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Condeixa: Biblioteca Municipal Eng. Jorge Bento festeja uma década

19 de Abril 2018

O 10.º aniversário da Biblioteca Municipal Eng. Jorge Bento, em Condeixa, será assinalado na próxima quarta-feira (25), a partir das 15h30, com a abertura de uma exposição fotográfica sobre as diferentes actividades desenvolvidas naquele espaço ao longo da última década e a apresentação de vários testemunhos de participantes, de diversas idades, que as frequentaram.

No programa festivo, além do “soprar das velas”, terá lugar um espectáculo para pais e filhos, por Adriana Campos.

“Foram 10 anos de uma actividade intensíssima, que todos os condeixenses que são utilizadores da biblioteca municipal podem confirmar. Uma década de uma dinâmica impressionante, num espaço com actividades para todos, dos zero aos 100 anos, como costumo dizer”, enfatiza a vereadora da Cultura, Liliana Pimentel.

“A Biblioteca Municipal Eng. Jorge Bento é um espaço educacional, de pedagogia, de divulgação e promoção cultural, de encontro, amizade e estudo”, sintetiza a autarca.

Comemorações 25 de Abril

 Na manhã do mesmo dia feriado, pelas 10h00, terão início as comemorações dos 44 anos da “Revolução dos Cravos”, com o hastear das bandeiras, formatura dos Bombeiros Voluntários e interpretação do hino nacional pelo Orfeão Dr. João Antunes e Coro Infantil da Câmara Municipal de Condeixa. Seguem-se, nos claustros dos Paços do Município, as intervenções políticas e as apresentações do livro “Dias de Abril em Condeixa – Do 5 de Outubro ao 25 de Abril”, da autoria de José Magalhães Castela, e da brochura sobre a “Intervenção Política na Assembleia da República, de Belmiro Moita da Costa, em Junho de 1984, sobre o sub-sector da Agricultura e seu financiamento”.

No novo livro de José Magalhães Castela, editado pelo Município, a narrativa começa com a proclamação da República em Condeixa, na Câmara Municipal e na Administração do Concelho, bem como os actos públicos subsequentes verificados em Outubro de 1910, a que se seguem os esboços biográficos de três grandes figuras do regime republicano em Condeixa, nomeadamente, Abílio Roque de Sá Barreto, António Pires da Rocha e Júlio Ribeiro da Costa.

Os democratas condeixenses que se distinguiram em prol da Democracia e da Liberdade nas ditaduras de Oliveira Salazar e de Marcelo Caetano constituem outro dos temas do livro, merecendo o período imediatamente a seguir ao 25 de Abril, em Condeixa, um dos pontos altos da obra, onde se insere a transcrição da sessão popular de 29 de Abril de 1974, em que foi eleita uma Comissão Provisória que assegurou a gestão da Câmara Municipal até às primeiras eleições livres.

Por decisão do autor, a obra é dedicada aos onze condeixenses que viram as suas vidas ceifadas nas três frentes da guerra colonial entre 1961 e 1974, em Angola, na Guiné e em Moçambique, constituindo assim, a primeira iniciativa para os homenagear.

Exposição “Corte-se”

No sábado (28), pelas 16h00, será inaugurada na Biblioteca Municipal Eng. Jorge Bento a exposição “Corte-se”, composta por materiais da Censura (cartazes, panfletos, livros,…) do arquivo da Associação Ephemera, com curadoria de José Pacheco Pereira, que marcará presença na abertura da mostra patente até 19 de Maio.

O Arquivo Ephemera é, em Portugal, o mais “público dos arquivos privados”, sendo o seu núcleo social, político e cultural. A política do arquivo passa por torná-lo o mais acessível possível, sendo que actualmente estão disponíveis online aproximadamente 20.000 pastas, que correspondem a entidades emissoras e periódicos. O grosso deste arquivo está colocado na vila da Marmeleira, tendo 5 km de estante. Esta biblioteca e o arquivo, que antes do 25 de Abril de 1974 seria impossível criar, são compostos por 200.000 títulos em livros, 25.000 autocolantes e milhares de cartazes. Muita documentação e materiais existentes neste arquivo resultam da oferta e recolha de voluntários. O ponto alto do trabalho voluntário ocorre de quatro em quatro anos, aquando da realização das eleições autárquicas. Para se ter uma ideia, nas últimas autárquicas foram recepcionados mais de 4.000 e-mails com informação sobre este acto eleitoral, que incluíam, entre outras coisas, fotos de comícios e panfletos. Os voluntários recolheram ainda junto das candidaturas os brindes por elas oferecidas aos eleitores, evidenciando-se a recolha de canetas, chapéus, camisolas, autocolantes e caixas para os remédios.

No ano passado foi criada, sem fins lucrativos, a Associação Cultural Ephemera. A associação serve o propósito de organizar uma base institucional e, para além de Lisboa, tem delegações no Porto, Viana do Castelo, Coimbra, Figueira da Foz, Torres Vedras e, brevemente, em Leiria servindo de ponto de recolha dos materiais e de trabalho para os cerca de 150 voluntários do Ephemera.

No Arquivo Ephemera é possível encontrar documentação variada, merecendo destaque os espólios documentais de Francisco Sá Carneiro, Coronel Sousa e Castro e Vítor Crespo. O arquivo possui ainda um acervo internacional considerável, fazendo parte dele documentação de mais de 120 países. De entre a vasta documentação internacional existente, deu entrada no arquivo o famoso insuflável em que Lula da Silva está vestido de presidiário, panfletos sobre os últimos acontecimentos na Catalunha e os pins e autocolantes da campanha presidencial americana de 2016. Estes últimos objectos deram origem a uma exposição intitulada “A propaganda nas Eleições Presidenciais dos EUA-2016”, que teve patente na Escola Superior de Comunicação Social em Lisboa e mais recentemente em Torres Vedras.

Actualmente, o objectivo passa por fazer do Ephemera um arquivo dinâmico. Além das exposições, que têm vindo a percorrer os vários municípios do país, foi criada uma parceria com a editora Tinta-da-China para a publicação de livros baseados na sua documentação.

Os materiais que vão estar expostos na Biblioteca Municipal Eng. Jorge Bento focam-se em livros que durante o Estado Novo foram proibidos e em documentos que foram censurados. A vertente iconográfica não ficará de fora, sendo expostos alguns cartazes alusivos à temática da censura.

 


  • Director: Lino Vinhal
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