18 de Abril de 2024 | Quinzenário Regional | Diário Online
PUBLICIDADE

Ansião: “O trabalho para as pessoas é a grande marca do mandato”, António José Domingues

7 de Agosto 2021

Com as Festas do Concelho (possíveis) em curso durante estes dias, o TERRAS DE SICÓ, a pretexto desta efeméride ainda marcada pelas restrições da pandemia, entrevistou o presidente da Câmara Municipal de Ansião, António José Domingues, a escassos dois meses de terminar o mandato. A hora é de balanço.

TERRAS DE SICÓ (TS) – Que marca deixa destes quatro anos de mandato?

ANTÓNIO JOSÉ DOMINGUES (AJD) – A grande marca é a de um trabalho para as pessoas. Sempre valorizei muito as pessoas. Às vezes, temos a facilidade discursiva de dizer que o importante são as pessoas, mas há uma diferença muito grande entre falar que as pessoas são o centro das nossas preocupações e depois o nosso trabalho político. Quando decidi ser candidato apresentei à população de Ansião um conjunto de propostas que de alguma forma iam ao encontro daquilo que era o trabalho para as pessoas e para as famílias. A redução do IMI, a redução da derrama, a transferência de mais verbas, que assumi desde o início, para as juntas de freguesias, que são quem trabalham mais directamente para as pessoas, porque são a autarquia mais próxima. Tinha a noção que era possível o município canalizar muito dos seus recursos para ajudar as pessoas. Não estou a dizer que no passado não acontecia, mas é evidente que a marca mais importante deste mandato, efectivamente, foi o trabalho para as pessoas. E isso traduziu-se numa quebra da receita do município da ordem de 1,8 milhões de euros com a redução do IMI e da derrama.

TS – Em que medida a pandemia acabou por prejudicar o trabalho que tinha projectado para estes quatro anos?

AJD – Tivemos alguns ajustamentos. É evidente que se não houvesse a pandemia provavelmente teríamos feito mais investimento, mas a pandemia trouxe-nos para outra realidade e obrigou-nos também a olhar para as pessoas, para as famílias, para a comunidade e para as empresas. Neste ano e meio que levamos de pandemia, o município de Ansião viu também ser cortado do seu investimento cerca de 900.000 euros. Verba que podíamos alocar a investimento que estava programado e tivemos que adiar. Na aquisição de equipamento de protecção individual, todo o apoio que demos às instituições e famílias, com a distribuição desses equipamentos e com a redução de taxas, estamos a falar em gastos de cerca de 550.000 euros e mais cerca de 280.000 de redução de taxas e outros impostos cobrados pelo município. Valor que acabou por não ser investido em obras que estavam planificadas, mas mesmo assim não deixámos de fazer os investimentos que eram necessários naquilo que eram os desejos e aspirações dos presidentes de Junta.

TS – Deste mandato, que obras destaca?

AJD – Vivemos nos últimos quatro anos os maiores investimentos realizados no concelho de Ansião dos últimos oito anos, ou seja, em 2018 investimos 2,5 milhões de euros e partir desse ano temos vindo a aumentar o investimento físico real em infra-estruturas. Vamos terminar o ano de 2021 com cerca de três milhões de euros de investimento. Os orçamentos foram sempre muito participados e muito feitos em função daquilo que eram as necessidades das freguesias. E estamos a falar daquelas pequenas obras que também são do interesse das pessoas, que têm a ver com acessibilidades, com a melhoria das estradas, das calçadas, dos passeios. São obras que discutimos durante quatro anos sempre com os presidentes de Junta, que são os primeiros a ter noção das prioridades das populações. Aumentámos em 123% as transferências para as juntas de freguesias. Tinha o compromisso eleitoral de chegar ao final do mandato com 2% do orçamento municipal transferido para as juntas e isso está cumprido. Obras? As grandes obras são as que são feitas para as pessoas, mas é verdade que o desenvolvimento e o crescimento do concelho faz-se também com a construção e criação de outras obras que são necessárias, como a Loja do Cidadão, um investimento apoiado pelo Estado, em que aproveitámos o financiamento de 300.000 euros para, num investimento de cerca de 700.000 euros, criarmos um espaço que irá centralizar os serviços da administração tributária, da Segurança Social, mais os serviços do município. Aproveitámos essa obra também para requalificar a antiga escola primária de Ansião. Outra obra importante dentro da estratégia de regeneração urbana foi a conclusão da requalificação da avenida Dr. Vítor Faveiro, a principal entrada da vila, e aproveitámos também para fazer a requalificação da rua Dr. Botelho Domingos de Queirós. Outra obra emblemática, financiada pelo Centro 2020, foi o alargamento do Parque Empresarial do Camporês, iniciado este ano, no valor de 1,7 milhões de euros de investimento, que irá permitir mais 23 lotes.

