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Covid 19: “Quebra galopante” nas reservas de alojamento em Fátima

12 de Março 2020

O turismo religioso no Centro do país está a ser muito afectado pelo impacto do surto Covid-19, havendo uma “quebra galopante” nas reservas de alojamento em Fátima, disse hoje à agência Lusa o presidente da Turismo Centro.

“Tem havido muitos cancelamentos nas reservas para Fátima, que, nesta altura do ano, depende muito do mercado asiático”, refere Pedro Machado.

O presidente da Entidade Regional, que abrange cem municípios do Centro do país, recorda que um dos principais mercados emissores de turistas para Fátima é a Coreia do Sul, país que registava hoje de manhã um total de 7.869 infectados com Covid- 19 e 66 vítimas mortais, segundo dados das autoridades locais de saúde pública.

A quebra de reservas em Fátima é acompanhada pela baixa de turistas em centros urbanos, como Aveiro e, sobretudo, Coimbra, acrescenta Pedro Machado.

“Desde que a Universidade de Coimbra suspendeu as aulas, zonas que habitualmente estão cheias de turistas ficaram desertas. Passámos de meio milhão de visitantes em 2019 na zona da Universidade para praticamente zero”, reconhece.

No âmbito do seu Plano de Contingência para lidar com o surto, a Turismo Centro criou uma “amostra” de 1.030 pontos turísticos, unidades hoteleiras, restaurantes e atracções que monitoriza de perto.

O objectivo é seguir a evolução do surto, avaliar quase ao minuto o seu impacto no sector e ajudar a encontrar soluções, refere Pedro Machado.

O líder da Entidade Regional lembra que, no âmbito do Turismo de Portugal, foi criada uma linha de microcrédito a que podem recorrer empresários que enfrentem “um sufoco de tesouraria” por causa do impacto da pandemia.

Pedro Machado refere ainda as medidas legislativas recentes sobre os postos do trabalho, que aguardam rápida regulamentação, para garantir que o impacto sobre os trabalhadores seja atenuado.

O novo coronavírus responsável pela Covid-19 foi detectado em Dezembro de 2019, na China, e já provocou mais de 4.600 mortos em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde a declarar a doença como pandemia.

Em Portugal, a DGS actualizou hoje o número de infectados, que registou o maior aumento num dia (19), ao passar de 59 para 78, dos quais 69 estão internados.

O Conselho Nacional de Saúde Pública recomendou na quarta-feira que só devem ser encerradas escolas públicas ou privadas por determinação das autoridades de saúde.

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, considerou que esta recomendação “faz sentido” e que o encerramento de escolas será feito de forma casuística, “analisando o risco, caso a caso, situação a situação”.

Várias universidades e outras escolas já decidiram suspender as actividades lectivas.

As medidas já adoptadas em Portugal para conter a pandemia incluem, entre outras, a suspensão das ligações aéreas com a Itália, a suspensão ou condicionamento de visitas a hospitais, lares e prisões, e a realização de jogos de futebol sem público.

LUSA


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