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Mário Carvalho

Campeões do “Eucalipto”!

4 de Outubro 2018

O eucalipto será supostamente a árvore que mais discussão tem criado em Portugal. Não é uma questão de agora, pois faz muito tempo que a polémica criada em seu redor tem alimentado debates e discussões sobre a sua viabilidade versus fiabilidade no nosso País.

Se por um lado é vista como um forte e importante recurso económico, numa outra face da moeda são também muitos os defeitos que lhe são apontados.

Será então o eucalipto uma planta diabólica?

Obviamente que não. Não é a planta em si que comporta o problema, mas antes sim o modo como nós, humanos, a utilizamos. Nomeadamente no nosso País.

Hoje já toda a gente sabe que o eucalipto é uma árvore que emigrou da Austrália para todos os cantos do Mundo, com grande implementação em vários Continentes, encontrando em Portugal o seu maior representante da actualidade ao nível Europeu. Aliás, dados recentes e fidedignos com base no ICNF, apontam que desde 2013 que não se plantavam tantos eucaliptos como no ano passados de 2017. “De acordo com essa avaliação, foram plantados 18.497 hectares de eucaliptos, mais mil que em 2016 e bem mais que em 2014 e 2015. Ao que supostamente não será alheia, e no campo político, a famigerada lei de Cristas da Liberalização da Plantação de Eucalipto, agora deitada abaixo pelo actual Governo que não permite, por exemplo, que novas plantações sejam feitas a partir de Janeiro de 2018.

Assim sendo, e pese embora sejam ainda muitas as vozes que defendem a plantação do eucalipto nas suas diferentes dimensões, com a sustentação que a culpa é da falta de reorganização das Florestas Portuguesas, são também muitos os dados com suporte cientifico que caracterizam esta espécie com elevados riscos ao nível ambiental e não só. Com implicações negativas no que respeita aos problemas dos incêndios, mas também no que à Biodiversidade diz respeito e à sua nefasta influência sobre a degradação dos solos.

Em suma, e sabendo que muitas vezes a plantação do eucalipto é nos dias de hoje uma das poucas fontes de algum rendimento por parte daqueles que possuem alguma área florestal, face ao que tem acontecido ultimamente em matéria de fogos florestais achamos que deve ser colocado um travão à sua proliferação desenfreada sob pena de continuarmos a assistir às tragédias há muito anunciadas.

Algumas tragédias depois, onde agora todos vêm “ralhar” sobre um assunto que em nossa opinião é transversal a todos em termos de culpa.

Como diz o velho ditado: “em casa que não há pão todos ralham e ninguém tem razão”… pois andámos décadas a assobiar para o lado e fechar os olhos ao inevitável.

Sendo este um tema em que certamente se torna impossível “agradar a Gregos e Troianos”, a nossa ideia é cada vez mais:

Mais eucalipto, “Não Obrigado”!


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