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Guardas contestam novo horário de trabalho na prisão de Coimbra

11 de Abril 2018

Os guardas prisionais de Coimbra contestaram hoje no arranque de uma greve que se prolonga até dia 18 a aplicação do novo horário de trabalho e exigiram a demissão do director dos Serviços Prisionais, Celso Manata.

O novo horário de trabalho para os guardas prisionais, que é aplicado desde janeiro no Estabelecimento Prisional de Coimbra, está a pôr “em causa a segurança do pessoal e a segurança do estabelecimento”, disse à agência Lusa o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), Jorge Alves, durante a vigília que decorre hoje de manhã, junto à prisão, que contou com a presença de cerca de três dezenas de guardas.

“Tem sido uma constante chegar ao final do dia e não haver guardas para render os que estão no posto de trabalho, para estes poderem tomar a sua refeição. Os guardas são obrigados a manter-se no local de trabalho durante todo o período”, alertou o dirigente sindical.

De acordo com Jorge Alves, têm de ser encerrados postos de trabalho para canalizar guardas para outros serviços, sendo que o novo horário de trabalho agrava “ainda mais” a falta de pessoal que já se sentia na cadeia de Coimbra.

“A Direcção Geral dos Serviços Prisionais decidiu distribuir o corpo da guarda em períodos de trabalho, sendo que o que concentra mais guardas é das 08h00 às 16h00 e depois, das 16h00 e até à meia-noite, há uma redução de três para um guarda”, explicou.

Apesar da redução de guardas depois das 16h00, “os serviços continuam a decorrer, visitas a realizarem-se, continua o trabalho dos reclusos e o serviço de refeitório” e, frisou, “como não há pessoal, a Direcção Geral está a querer obrigar os guardas a trabalhar em regime de trabalho extraordinário muito para além do que foi aprovado no regulamento”.

Segundo o presidente do sindicato, está regulamentado que os guardas prisionais não podem trabalhar “mais de duas horas extra por dia”, mas a Direção Geral de Serviços Prisionais está “a obrigar os guardas a trabalhar quatro e cinco horas extra por dia”.

Para além do novo horário de trabalho que está a ser aplicado no estabelecimento de Coimbra, Jorge Alves chamou a atenção para a falta de pessoal, considerando que naquela cadeia seriam necessários mais 40 guardas, face à elevada média de idades.

“É um estabelecimento com condenações acima dos dez anos, muito antigo, sem condições para albergar este número de reclusos. O espaço de refeição é tão pequeno que mais de metade da cadeia come na cela”, notou, sublinhando que há casos de reclusos “que passam 22 horas dentro da cela”.

Jorge Alves voltou a exigir a demissão do diretor dos Serviços Prisionais, Celso Manata, considerando que este responsável está a fazer “uma perseguição feroz ao corpo da guarda prisional”.

“Continuamos convictos de que a única forma de alterar este cenário é a demissão do director-geral e vir outro que tenha vontade de efectivamente sentar-se, perceber os problemas e mudar a política e termos outro tipo de horário de trabalho”, asseverou.

LUSA


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