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Coimbra: Teatrão vai passar a ter espectáculos acessíveis a cegos

24 de Setembro 2021

A Oficina Municipal do Teatro (OMT), em Coimbra, vai ter pela primeira vez no sábado audiodescrição para espectadores cegos e com baixa visão, a par da Língua Gestual Portuguesa, serviço que já oferecia, anunciou O Teatrão.

A peça de teatro “Aldebarã”, da Terra Amarela, que é apresentada no sábado, pelas 21h30, será o primeiro de 15 a 20 espectáculos que a OMT irá ter durante a temporada 2021/2022 com audiodescrição, permitindo o acesso à cultura de cegos e de pessoas com baixa visão, afirmou à agência Lusa a directora da companhia O Teatrão, Isabel Craveiro.

No sábado, também haverá interpretação do espetáculo em Língua Gestual Portuguesa, algo já recorrente na OMT face a uma parceria com “alguns anos” com o curso da Escola Superior de Educação de Coimbra, acrescentou.

“Foi necessário adquirir uma cabine de audiodescrição [com apoio da Direcção-Geral das Artes], que permite que, durante o espetáculo, seja feita ao vivo a ‘tradução’, para que os cegos e pessoas de baixa visão, que terão fones, possam ouvir a descrição do que está a acontecer”, explicou.

Segundo Isabel Craveiro, a companhia espera receber cerca de 15 cegos e respectivas famílias, no sábado, para assistirem ao espetáculo.

“Para a grande maioria, vai ser o primeiro espetáculo de teatro que vão ver na vida”, realçou.

Para além da audiodescrição, os cegos serão também guiados, antes de o espetáculo começar, pelo espaço cénico, para perceberem a dimensão do espaço e os detalhes de cenografia.

Os audiodescritores que irão assegurar o serviço são de Lisboa e têm acesso prévio ao texto e à gravação do espetáculo, referiu.

Isabel Craveiro notou que não há qualquer audiodescritor na região Centro, considerando que seria importante agentes culturais e municípios trabalharem em rede no sentido de assegurarem uma pessoa, com formação na área, para garantir a acessibilidade de pessoas cegas e com baixa visão a espectáculos na região.

“Vamos tentar perceber como é que isso se faz e estimular também essa procura, para que se possa justificar esse investimento de alguém, porque era importante haver essa oferta”, salientou.

Esta medida de inclusão surge também do projecto “A Meu Ver”, que O Teatrão desenvolve em parceria com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO).

Nesse projecto de três anos, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e La Caixa, O Teatrão trabalha com dois grupos, com 17 cegos e pessoas com baixa visão, e prevê a criação de três espectáculos originais, o primeiro dos quais a estrear em 2022, no Dia Mundial do Teatro, 27 de Março.

No sábado, para além do espetáculo, vai também decorrer o seminário “Acesso Cultural e criação artística participativa: Em que ponto estamos?”, às 15h00.

LUSA


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