TS – Uma parte complicada do mandato foi a polémica em torno da APIN. Acha que podia ter sido evitada?

AJD – Podia ter sido evitada e a culpa é nossa, dos presidentes de câmara, porque são os 11 presidentes de câmara que gerem a APIN. Trata-se de um projecto já com alguns anos e entendemos em determinada altura, na avaliação que fizemos, que estava em condições de arrancar. A avaliação se calhar não foi tão bem ponderada, mas houve um empolamento muito exagerado da implantação da APIN no terreno também por razões políticas. Mas tirando a questão de Penacova, que também teve muito de político, nós, nos 11 municípios, com presidentes do PSD e do PS temos estado unidos neste aspecto. O projecto à volta da APIN não é um projecto político, é um projecto de sustentabilidade, de estabilidade para o futuro. Portanto, independentemente das cores partidárias que amanhã, depois das eleições autárquicas, possam acontecer, é para continuar. Agora tem é de ser melhorado, nunca podemos pensar nele sem olhar também para as pessoas e sem lhes comunicar a importância deste projecto.

TS – Qual é a situação financeira da Câmara de Ansião?

AJD – É boa e recomenda-se, está estabilizada. Quando chegámos a dívida do município era de 7 milhões de euros, neste momento está à volta de 4 milhões de euros, portanto, há uma dívida estabilizada.

TS – A oposição diz que o executivo socialista aumentou a dívida em 2,5 milhões de euros…

AJD – Não vale tudo na política. Aliás, não vim para a política para usar de chavões, de falsidades, de mentiras, não é o meu estilo. Sou uma pessoa que gosta de falar verdade, olhos nos olhos. Portanto, é mentira quando a oposição diz que o município se endividou em 2,5 milhões de euros nestes quatro anos. Mas não vinha mal ao mundo se o tivesse feito, porque parece que no passado o endividamento era bom e que agora é mau. Quando nos endividamos é porque há obras a decorrer, porque há necessidade de fazer investimento. Lamento profundamente que a oposição tenha induzido ou queira induzir as pessoas em erro, mandando areia para os olhos, mas as pessoas também já vão percebendo o que é verdade e o que é mentira. É mentira que o município de Ansião se tenha endividado em 2,5 milhões de euros. Fizemos, de facto, alguns empréstimos, no valor de cerca de 1,5 milhões em quatro anos. Acabámos por não receber de receita 1,8 milhões de euros, com a redução do IMI e da derrama, mas fizemos os maiores investimentos dos últimos oito anos e mesmo assim diminuímos a dívida, e isso é que é o importante.

TS – De essencial, o que falta fazer em Ansião?

AJD – Falta fazer muito. E quando digo muito não é para menosprezar aquilo que no passado foi feito, porque foi feito muito, nem aquilo que nos últimos quatro anos nós fizemos. Mas falta fazer muito. O concelho de Ansião tem pela frente, fruto de investimentos feitos há 20 anos, um grande desafio que é a recuperação da rede viária. Há 20 anos quem conhecia o concelho sabe também que estava necessitado de água, que não estava distribuída por todo o concelho. Agora é preciso começar a requalificar toda a rede. Temos também o desafio da qualidade de vida, dos investimentos que são importantes para o concelho. Temos de continuar a trabalhar no desenvolvimento do Parque Empresarial do Camporês, onde estamos a fazer uma alteração ao nosso PDM que irá permitir aumentar a área de expansão do parque. Temos, igualmente, de realizar um conjunto de investimentos que possam fazer com que as pessoas venham visitar Ansião, e não venham e vão. Queremos que fiquem, que se fixem aqui dois ou três dias. É esse investimento na área do turismo que é importante fazer, e temos um território a nível paisagístico e de natureza de excelência. Agora falta investimento na valorização desse património natural e é aí que temos de focar muitos dos nossos esforços no futuro.

TS – Acredita que a solução para o IC8 acontecerá nos próximos anos?

AJD – Acredito que nos próximos 10 anos teremos resolvido o problema do IC8. Quando digo 10 anos, é no sentido de ser neste conjunto alargado de investimentos do quadro comunitário ‘2030’. Temos feito muita pressão junto do governo no sentido de o sensibilizar para o investimento nestes 25 km, para que o IC8 possa ver a sua requalificação realizada no próximo quadro comunitário de apoio.

[ENTREVISTA PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPRESSA]


  • Director: Lino Vinhal
  • Director-Adjunto: Luís Carlos Melo

Todos os direitos reservados Grupo Media Centro

Rua Adriano Lucas, 216 - Armazém D Eiras - Coimbra 3020-430 Coimbra

Site optimizado para as versões do Internet Explorer iguais ou superiores a 9, Google Chrome e Firefox

Powered by DIGITAL RM