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Soure: Cheias deixam dezenas de trabalhadores temporariamente sem ocupação

10 de Janeiro 2020

As cheias que há perto de três semanas fustigaram o Baixo Mondego deixaram, só no concelho de Soure, cerca de meia centena de trabalhadores agrícolas temporariamente sem ocupação, por haver ainda muita área de produção submersa na zona do vale central, adianta o presidente da Câmara Municipal, Mário Jorge Nunes, afirmando tratar-se de uma “situação social complexa”.

O autarca adianta que já solicitou uma audiência à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social para tentar encontrar “uma solução legal” que atenue as dificuldades destes operários, vários imigrantes, que pelo menos nos próximos dois meses se virão impedidos de exercer a actividade. “Em Soure, temos à volta de 100 hectares de produção, sobretudo hortícolas, ainda debaixo de água, irrecuperável, e alguma dessa produção tinha características de continuidade. Só duas empresas têm 50 hectares de produção debaixo de água e 40 trabalhadores sem possibilidade de reiniciar o processo produtivo”, frisa Mário Jorge Nunes. O cenário estende-se ao vizinho concelho de Montemor-o-Velho.

Segundo a ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, a primeira fase de levantamentos de prejuízos vai estar terminada até ao dia 20, sendo depois aberto um aviso, através de uma medida do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020, até ao final do mês, para apoiar empresários e agricultores, abrangendo despesas com animais, plantas plurianuais (nomeadamente de viveiros), máquinas, equipamentos, armazéns, estufas e equipamentos de rega, entre outros.

A tipologia dos apoios a atribuir será igual a uma outra já usada no passado para agricultores afectados pelos incêndios de 2017 e pela tempestade ‘Leslie’.

Nesse sentido, todas as despesas elegíveis até 5.000 euros serão financiadas a 100%, entre 5.000 e 50.000 a 85% e de 50.000 euros até 800.000 euros a 50% (acima de 800.000 euros também é financiado em 50%).

Maria do Céu Albuquerque referiu, em Coimbra, onde reuniu esta semana com autarcas e associações de agricultores, que apesar do lançamento deste primeiro aviso até ao final do mês, poderá ainda ser aberto um segundo aviso para as áreas que ainda estão submersas no Baixo Mondego, nomeadamente uma tipologia diferente, de apoio ao investimento para obras de conservação do solo, prevista também no PDR 2020.

Sobre a necessidade de serem criados instrumentos públicos para tornar mais acessíveis e atractivos os seguros de colheita, a ministra referiu que a tutela está a estudar formas de “criar melhores condições para que os agricultores possam estar mais seguros”.

Medidas de precaução

Além dos danos nas explorações, há caminhos agrícolas, estradas municipais, pontões, taludes e represas, entre outros, também a necessitarem de intervenção, que será feita pela Câmara, juntas de freguesia e Agência Portuguesa do Ambiente, ponderados os respectivos custos. A limpeza de resíduos e inertes deixados pelo forte caudal merece igualmente preocupação dada a dimensão em causa.

Mário Jorge Nunes defende que “devem ser tomadas todas as medidas de precaução” quando se anunciam situações semelhantes e “temos de ter capacidade e consciência para responder a estes fenómenos”. No entanto, o autarca lembra que o rio Mondego registou caudais máximos de meio século e “todos os limites de segurança estabelecidos para o projecto foram ultrapassados”.

O edil sourense mostra ainda preocupação com a necessidade de reparar rapidamente as estruturas e sistemas de rega danificados, pois caso tal não suceda “em Abril, quando parar de chover, pode faltar a água para regar muitas culturas”.


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