8 de Dezembro de 2021 | Quinzenário Regional | Diário Online
PUBLICIDADE

PAULO JÚLIO

O futuro ou o aconchego!?

5 de Novembro 2021

O orçamento não passou, a gerigonça caiu e, por conseguinte, teremos eleições dentro de dois ou três meses. Portugal não precisava de instabilidade política, mas também não precisava de estar dependente de partidos políticos de espectro muito minoritário a condicionar políticas estratégicas de desenvolvimento. Obviamente que não mudaremos nada com mais Estado e se seguirmos essa via, ficaremos mesmo na cauda da União Europeia, o que significa pobreza, mediocridade e conflitos sociais típicos de sociedades que não se concentram em desenvolver, fazer, trabalhar e, com esses valores, usufruir de mais cultura e mais lazer.

Em qualquer caso, no País que tem uma das maiores cargas fiscais da Europa, que tem auto-estradas pagas a peso de ouro – ir de Coimbra a Lisboa custa 13€ para cada lado – combustíveis com impostos que os tornam, agora mais do que nunca, insuportáveis, os mais elevados custos energéticos da Europa, o primeiro-ministro consegue dizer, sem se rir, que a Austeridade faz parte do passado. A retórica assumidamente falaciosa conjugada com oposição sem voz, deu nisto. Somos, hoje, um Portugal em que os ministros se arrastam, não assumem responsabilidades políticas e com todos à espera da “bazuca” que há-de vir.

Portanto, nada melhor que com um governo sem maioria, apertado num colete de forças criado por um facto político “inventado” para destronar quem ganhou eleições, dar a voz ao povo para que possamos escolher o que queremos para os próximos 10 anos. Continuidade de políticas fofinhas, temperadas por umas lascas de “esquerda caviar” e acompanhadas por saudades de Marx, sem nenhuma ambição de desenvolvimento, para além de palavras ocas sem nenhum efeito real. Isso ou uma alternativa política que, sejamos rigorosos, não está assim tão bem desenhada quanto seria desejável.

No país do porreirismo, a malta gosta de aconchego e gosta pouco de desafios rasgados. Neste País facilita-se demais, a começar por deixar que fossemos governados por orçamentos casuísticos em vez de acordos escritos que comprometesse quem os assinasse. Nisso, o Professor Cavaco Silva não vacilou, nem facilitou. Querem governar sem coligação governativa? Muito bem, nesse caso, escrevam e comprometam-se ao que vêm. Foi por isso que a primeira legislatura da gerigonça chegou ao fim. Foi por não termos isso, que esta segunda legislatura, com morte anunciada, não chegou ao fim. As conversas de palácio não chegam, nestes novos tempos em que a velocidade da informação é brutal. Tão brutal que cilindra os mais auspiciosos pensadores políticos da situação. É a vida, lá diria o outro.

Chegados aqui, é bom que se resolva depressa e que todos percebamos que o que nasceu em 2015 chefiado por Costa, que tinha acabado de perder as eleições, chegou ao fim. Com isso talvez também tenha chegado ao fim um “tempo de nada”. Um tempo em que nada se aproveitou.  Um tempo sem reformar nada no Estado, um tempo sem aproveitar o crescimento económico preparado por quem tinha governado antes. Um tempo interrompido pelo Covid que nos suspendeu a vida por quase dois anos e deixou o governo a gerir à vista e sem rumo, a não ser o rumo político de uns e outros que o compõem. Este é um tempo de definição total, incluindo os partidos políticos que se podem colocar como alternativa ao que se tem passado.

A política não pode, nem deve ser um jogo de poder. A política serve as pessoas, serve a sociedade, mudando, reformando, adaptando e preparando o futuro. Se Portugal, depois destas primeiras duas décadas deste novo século, não entender isto, as próximas gerações estarão algures noutros países porque neste espaço lindo à beira-mar, do sul da Europa, restará o turismo e alguns sobreviventes que basicamente vivem do que se consome. Nesse futuro, não valerá a pena chorar pela ambição de sermos um País com indústria de base assente em inovação e marcas, com empresas tecnológicas, com um sector agro-alimentar desenvolvido, enfim com futuro. A escolha será entre esse desafio ou este aconchego de dividir o pouco por muitos.


  • Director: Lino Vinhal
  • Director-Adjunto: Luís Carlos Melo

Todos os direitos reservados Grupo Media Centro

Rua Adriano Lucas, 216 - Armazém D Eiras - Coimbra 3020-430 Coimbra

Site optimizado para as versões do Internet Explorer iguais ou superiores a 9, Google Chrome e Firefox

Powered by DIGITAL RM