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Soure: Valada transformada em aldeia eco-Natal

15 de Dezembro 2018

Um presépio feito só com materiais recicláveis, bem como outras decorações natalícias, são motivo de satisfação para as gentes da pequena aldeia do concelho de Soure

A cerca de meia centena de habitantes da pequena localidade de Valada, na União das Freguesias de Gesteira e Brunhós, em Soure, vive, por esta altura, dias de satisfação e orgulho. Após um mês de “trabalho intensivo”,conseguiu colocar de pé a ideia de transformar a localidade numa aldeia eco-Natal,com a construção de um presépio e outras decorações natalícias, tudo em material reciclável.

“Esta é uma aldeia muito pequena, envelhecida, e surgiu a ideia de fazer algo diferente, inovador, que dê para falar na nossa terra. Toda a gente concordou e metemos mãos à obra, fazendo um presépio com coisas que se podem reutilizar”, explica Muriela Neves, do auto-intitulado grupo Amigos da Valada, que junta a população local, organizadora da iniciativa.

Quem entra na aldeia, logo se apercebe de uma decoração diferente na época festiva, mas é no largo da capela que o conceito “eco” ganha mais força. Uma alta árvore de Natal feita de garrafas de água e decorada com outros materiais recicláveis dá as boas-vindas aos visitantes.

Velhas escadas de madeira utilizadas nas adegas estão decoradas a preceito junto às habitações, os candeeiros de iluminação são feitos com o gargalo de garrafas de plástico, e é impossível não reparar nas estrelas penduradas que decoram o local, construídas “a três dimensões” a partir de… embalagens deleite.

Lá dentro do templo, ao pé do altar, perto de duas dezenas de figuras compõem o eco-presépio. Junto a cada “boneco”, uma descrição sobre o material utilizado na sua construção. São José, por exemplo, ganhou forma com um garrafão de água de seis litros a fazer-lhe o tronco, duas garrafas de 1,5 litros a servir de pernas, pano-cru com enchimento de almofadas a dar-lhe cara e braços, “vestindo-se” com uma túnica castanha feita a partir de restos de tecido de uma toalha de mesa. O cabelo e a barba estão feitos com cabelos de bonecas danificadas. O Menino Jesus, a Virgem Maria, os Reis Magos e outras figuras do presépio, todos ali, construídos com garrafões de água ou de lixívia, garrafas de água, sumo ou iogurte, rolhas de cortiça, grãos de café, serapilheiras, roupas velhas e muito mais; com atenção a todos os pormenores, grande imaginação e originalidade, a afirmar a célebre Lei de Lavoisier, segundo a qual “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. No caso,tudo se aproveita.

“Estamos orgulhosos do nosso trabalho, está digno de ser visto, e apesar de sermos poucos conseguimos provar que é possível fazer coisas boas e bonitas”, enaltece Muriela Neves, que dá voz pelos Amigos da Valada,apostados numa “forma linda de divulgar a nossa aldeia, que é pouco conhecida,num projecto que todos agarrámos com imenso gosto e prazer”.

Zulmira Tralhão foi uma das costureiras de serviço.Reconhece que a obra deu muito trabalho, “muitos serões a pensar qual a melhor solução para construir esta ou aquela figura”, mas “foi compensatório e o resultado final é espectacular”.

Para ajudar à festa, ao domingo à tarde, até 6 de Janeiro, funciona uma “barraquinha” de iguarias tradicionais da época, confeccionadas pelas mulheres da aldeia, que permitirá angariar uns “trocos”, a reverter a favor da capela.

É também ao domingo que o presépio, inaugurado no passado dia 9, está aberto ao público, mas se durante os restantes dias da semana alguém o quiser visitar há sempre por ali quem esteja disponível para abrir aporta, asseguram os dinamizadores da “Valada, Aldeia Eco-Natal”.

“Queremos que o nosso trabalho seja divulgado e muita gente venha ver. Não vamos ficar por aqui, a ideia no futuro é acrescentar mais figuras, não parar, crescer…”, antecipa Muriela Neves.

A menos de uma dezena de quilómetros da vila de Soure, a pacata aldeia de Valada é, assim, mais uma opção para uma visita ao “mundo”,aqui, original e pedagógico do Natal.

LUÍS CARLOS MELO


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