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Natércia Martins

À conversa

20 de Abril 2018

 

Tinham estado toda a noite à conversa.

Ainda a Estrela Polar se encontrava a descansar deitada no rebordo da lua quando o sol se levantou. Começou por espreitar no cimo da copa dos pinheiros. Espreguiçou-se. Primeiro um raiozito e depois outro e finalmente em todo o seu esplendor.

– Vocês ainda aí estão? Já deviam estar a dormir!

­- Ai, disse a lua. Vamos embora que ele acordou mal disposto.

– Ora! Disse o sol. Se vocês continuarem aí as pessoas lá em baixo vão ficar muito baralhadas. Tudo ao mesmo tempo. A lua, a estrela polar e o sol!

– Nem sabes o que vimos aqui de cima, disse a estrela.

Sabias que há animais que caçam durante a noite?

– Não sabia. Eu só ando de dia e aqueço as pessoas, as plantas e os animais. Sem mim, sol, as plantas não cresciam, nem se dava uma função muito importante: a fotossíntese.

– Só sabes falar caro. O que é isso?

– As plantas precisam da minha luz para ter a cor verde. Isto é a fotossíntese. Os animais precisam de luz para comer a erva e as folhas verdes, carregadinhas de vitaminas.

As pessoas também precisam da minha luz e do meu calor porque ficavam anémicos, sem força para trabalhar.

– A lua deu uma gargalhada e também respondeu:

– Durante a noite há morcegos que estendem as asas e comem as melgas e os insectos. Um javali, desceu o monte, saltou um valado e correu atras de uma doninha. Ainda uma raposa assaltou o galinheiro da vizinha, onde as galinhas dormiam no poleiro. Foi encher a barriga até fartar. Depois de barriga cheia foi embora.

O sol estava a gostar da conversa. Quando se lembrou já ia alto, enquanto a lua e a estrela ficavam cada vez mais longe.

O sol ainda gritou:

– Caramba! A conversa não acaba? Vão dormir que o vosso mal é sono. Já embora! Com que cara vais aparecer amanhã? Estás sempre a mudar.

Então a estrela perguntou à lua se todos faziam falta, assim, como o sol e a lua.

– Claro que sim. Já viste que sem qualquer um de nós a Terra seria uma tristeza. Tudo negro. Escuro.

Enquanto o sol deitava cá para baixo os raios fortes, um sapinho caçou uma borboleta que ia a passar. A sardanica assustou-se com o salto do sapo e deu um salto, também. Tinha mau feitio.

Uma brisa passou e a folha do nenúfar abanou devagarinho. O gafanhoto estendeu as longas pernas e queria apanhar uma libelinha de asas azuis, enquanto esta levantava voo.

– Não se pode dormir neste regato!

– Se não gostas vai embora. Não fazes falta nenhuma.

– Isso é o que vocês pensam. Quem caçava as borboletas, que se transformam em lagartinhas?

– Pois, mas também gostas de ver as borboletas no Verão, muito coloridas, com pintas, sem pintas, com desenhos nas asas, com asas grandes, com asinhas pequenas.

A isto chama-se ecossistema.

A conversa continuou até que o sol cheio de sono foi dormir.

De novo apareceu a estrela e a lua. A lua com uma cara muito grande. Era lua cheia. A estrela não sabia que a lua tem várias caras nem sabia que a Terra tem os seus habitantes que não são os mesmos.

Uns andam de dia e os outros durante a noite. Mas todos são precisos.

O Sol com a luz e calor. A lua porque tendo uma luz fraquinha ilumina os animais que andam de noite e até a Estrela polar que é por onde nos guiamos e sabermos “ às quantas andamos”. Indica-nos sempre o Norte.


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