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Alvaiázere: Mário Rui Rodrigues é o novo presidente da Al-Baiäz

4 de Maio 2018

Mário Rui Rodrigues é o novo presidente da Al-Baiäz – Associação de Defesa do Património de Alvaiázere, sucedendo assim a Maria Adelaide Furtado, que esteve à frente da colectividade durante quatro anos. Os novos órgãos sociais foram eleitos para o biénio 2018-2019 e tomaram posse recentemente.

“Não diria que ‘avancei para a liderança’, mas que recuei no meu forte desejo de continuar a ser um simples associado da Al-Baiäz”, disse ao TERRAS DE SICÓ Mário Rui Rodrigues, argumentando que “as circunstâncias forçaram-me a dar um contributo mais forte, no âmbito associativo, a Alvaiázere e à região envolvente, ainda que pessoalmente preferisse restringir os meus préstimos à investigação histórica”.

“Infelizmente, estão quase extintas todas as associações de defesa do património que existiam no distrito de Leiria”, lamenta aquele historiador, enaltecendo que entre “as poucas que sobrevivem no conjunto do país” ser “uma felicidade Alvaiázere e a região circundante disporem de uma dessas raras associações, que tem mais de duas décadas de existência, com actividade constante e ininterrupta”.

“É imperativo continuar o trabalho, em prol de todos”, considera aquele dirigente, apontando como “objectivos desta, como os de todas as direcções”, “o levantamento, o estudo, a inventariação, a defesa, a valorização e a divulgação do património natural, arqueológico, arquitectónico, histórico e artístico do concelho de Alvaiázere e de outros concelhos limítrofes”.

A realização de actividades que, além de promoverem a cultura, também possam dinamizar a vida económica das nossas localidades; o desenvolvimento de iniciativas que não só defendam o património existente, mas que também sejam criadoras de património para o futuro; e a concretização de uma diversidade de projectos que atendam à variedade cultural e à heterogeneidade dos membros da comunidade são alguns dos objectivos prioritários dos novos corpos sociais, que se comprometem a “fazer o melhor possível, com os escassos meios disponíveis”.

 

“Apostar no património é investir”

“O património histórico e cultural é, hoje, um dos mais importantes recursos económicos dos países”, considera Mário Rodrigues, alegando que “Portugal só não caiu numa irremediável bancarrota graças às receitas dos turistas”, que vêm atraídos não só pelo sol, mas também pelo património, nomeadamente “a gastronomia, os vinhos, as paisagens, os monumentos…”.

Por isso, não tem dúvidas de que “apostar no património não era gastar dinheiro, mas era investir”. E Mértola, Évora, Óbidos e, mais recentemente, o Porto são exemplos disso mesmo, estando “a ganhar com os inteligentes e lucrativos investimentos que então fizeram”.

Relativamente a Alvaiázere, o concelho pode “não dispor de nenhum grande monumento de relevância nacional”, mas “possui alguns vestígios e sítios arqueológicos cientificamente importantes, ainda que não seja fácil propiciar a sua fruição pela comunidade, tornando-os visitáveis”.

“Dentre os mais relevantes sítios arqueológicos, acha-se o castro da serra de Alvaiázere, da Idade do Bronze, que é um dos mais amplos do país”, realçou aquele dirigente, salientando que “há achados neolíticos e calcolíticos valiosos” e “o Museu Municipal dispõe já de um riquíssimo espólio arqueológico”.

O historiador destaca ainda “a importância cultural e económica do Caminho de Santiago”, bem como,“em termos geológicos, da paisagem cársica da serra e, em termos biológicos, da mancha de carvalho cerquinho, que é considerada a maior da Europa”.

A este importante património junta-se “o Cemitério Antigo de Maçãs de D.ª Maria, construído em 1855, que se for preservado e reabilitado, pode tornar-se num dos mais bem conservados exemplares dos cemitérios rurais do século XIX”, frisou o historiador, ressaltando “a grande vantagem de não ter sido adulterado com novas construções, por terem cessado os enterramentos quando se edificou o novo cemitério em 1955”. “Os cemitérios são museus repletos de objectos artísticos” e “actualmente está em voga o turismo cemiterial”, advertiu.

 

Falhas na protecção e preservação

Para Mário Rodrigues, “onde mais se tem falhado é na protecção dos sítios arqueológicos e na preservação do património edificado”, que acontece devido à “má percepção dos proprietários” sobre os “interesses duradouros” e a “falta de sentido estético”, que têm causado a “destruição da paisagem rural e urbana”.

“Deveria ter-se modificado, atempadamente, o ‘paradigma demolidor’, para o ‘paradigma da reabilitação urbana’”, defende aquele dirigente, alegando que “os efeitos nefastos da não preservação do património edificado são bem visíveis e terão consequências negativas que perdurarão no futuro”.

Apesar destas falhas, há igualmente bons exemplos como “as boas instalações culturais” (bibliotecas e museus), construídas pelas autarquias, que também promoveram a publicação de obras sobre História e Património.

Mário Rodrigues, que assume a liderança da Al-Baiäz 21 anos após a sua fundação, reconhece o trabalho que tem sido desenvolvido, pois “há mais pessoas e instituições sensibilizadas, que já perceberam que há mais a ganhar do que a perder com a preservação e a valorização do património”.

Mesmo consciente de que “os benefícios da preservação e da valorização do património não são imediatos”, o historiador lembra que “é preciso pensar mais no interesse geral do que no interesse particular, mais no futuro do que no presente”. Afinal, “a defesa do património tem de ser um desiderato de todos”, concluiu.

CARINA GONÇALVES


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