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Ansião quer criar Centro do Mosaico para potenciar património da romanização

28 de Junho 2018

A Câmara de Ansião quer criar o Centro do Mosaico, uma oficina para trabalhar o mosaico romano numa perspectiva contemporânea, procurando desta forma potenciar o património da romanização presente no concelho.

O município pretende criar esse espaço em Santiago da Guarda, junto ao complexo monumental de uma vila romana dos séculos IV e V, onde se encontram vários mosaicos daquela época, disse à agência Lusa o presidente da Câmara, António José Domingues.

A iniciativa vai nascer a partir de uma parceria da autarquia com a Escola Superior de Arte e Design de Mérida, em Espanha, e o MosaicoLab, um projecto que procura potenciar o património do mosaico romano na região Centro, liderado pelo investigador da Universidade de Coimbra Humberto Figueiredo.

“O objectivo é potenciar o mosaico e tornar Ansião a capital do mosaico. Temos o Complexo Monumental de Santiago da Guarda e queremos aliar o mosaico feito hoje com o mosaico que os romanos nos deixaram”, sublinhou o autarca.

O espaço deverá funcionar como uma oficina, que tanto servirá como espaço pedagógico e de formação, como um centro de criação de novo mosaico, por forma a valorizá-lo, explicou, esperando que a iniciativa avance entre o final deste ano e o início do próximo.

A parceria entre município, o instituto superior de Espanha e o MosaicoLab já está a ser concretizada em Ansião, através da fixação de mosaico criado pelos alunos de Mérida em espaços públicos do concelho.

Durante esta semana, alunos daquele instituto estão a trabalhar no embelezamento de uma rotunda em Ansião com mosaico criado pelos próprios, sendo que o município, juntamente com os parceiros do projecto, está a identificar outros espaços para dar continuidade à colaboração.

“O objectivo é fazer intervenções em espaços do concelho para o mosaico estar cada vez mais visível”, salientou António José Domingues.

Para Humberto Figueiredo, este projecto é “muito interessante para o concelho”, que, para além de tornar o mosaico mais visível, valoriza também “esteticamente o espaço urbano e pode tornar a vila mais interessante de se visitar”.

Nesta iniciativa, não há qualquer interesse “em se fazerem réplicas ou cópias” do mosaico romano, antes dar uma abordagem contemporânea àquela arte, explanou o investigador, salientando que, assim, está-se a criar novo património “que dialoga com o antigo”.

Humberto Figueiredo realçou também a importância de se valorizar o complexo de Santiago da Guarda, podendo ser uma porta de entrada para o circuito da romanização na região, onde também se encontram Conímbriga e a vila romana do Rabaçal.

No próximo ano, pretende-se “multiplicar as acções” de intervenção em espaço público, para além de se trabalhar na criação do centro do mosaico, espaço que poderá acolher programas educativos, formativos e criativos, com cursos especializados com mestres estrangeiros ou encontros internacionais.

“Queremos fazer de Ansião e Santiago da Guarda um grande centro do mosaico e pode ser um sector de actividade novo que pode criar postos de trabalho” e um maior interesse pelo património da região, vincou.

LUSA


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