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Coimbra: Hospitais (quase) paralisados devido a greve dos médicos

8 de Maio 2018

O bloco central do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) apresenta hoje uma paralisação de 90 por centro e o do Hospital dos Covões de 100 por cento devido à greve dos médicos, informou o Sindicato dos Médicos da Zona Centro (SMZC).

Já nos outros blocos periféricos de Coimbra, como no Pediátrico, a adesão situa-se na ordem dos 80 por cento, disse à agência Lusa a dirigente do SMZC Luísa Isabel, acrescentando que nas consultas externas regista-se uma adesão entre “60 a 70 por cento”.

O caso das consultas externas, explicou, “é muito particular”, porque há médicos que optaram por não fazer greve tendo em conta situações “limite e de vigilância apertada” dos seus doentes, que vêm de longe para consultas ou exames marcados.

“Se não fosse essa situação, a adesão seria de quase 100 por centro e não haveria nem consultas, nem exames, nem cirurgias programadas”, sublinhou Luísa Isabel.

Em declarações aos jornalistas, a dirigente sindical sublinhou que é esperada uma “grande adesão” a esta greve nacional dos médicos, que arrancou hoje às 00h00 e que dura três dias.

A reivindicação essencial para esta greve de três dias é “a defesa do SNS” e o respeito pela dignidade da profissão médica, segundo os dois sindicatos que convocaram a paralisação – o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

Apesar de não ter dados sobre a adesão nos centros de saúde, Luísa Isabel frisou que se há descontentamento no meio hospitalar, nos centros de saúde ainda “há mais”.

“Precisamos de ter mais médicos, menos doentes por médico de família e mais tempo para ver os doentes”, defendeu, considerando que, face à falta de profissionais de saúde, os médicos trabalham “muitas horas extraordinárias para colmatar as falhas”.

Segundo a dirigente, estes profissionais andam “mais cansados e mais stressados”, estando em causa “o bom atendimento das pessoas e parâmetros de qualidade” do próprio Serviço Nacional de Saúde.

Rui Fernandes abandonava hoje de manhã o CHUC “incomodado”.

Deslocou-se de Anadia até Coimbra para ter uma consulta de medicina interna, tendo estado à espera mais de uma hora para saber que, afinal, não teria consulta.

“Perdi meio dia de trabalho”, disse à agência Lusa, sublinhando que há “muita gente a vir para trás”.

Não foi o caso de António Chousa, de Oliveira de Bairro, que teve a consulta perto da hora marcada, mas, em vez de ser o médico que normalmente o atende foi outro profissional de saúde.

“Correu tudo dentro da normalidade”, assegurou.

Já no Centro de Saúde de Celas, uma utente entrava na expectativa de saber se teria consulta.

“Vou lá ver se tenho ou não. Espero que sim”, contou.

Os médicos iniciaram hoje às 00:00 três dias de greve nacional, uma paralisação que os sindicatos consideram ser pela “defesa do Serviço Nacional de Saúde”.

A reivindicação essencial para esta greve de três dias é “a defesa do SNS” e o respeito pela dignidade da profissão médica, segundo os dois sindicatos que convocaram a paralisação – o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

Em termos concretos, os sindicatos querem uma redução do trabalho suplementar de 200 para 150 horas anuais, uma diminuição progressiva até 12 horas semanais de trabalho em urgência e uma diminuição gradual das listas de utentes dos médicos de família até 1.500 utentes, quando actualmente são de cerca de 1.900 doentes.

Entre os motivos da greve estão ainda a revisão das carreiras médicas e respetivas grelhas salariais, o descongelamento da progressão da carreira médica e a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e de risco e penosidade acrescidos, com a diminuição da idade da reforma.

Para hoje à tarde, a FNAM agendou ainda uma concentração em frente do Ministério da Saúde, em Lisboa.

A paralisação nacional de três dias, que termina às 24h00 de quinta-feira, deve afectar sobretudo consultas e cirurgias programadas, estando contudo garantidos serviços mínimos, como as urgências, tratamentos de quimioterapia, radioterapia, transplante, diálise, imuno-hemoterapia, cuidados paliativos em internamento.

LUSA


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