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Ansião quer reforço dos recursos humanos nas unidades de saúde

4 de Julho 2021

O processo de vacinação da covid-19, envolvendo diversos profissionais de saúde das unidades locais, só veio agravar ainda mais um problema já antes bem identificado (também) no concelho de Ansião: a escassez de recursos humanos no centro de saúde e extensões de saúde para dar resposta adequada e atempada às populações. As limitações estão a condicionar o funcionamento, sobretudo, das extensões de saúde, que nalguns casos se encontram, há semanas, encerradas ou a sofrer fortes perturbações.

As reacções políticas à situação estão agora a surgir: a Assembleia Municipal de Ansião aprovou, por unanimidade, uma moção defendendo o reforço de recursos humanos no Centro de Saúde e nas extensões, os deputados do PSD eleitos por Leiria questionaram a ministra da Saúde, e em Chão de Couce também há apelos da Assembleia de Freguesia ao regular funcionamento da unidade local.

Na Assembleia Municipal do passado dia 25 de Junho, a bancada social-democrata fez aprovar uma moção, a enviar às entidades que tutelam a área da saúde, em que apela à “colocação de recursos humanos necessárias e adequados ao normal funcionamento de todas as extensões de saúde no concelho de Ansião”.

O texto aprovado nota que os constrangimentos provocados pelo irregular funcionamento daqueles serviços tendem a causar “consequências graves para o bem-estar e saúde da população, já por si bastante envelhecida e com patologias graves associadas à avançada idade”. “A somar a esta insegurança, os utentes são frequentemente confrontados com a necessidade de terem se deslocar para outras freguesias para poderem aceder a uma consulta, muitas vezes sem possuírem transporte próprio ou acesso a transportes alternativos”, reforça a moção.

O assunto também já chegou ao Parlamento, com os deputados do PSD a questionaram a ministra da Saúde sobre a falta de recursos humanos em extensões de saúde do concelho de Ansião. Numa pergunta entregue na Assembleia da República e dirigida a Marta Temido, os cinco deputados do PSD eleitos pelo círculo de Leiria referem que “a extensão de saúde de Chão de Couce nas últimas quatro semanas tem estado encerrada”.

“Esta situação tem sido recorrente nos últimos meses, não só em Chão de Couce, como noutras extensões de saúde, o que tem causado muitos constrangimentos e um constante adiar da marcação de simples consultas, com consequências graves para o acesso dos utentes aos serviços básicos de saúde”, adiantam os parlamentares.

Para os deputados Hugo Oliveira (esteve recentemente em Chão de Couce), Margarida Balseiro Lopes, Pedro Roque, Olga Silvestre e João Gomes Marques, é “incompreensível que se mantenha esta situação”, num concelho “disperso, marcado pelo envelhecimento da sua população, sendo a saúde uma área prioritária para garantir a qualidade de vida e o bem-estar dos cidadãos”.

Da ministra da Saúde, os parlamentares querem saber se vai “garantir aos serviços competentes dotação para colmatar as falhas apontadas, nomeadamente a contratação de recursos humanos”, e se “vão ser contratados mais profissionais de saúde para estas extensões de saúde”.

Os deputados querem ainda saber se Marta Temido assume que “os utentes destas unidades de saúde continuem a ser prejudicados” ou se “vai intervir para repor a normalidade”.

Chão de Couce de “baixa”

Em Chão de Couce, onde a baixa médica de um enfermeiro levou ao encerramento da extensão de saúde várias semanas, preocupação também é a palavra de ordem. A Assembleia de Freguesia aprovou por unanimidade uma missiva a enviar ao director-executivo do Agrupamentos de Centro de Saúde (ACES) do Pinhal Interior Norte onde dá conta das “manifestações de desagrado e preocupação dos utentes” recebidas diariamente e lembra que os utentes afectados são “na sua maioria uma população envelhecida, sem transportes próprios e sem uma rede de transportes públicos que permita a sua deslocação para Avelar”, local para onde se podem reencaminhar, mas onde a extensão de saúde está, igualmente, a sofrer constrangimentos no seu funcionamento.

O presidente da Junta de Avelar foi à Assembleia Municipal, afirmar que não se conforma em a freguesia ter “novamente um Verão terrível”, a viver “as mesmas aflições do passado ano, com o centro de saúde encerrado mais de dois meses”.

Fernando Inácio Medeiros defende que “se o Serviço Nacional de Saúde, o secretário de Estado e demais entidades não conseguem de forma nenhuma resolver o problema do Centro de Saúde de Avelar e todos os outros, acho que temos de ser nós [autarcas], à volta de uma mesa, a tentar encontrar soluções para tentar colmatar esta dificuldade”.

Sem demagogias

Já o presidente da Câmara de Ansião, António José Domingues, diz-se também “constrangido e aborrecido com estas situações”, mas lembra a burocracia inerente à “máquina do Estado e da Administração Pública”, que não permite actuar tão rapidamente quanto desejado na substituição de profissionais em caso de baixas médicas.

O autarca afirmou em Assembleia Municipal que já sugeriu um sistema de rotação dos profissionais pelas diversas extensões de saúde ao longo da semana, por forma a que estas não sejam obrigadas a encerrar temporariamente.

“Estamos com uma situação que não é fácil, o Município já propôs a contratação de profissionais de saúde, mas não podemos contratar sem autorização da ARS [Administração Regional de Saúde] e estamos a aguardar que haja essa autorização”, revela o autarca, ciente que as férias de Verão, que estão aí, de médicos, enfermeiros e administrativos, ainda vão criar “mais limitações”.

António José Domingues não deixou, igualmente, de “contextualizar” a situação actual, sustentando que “o grande desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde começou em 2012”, no tempo de um governo PSD.

“Todos nós gostaríamos de ter mais médicos, mais enfermeiros, principalmente neste momento crítico e de exigência que estamos a passar face a uma pandemia e à uma alocação de profissionais de saúde a um processo de vacinação que se quer eficaz, eficiente e rápido”, afirmou o autarca, apelando a que o assunto seja tratado “com seriedade, mas sem demagogia política”.

[NOTÍCIA DA EDIÇÃO IMPRESSA]


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