes. O HIESE foi promovido como um produto de desenvolvimento de território junto de entidades como a Universidade de Coimbra, Instituto Pedro Nunes, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro, entre outras entidades públicas, enquanto base de acção inovadora e diferenciadora, de um município pequeno, rural e, ao tempo, com muito baixa auto-estima. Testemunho na primeira pessoa que foi difícil e cheguei a pensar que não seria possível. Talvez fosse demasiado “à frente” como diziam alguns, o projecto era bom, mas talvez não fosse para Penela, diziam outros.

Nesses tempos, construíram-se incubadoras por várias vilas e cidades, mas nós não queríamos simplesmente mais um edifício para alojar empresas. Queríamos um espaço que tivesse ligação ao sistema científico e tecnológico, que fosse gerido por alguém que não fosse político profissional, mas alguém que fosse um profissional que trouxesse conhecimento, sempre em ligação ao IPN, que era considerada uma das melhores incubadoras da Europa e estava a 30 minutos de Penela. Em 2010, tivemos a garantia de financiamento com fundos comunitários, executou-se o projecto da obra com duas fases distintas (a 2.ª fase agora em construção tem projecto desde esse tempo) e o trabalho de ligação ao IPN continuou a ser desenvolvido e consolidado, ao longo dos anos, pelos executivos posteriores liderados pelo António Alves e pelo Luís Matias.

Voltando ao acto solene no feriado municipal, para aquela homenagem à Professora Teresa Mendes, no mínimo, o Dr. Luis Matias deveria ter sido convidado para estar presente, uma vez que foi o presidente da Câmara de Penela que inaugurou o HIESE. Aliás, fica o registo público de que o protocolo de convites deve ser revisto porque os ex-presidentes de Câmara eleitos desde 1976, eram sempre convidados formalmente para as sessões solenes do município. Só pode ter sido um lapso e lapsos todos temos.

Finalmente, registo a “nova” visão do actual autarca em exercício que, hoje, percebe claramente a importância do HIESE para um território como o do município de Penela. Escrevo “nova” porque apesar do HIESE existir fisicamente há mais de seis anos e a estratégia “Smart Rural” fazer parte das prioridades de Penela, há mais de 12 anos, depois de ter lido atentamente o seu programa eleitoral de 2021, constatei que não lhe foi dedicado uma única linha. Com certeza que o actual autarca já sabia da existência do HIESE, mas ainda não tinha percebido a sua importância para o desenvolvimento e para a diferenciação do território.

Vale mais tarde do que nunca porque o importante é o futuro. Não sei se o Prémio Europeu ajudou a essa clarificação de visão estratégica, mas independentemente dos estímulos mais pessoais ou políticos, regozijamo-nos com o essencial. E o essencial é que a visão de desenvolvimento de inovação em base rural deve ser um dos eixos de trabalho do município de Penela.


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