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NATÉRCIA MARTINS

Aventuras de um Pai Natal

18 de Dezembro 2020

Era uma vez um Pai Natal feito de chocolate. Era lindo ou era ele que se considerava lindo, colocado junto de outros iguaizinhos a ele colocados em fila na prateleira do supermercado.

Colocado numa ponta mirava-se no espelho da porta.

Não podendo sair do lugar, gozava com os outros amigos que não viam o espelho.

– Eu sou o mais bonito. Por isso me colocaram aqui. Tenho um fato vermelho, barrete debruado a ouro e umas grandes botas pretas.

Os outros ficavam tristes, mas ele tão vaidoso não se importava com isso. Os outros, sem ele ouvir e em surdina chamavam-no de malcriado. Também feitos de chocolate não saiam do sítio, mas, mesmo assim, quando alguém entrava ou saía do supermercado, empertigavam-se na mira de serem escolhidos.

Houve um dia que a mãozinha de um menino tirou o Pai Natal da prateleira. Todo contente foi mostrar à mãe. Fora ele o escolhido. E agora?

Sentiu um trambolhão enorme. Foi parar ao carrinho das compras. Ficou na fila a ver o empregado da loja passar as compras na máquina calculadora. Xiiiiiiii. O que era aquilo? Apitava de forma aguda. Quase sentiu os ouvidos a rebentar. O coração quase parou. Sentiu, mais uma vez um encontrão. Ainda refilou: Olha lá. Não vês que me estás a pisar? Mas nada! Ninguém o ouviu. Mais uma vez foi parar dentro do saco das compras. Pensou: Mas o que é isto? Não há respeito por mim que sou um Pai Natal lindo, lindo!

Pois, ninguém lhe ligou.

Já em casa ouviu o menino que o tirou da prateleira dizer à mãe: o meu boneco vai para cima da mesa de Natal. Ah, agora sim, agora ia ser admirado por todos.

Mas não! Ficou junto dos frutos secos que a mãe comprou e embrulhou também em papel prateado.

Não sabendo como, viu-se no chão em cima do tapete.

Um gato que andava por ali cheirou e desatou a rir à gargalhada: Olha lá, quem és tu?

O Pai Natal encolheu-se, mas pensou: Os gatos não gostam de chocolate. Posso conversar. É que desde a prateleira do supermercado não me ligaram nada. A mim que sou lindo embrulhado em papel de cores. Mas o gato também se foi embora. Nisto ouviu chorar. Era o menino que não sabia do seu chocolate. Quis gritar, mas não conseguia. Deu um pulinho conforme pôde e foi parar perto do vaso das flores.

Um pé cheio de força deu-lhe um pontapé sem querer. Lá foi mais uma vez amolgado, atirado, e às reviravoltas.

O menino apanhou-o do chão e colocou-o em cima da mesa, junto do seu lugar. A vista era maravilhosa. Perú assado com batatinhas em volta, pudim, bolo, frutas e tantas mais iguarias que não davam para contar tudo.

As pessoas sentaram-se em volta da mesa. O pai, a mãe, a avó e o avô. Todos falavam e contavam o que se tinha passado naquele dia. Olhou e viu o gato refastelado no sofá. Foi com ele que falei esta tarde. Pois foi!

O gato dormia sossegado e feliz. As pessoas comiam devagar e sem pressa de chegar ao fim da refeição. O menino tinha recebido mais prendas no seu sapatinho colocado no dia anterior na chaminé da cozinha. Um outro Pai Natal tinha lá ido. E ele, o mais bonito ali em cima da mesa.

Nisto a mãe do menino exclamou: deixa o chocolate para outro dia. E foi assim que o Pai Natal foi parar em cima do armário da cozinha, dentro de um pote de plástico. Até quando? Sei lá! Agora às escuras e sem ver ninguém? Pouca sorte!


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