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Alvaiázere: Projecto “Capacitar para Partilhar” na recta final e longe do ambicionado

18 de Setembro 2021

O projecto “Capacitar para Partilhar”, desenvolvido por cinco entidades de Alvaiázere, que surgiu para combater o isolamento social de pessoas do concelho com mais de 65 anos não conseguiu atingir o número de indivíduos a que se tinha proposto.

“No final deste mês [Setembro] faz dois anos e a partir de Outubro iniciamos o seu último ano, haveria hipótese de termos concorrido para prolongar a sua duração, mas decidimos não o fazer na altura. Quando avançámos com o projecto estávamos num contexto em que decidimos apostar num número que realmente era muito ambicioso, até porque eram 1.200 utentes, mas que acreditámos que com a dinâmica certa seria possível. A pandemia tudo alterou”, começou por explicar João Simões, coordenador geral do projecto, sublinhando que “neste momento o [programa de financiamento comunitário] Portugal 2020 está a colocar em causa o nosso projecto porque foi aprovado um valor que visava também a contratação de três técnicos externos, mas que não conseguimos atingir a meta e estamos a trabalhar apenas com 200 pessoas. Estamos, por isso, na iminência de vir a ser prejudicados financeiramente. Não houve sensibilidade por parte de quem gere estes projectos”, critica.

A questão pandémica obrigou a uma restruturação do projecto levando a que as actividades que foram previamente desenhadas para grandes grupos de utentes fossem restruturadas para que o projecto se mantivesse “viável e exequível”.

“As saídas em grandes grupos tiveram que terminar e começamos a organizar pequenos grupos de seis a sete pessoas para se encontrarem em lugares como palheiros ou eiras. Nestes espaços, as pessoas passam algum tempo à conversa ou fazem alguns exercícios de ginástica ministrados pela nossa fisioterapeuta ou levamos uma concertina e temos um momento musical. O nosso objectivo actualmente é o de proporcionar a estas pessoas actividades com qualidade, não estamos preocupados com quantas pessoas o fazemos, queremos é fazê-lo bem feito e combater o isolamento”, acrescentou o coordenador, sem deixar de referir que “a pandemia foi muito dura com estas instituições. Sofremos na pele as suas consequências. Então ter este projecto em paralelo, que precisou ser reajustado, não foi fácil, mas a estrutura do projecto está viva e esperamos que cresça no decorrer do próximo ano”.

Implementação difícil

No entanto, a pandemia não foi o único contratempo desta caminhada, a sua implementação não foi fácil e a recepção menos ainda. Porém, com o passar do tempo e os devidos ajustes, o ‘Capacitar para Partilhar’ acompanha actualmente 200 utentes e tem-lhes proporcionado momentos de combate à solidão e ao isolamento.

“Mantivemos as visitas domiciliárias que são feitas pelos técnicos externos para continuarem a dar um pouco da atenção que estas pessoas precisam. E estas visitas domiciliárias são previamente marcadas para que as pessoas saibam que naquele dia vão ter companhia. Implementamos também um projecto digital para o qual adquirimos tablets para que estas pessoas em situação de isolamento e com filhos longe ou fora do país pudessem vê-los e conversar com eles”, acrescentou João Simões ao TERRAS DE SICÓ, sublinhando que “graças às tecnologias possibilitámos a um utente nosso que conhecesse o neto que tinha acabado de nascer. E é muito isto que projectos como este proporcionam as pessoas que acompanham”, realça.

Ainda que o projecto não apresente os números previstos inicialmente, o coordenador garante que o trabalho foi feito e que os utentes que acompanham são prova disso mesmo, deixando no ar a vontade de “fazer um projecto paralelo entre as instituições e o município, se houver vontade de ambas as partes, mas sem financiamentos e financiadores que apenas se preocupem em olhar para os números e não para as pessoas”.

O projecto “Capacitar para Partilhar” é da responsabilidade Santa Casa da Misericórdia de Alvaiázere, em parceria com a Associação Social, Cultural e Recreativa de Almoster; Casa do Povo de Alvaiázere; Casa do Povo de Maçãs de D. Maria e o Centro Cultural e Recreativo dos Pussos.

O projecto, de 142.160 euros, candidatado ao Programa Portugal Inovação Social, é financiado em 70% pelo Portugal 2020, cabendo ao Município de Alvaiázere os restantes 30%.

RUTE AZEVEDO SANTOS

[NOTÍCIA DA EDIÇÃO IMPRESSA]


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