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Cândido Pereira

A Senhora do Amparo

20 de Abril 2018

O Penedo é uma das vias de acesso à vila, para quem vem da antiga chamada Estrada Nacional n.º1, agora designada IC 2.
Mesmo ao cimo da íngreme ladeira, surge-nos uma alta cruz em pedra, frente a uma pequena capela. Infelizmente, o estado de conservação da orada é lamentável, com grande parte do reboco a cair.
Sei que a propriedade do templo está dividida por três entidades, sendo uma delas a Santa Casa da Misericórdia de Condeixa. O problema é que ainda não foi encontrado o necessário acordo das partes para a assunção das necessárias e urgentes obras de restauro do templo.
Vasculhando nos meus papéis velhos, encontrei um curioso relato:
SENHORA DO AMPARO
“Na sessão de 20-8-1896,da Câmara Municipal, o Presidente Venceslau Martins de Carvalho leu uma exposição de sua autoria denominada “A Capella de Nossa Senhora do Amparo”, a qual se acha transcrita na acta dessa sessão. Diz na exposição que a rua que dá comunicação para o largo da Capella se chamava Rua do Penedo, o largo da Capella, Cruz do Amparo e a ladeira que vai para Condeixinha, ladeira do Penedo. “Provinha esta denominação de o largo ser formado por uma grande penedia, sem resguardo e com altura de mais de cinco metros. No meio do largo havia um cruzeiro sobre a penedia. A Capella pertencia à propriedade contígua que fora dos Baratas de Gois”
Tendo sido comprada por Francisco de Lemos Ramalho, chegou este a dar começo à reforma da Capella, levando, para isso, a imagem da Senhora para a capela do seu palácio. No corrente ano de 1896 foi a propriedade comprada  por João Rodrigues Ribaldo, natural do Beiçudo, freguesia de Vila Seca, actualmente no Brasil, e seu pai, como procurador dele, deu uma grande reforma à capela, que ficou de forma a voltar para ali a referida imagem, na qual capela disse Missa no dia 16 do corrente (16-8-1896),o Dr. João Augusto Antunes. “Entre vivos, não há memória d’alli se ter celebrado outra missa”. De tarde houve arraial e arrematação de fogaças e para que a devoção continuasse, logo se nomearam mordomos e mordomas para dirigir a festividade de 1897.
Em 29-4-1877 tinha havido um grande desastre à Cruz do Amparo. Viajando dois estrangeiros, ao chegarem ao Hotel Castela(?), apeou-se um deles, tendo ficado o outro na carruagem. Então, os cavalos desenfreados, seguiram pela rua do Penedo indo cair o carro do penedo abaixo. Apesar da grande altura, só um dos cavalos morreu. O conde Ferdinand d’Alviz, que ia dentro, ficou ferido mas sem gravidade. O outro estrangeiro, que se tinha apeado, livrou-se, por isso, do desastre.
Em 5-5-1877, na semana seguinte à do desastre, deliberou a Câmara fazer ali uma cortina junto à ribanceira, para evitar a repetição do acidente. Esta deliberação não chegou porém a ser levada a efeito. Só 25 anos depois, em 1892 é que a Câmara ali mandou fazer um grande paredão por fora da penedia, com grades de ferro na cortina, acabando assim o precipício e ficando o lugar mais largo. Nessa ocasião foi colocada em cima do paredão a Cruz que se encontrava no meio do largo”
Para que o Penedo adquira definitivamente o estatuto de local privilegiado de miradouro, seria necessário que houvesse a consciencialização da preservação do nosso património. Há que tomar providências para a devida e urgente reabilitação da vetusta Capela de Nossa Senhora do Amparo!


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