7 de Dezembro de 2021 | Quinzenário Regional | Diário Online
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PAULO JÚLIO

Pelas pessoas!

17 de Setembro 2021

Aproximam-se as eleições que, muito provavelmente, ditam o resultado que mais influência tem na vida quotidiana das nossas comunidades locais e, com certeza, na estratégia dos nossos territórios e cidades. A cada quatro anos discute-se em cada casa, associação, café ou restaurante, os defeitos e as qualidades dos candidatos que se apresentam às juntas de freguesia, assembleia municipal e câmara municipal. O povo sente e decide. Não creio que haja muita gente a decidir o seu sentido de voto porque leu exaustivamente um manifesto eleitoral do candidato A ou B. As pessoas decidem porque sentem confiança ou desilusão, decidem porque têm esperança e acreditam ou porque julgam que aquela ou aquele candidato é o que lhes inspira mais credibilidade. As pessoas não gostam e sentem quando há oportunismo. Sentem quando o discurso é balofo e desinspirado. Sentem quando há emoção e sentem que dali poderá vir uma melhoria para a vida da sua comunidade. Mesmo quando estão a renovar votos no mesmo candidato, exigem, naturalmente, que haja melhoria.

A vida política está cada vez mais complexa e as pessoas estão, cada vez mais, menos tolerantes. O voto de cada um é essencial, mas a abstenção tem crescido nas últimas duas décadas por consequência da banalização dos cargos políticos. Não é um sinal saudável para a democracia porque resulta daí mais distanciamento entre eleitos e eleitores. Resulta daí degradação, menos massa crítica para discutir cidades e território, para traçar rumos e estratégias.

Independentemente das preferências partidárias de cada um, é muito importante que cada cidadão, mais jovem ou mais idoso, exerça o seu direito de voto nestas eleições autárquicas porque é o poder mais próximo e porque precisamos que a democracia fique mais forte, a partir desse nível. Devemos decidir em consciência, baseando-nos no que sentimos que as pessoas sabem e no que poderão fazer. Em municípios mais pequenos há ainda maior proximidade, o que obriga cada candidato a trabalhos redobrados e a ser ainda mais genuíno e transparente. Não há candidatos perfeitos. Devemos assumir que cada pessoa é singular, tem a sua personalidade e, naturalmente, também julgamos por causa disso. Deveremos ouvir e criticar para que, uma vez eleitos, façam melhor.

Por outro lado, não devemos tolerar demagogia e promessas sem sentido. Ou promessas de troca de votos por benefícios pessoais à posteriori. Esse tipo de situação, quando existe, não dignifica ninguém, nem tão pouco a democracia local. A democracia local precisa de líderes inspiradores, com visão, com energia, com seriedade e com responsabilidade. Vale mais perder com honra do que ganhar desonrado.

Os actos eleitorais podem ser momentos de ansiedade e stress, mas também são oportunidades de renovar confiança e esperança. Gerir uma junta de freguesia ou uma câmara municipal é tratar de detalhes – do jardim, do passeio, da estrada, da valeta ou do arruamento – mas também é tratar da estratégia e de conhecer os meandros para se chegar a financiamentos de projectos e ideias. Essa é a parte importante e que tem menos visibilidade pública. Nas eleições autárquicas contam muito mais as pessoas do que os partidos, apesar de que quem perde, achar o contrário. Mas, sobretudo nos pequenos e médios municípios, as pessoas votam no líder que lhes inspira mais confiança. Às vezes enganam-se, outras vezes acertam, mas, em qualquer caso, o poder autárquico é aquele que nos permite contactar e exigir directamente a quem é eleito. Se não houver outra razão, essa já é suficiente para, no dia 26 de Setembro, irmos votar livremente. Com emoção e com a racionalidade que este acto eleitoral sempre impõe.


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