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Trinta mil utentes do Baixo Mondego em risco de ficarem sem médico

2 de Abril 2018

A Ordem dos Médicos (OM) alertou hoje para a falta de médicos no Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Mondego, que ameaça cerca de 30 mil utentes de ficarem sem médico de família.

“O Ministério da Saúde está a prejudicar mais de 30 mil utentes do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) do Baixo Mondego, perante a ausência de vagas a concurso”, afirma a Secção Regional do Centro (SRC) da OM, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

São necessários “mais de vinte médicos”, até final do ano, no ACeS do Baixo Mondego, sublinha a Ordem, considerando que o Ministério da Saúde “está a prejudicar os cuidados de saúde primários desta região e está a esquecer não só os utentes como também os jovens especialistas em medicina geral e familiar”.

A falta de médicos agravar-se-á com a possível reforma de cerca de duas dezenas de clínicos neste agrupamento de centros de saúde, salienta Carlos Cortes, presidente da SRC da Ordem dos Médicos.

O ACeS do Baixo Mondego abrange os concelhos de Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Mira, Montemor-o-Velho, Penacova e Soure, no distrito de Coimbra, da Mealhada (Aveiro) e de Mortágua (Viseu), com um total de 15 centros de saúde, seis dos quais no concelho de Coimbra.

A Ordem “não pode aceitar a profunda incapacidade do Ministério da Saúde liderado por um ministro que despreza diariamente esta região”, diz Carlos Cortes, sustentando que os números falam por si: “Nos dois últimos anos, só foram abertas duas vagas para o ACeS Baixo Mondego no concurso nacional”, apesar de este agrupamento formar anualmente entre 20 a 25 médicos de família.

“Como é possível, face a esta realidade, não ter sido aberta qualquer vaga em 2018?”, questiona o dirigente da Ordem dos Médicos.

“É grave”, neste contexto, o “atropelo às necessidades dos utentes e o desprezo aos médicos recém-especialistas em medicina geral e familiar”, defende Carlos Cortes, concluindo que, “infelizmente já pouco” espera do actual ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

LUSA


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