21 de Fevereiro de 2020 | Quinzenário Regional | Diário Online
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Paulo Júlio

A próxima década no Sicó

7 de Fevereiro 2020

Fechada a década, dedico hoje algumas linhas ao nosso território que, realmente, merece uma estratégia de desenvolvimento para os próximos 10 anos, independentemente de quem esteja no poder, seja local ou nacional.

Faltam projectos territoriais que mobilizem investimento privado e falta uma estratégia de comunicação colectiva.

Sempre entendi que estes concelhos de Sicó, apesar da sua diferente dimensão, só têm a ganhar se tiverem capacidade para se unirem mais, em torno de 2 ou 3 projectos mobilizadores. Não precisam de ser dez ou vinte, bastam dois ou três, mas fortes. Se pensarmos em património histórico, natural e construído, poder-se-ia construir uma estratégia ancorada em três eixos principais. O primeiro eixo terá de ser a recuperação da ideia do eixo da romanização, com os seus vários projectos ao longo do território, tendo como porta de entrada Conímbriga. Não fazer isto, significa que a Região não percebe o que tem. Atrás dessa valorização, tem de se recuperar e estimular investimentos privados ligados ao turismo e aos produtos endógenos, onde pequenos negócios ancorados na produção de queijo serão os mais óbvios e valiosos. Na minha opinião, em vez de ter distribuição transversal de recursos para o desenvolvimento agrícola, haveria que apostar nos produtos que são diferenciadores e que podem competir no mercado, como é bom exemplo, o queijo desta região, com dinheiro suficiente para estimular novas empresas.

O segundo eixo ancorado no património natural, é a valorização da marca Sicó, com toda a sua riqueza natural, desde a flora, até às paisagens calcárias que misturam vales e serra. A interpretação da natureza, os passeios pedestres e todas as actividades que atraiam pessoas com respeito pela natureza, são fonte de criação de valor, sobretudo, para os pequenos actores económicos, desde lojas, restaurantes, hotéis ou alojamento local.

Finalmente, apostaria num terceiro eixo, também já discutido publicamente, que é a criação de uma rede de aldeias do calcário. Este é o projecto complementar, baseado no património construído que concilia as vivências, o artesanato e a valorização das aldeias e das pessoas. Temos um excelente exemplo que pode e deve servir de referência que é a rede de aldeias do xisto.

Na próxima década, três eixos para desenvolver Sicó deveriam fazer parte de uma carta de regime, fosse quem fosse Presidente de Câmara. Uma estratégia de verdadeira valorização patrimonial. Espero que aconteça.

Para concluir, até acho que deveria ser criado um congresso de Sicó, estimulado pelos Municípios e pela Associação de Desenvolvimento Local Terras de Sicó, mas aberto à sociedade civil, sejam cidadãos, sejam empresas âncora, envolvendo entidades nacionais públicas e privadas, para discutir estratégias e monitorizar desenvolvimento. A região precisa! Só é preciso fazer acontecer.


  • Director: Lino Vinhal
  • Director-Adjunto: Luís Carlos Melo

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