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Alvaiázere:População e autarcas descontentes com encerramento da estação de CTT

2 de Novembro 2018

A estação dos CTT de Alvaiázere encerrou e foi substituída por um posto de correios, que está a funcionar desde o início de Outubro na Papelaria Alternativa, junto ao Mercado Municipal. O novo espaço tem um horário mais alargado, o que agrada a muitos, mas menor acessibilidade e privacidade, o que desagrada a outros. A Junta de Freguesia e a Câmara Municipal lamentam o “processo surreal e nada transparente” que levou ao encerramento deste serviço, contestado desde o início.

“Os serviços dos CTT, à excepção dos produtos financeiros, estão agora disponíveis na Papelaria Alternativa, que está muito bem localizada e tem um horário mais alargado”, salientou Helena Geraldes, proprietária daquele espaço, sublinhando que as pessoas podem tratar dos assuntos relacionados com os Correios “nos dias úteis das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h30 e aos sábados das 9h00 às 12h30”. Contudo, “a expedição continua a haver apenas nos dias úteis”, frisou.

“Lamento que isto tenha acontecido, porque no final de contas é sempre menos um serviço no concelho”, contudo “as pessoas ficam mais bem servidas, pois continuam a ter os mesmos serviços, à excepção dos produtos financeiros, e com um horário mais alargado”, referiu Alberto Gonçalves, que trabalhou durante mais de 30 anos nos CTT. “Este processo foi mal conduzido, uma vez que devia estar na Junta de Freguesia”, considera aquele alvaiazerense, certo de que “os clientes perderam a privacidade e acabam por estar mais expostos”, atendendo ao “espaço tão pequenino” para onde foi transferido o serviço.

A mesma opinião é partilhada por Francelina Gonçalves. “O local onde funcionam agora os CTT não tem espaço, condições e privacidade para as pessoas tratarem dos seus assuntos”, critica aquela reformada, revoltada “pela forma como eles agiram”. Afinal, a estação dos CTT “funcionou normalmente até quarta-feira (17 de Outubro) e nessa noite fecharam sem avisar ninguém”, colocando na porta a informação de que “este espaço encontra-se encerrado”, passando o serviço a ser prestado na Papelaria Alternativa.

“Eu sou contra o encerramento da estação dos CTT”, afirmou de forma peremptória Celeste Marques, argumentando que o local escolhido para prestar este serviço “não tem espaço, nem condições, nem privacidade, nem é acessível a todas as pessoas”, devido aos degraus e à ausência de rampa. “Por exemplo, a minha mãe paga as suas contas e troca a reforma nos CTT, mas devido aos seus 80 anos tem dificuldade em subir escadas, como é que ela vai fazer agora?”, questiona aquela alvaiazerense, que vai ainda mais longe: “como é que a minha nora com um bébe de meses vai aos CTT? Deixa o carrinho cá fora?”.

A questão da acessibilidade é também uma das preocupações da Junta de Freguesia de Alvaiázere, que “sempre esteve disponível para prestar o serviço, mas mantém-se contra o encerramento da estação dos CTT”, realçou o presidente, Vítor Joaquim. “O fecho da estação dos CTT vai trazer grandes transtornos, porque estamos a falar de um espaço cuja acessibilidade não é adequada em termos de mobilidade para os idosos”, constatou, frisando que “não conseguimos perceber a atitude dos CTT para preterirem a Junta de Freguesia, que sempre teve disponível para prestar o serviço”.

“Desde o início à finalização do processo, os CTT não tiveram qualquer ética perante os órgãos da freguesia e a população”, acusa Vítor Joaquim, garantindo que “para a Junta este processo ainda não está fechado”, pois “vamos tentar que, pelo menos, assumam o que está no protocolo assinado entre os CTT e a ANAFRE”, que considera “o serviço prestado pelas juntas de freguesia mais adequado e mais célere”, pelo que “só devem recorrer a privados quando as juntas de freguesia não estão disponíveis para prestar o serviço”.

Para a presidente da Câmara de Alvaiázere, este “foi um processo surreal e nada transparente”, uma vez que “nada foi comunicado oficialmente”, apenas tiveram conhecimento de “uma intenção de fecho, à qual o Município manifestou desagrado e solicitou dados que fundamentassem os motivos para fechar”.

“Nada foi discutido, nada foi apresentado”, daí “o nosso espanto quando tomamos conhecimento pelas redes sociais do fecho da estação dos CTT e a abertura de um posto numa papelaria”. Já depois disso, a autarquia foi informada de que “os serviços estão assegurados na totalidade e num horário alargado, com excepção dos produtos bancários, o que não era problemático porque era um serviço que estava disponível, mas não teve qualquer aceitação pela comunidade alvaiazerense”, disse ao TERRAS DE SICÓ Célia Marques, constatando que “a maior preocupação da autarquia é assegurar a prestação deste serviço público com a mesma qualidade e segurança”.

Contudo, para a autarca, “isto é problemático”, pois “este tipo de acções” não coaduna com a “estratégia de valorização do Interior”. “Se começamos a esvaziar as sedes de concelho deste tipo de serviço, não sei qual será o futuro que se perspectiva para o Interior”, concluiu.

CARINA GONÇALVES


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